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Diversão

Candidata ao título, Mocidade da Nova Corumbá é ovacionada

Ao som de Tereza de Benguella, Mocidade da Nova Corumbá impressiona

Silvio de Andrade | 17/02/2026 11:58
Candidata ao título, Mocidade da Nova Corumbá é ovacionada

Epa Babá, Epa Babá
Na ponta da lança, minha salvação
O Quilombo Mocidade, asas da Liberdade
Onde o Racismo não tem perdão

RESUMO

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A Mocidade da Nova Corumbá impressionou na madrugada desta terça-feira ao apresentar um desfile impecável no carnaval corumbaense. Com 700 componentes, a escola levou para a avenida o enredo sobre Tereza de Benguella, rainha do Quilombo do Piolho, e foi ovacionada pelo público de mais de 20 mil pessoas. A escola, fundada em 1999, destacou-se pela evolução, harmonia e bateria, além da interpretação do cantor carioca Braguinha. O samba-enredo, composto por Vitor Raphael, Shazan e Lucas Morato, conquistou o público, que já a aclamava como campeã. A apuração das notas acontece nesta quarta-feira, às 16h.

Depois     que a Império do Morro, a última campeã, passou avassaladora pela Avenida General Rondon, na noite de segunda-feira, e veio a notícia de que ultrapassou um precioso minuto no seu desfile, a entrada da Mocidade da Nova Corumbá foi algo ainda mais empolgante. A escola de samba entrou na passarela, na madrugada de hoje, cantando seu samba, levantou o público e está com o campeonato nas mãos, merecidamente.

O refrão do samba-enredo (“Mocidade grita forte Salve Tereza, Rainha do Quilombo, A Voz da Liberdade”), composição de Vitor Raphael, Shazan e Lucas Morato, ecoou pelos 700 metros da pista na voz de seus passistas e ritmistas e parte do público (mais de 20 mil pessoas) com gritos de “é campeã!”, é campeã!”. A escola do bairro Nova Corumbá, fundada em 1999, deu um show de evolução, harmonia e bateria, energizando o circuito do samba e fechando o último dia de desfile às 2h20 desta terça.

As falhas da Império, sua principal concorrente, foi como a injeção de ânimo que faltava para impulsionar a escola vermelha, verde e branco na avenida – e ela passou segurando o enredo no refrão e na batida explosiva da bateria, que inovou nas paradas arriscadas sem perder o ritmo. Os 700 componentes cantando letra do samba-enredo que contava a trajetória de Tereza de Benguella, a emblemática figura da escrava rainha do Quilombo do Piolho, que existiu nos confins de Mato Grosso.

“Se não perdeu pontos, como demonstrou em toda a sua evolução impecável, o título já tem dono”, antecipou o radialista Chicão de Barros, que transmitiu o desfile de rua de Corumbá por canal via Youtube, destacando não apenas o impacto da apresentação, mas a perfeição da interpretação na voz do cantor carioca Braguinha, que faz toda a diferença. “O samba-enredo carregou a escola, uma canção métrica fácil de cantar que se agigantou na passarela.”

Candidata ao título, Mocidade da Nova Corumbá é ovacionada
Mocidade apresentou mestre-sala e porta-bandeira mirins. (Foto: Silvio de Andrade)

Apuração das notas - Depois de dois dias de desfile, com a presença das dez escolas hoje em um único grupo, a sorte está lançada. A apuração das notas dos jurados será nesta quarta-feira, a partir das 16h, em um dos camarotes instalados na avenida. No domingo, os destaques nas apresentações foram da A Pesada e da Major Gama, que, segundo prognósticos, estão no páreo pelo campeonato. No entanto, a passagem da Mocidade da Nova Corumbá mudou toda a concepção lógica do desfile.

Havia uma grande expectativa da apresentação da Império do Morro, que entrou na passarela impressionando pela qualidade de suas fantasias e alegorias distribuidas por 18 alas e quatro carros. Mas, faltou mais coração na pista, poucos integrantes cantavam o samba-enredo que abordava os devaneios e mistérios da vida e a imaginação que habita a mente humana. A escola apresentou vazios, teria invertido posição de alas e um minuto de excesso vai lhe custar dois décimos.

Na última noite de desfile ainda passaram pela avenida as escolas Imperatriz Corumbaense, Estação Primeira do Pantanal e Marquês de Sapucaí, com destaque para esta última, cuja apresentação registrou mais um incidente na pista. A estreante baiana Consuelo Clarijo Zapata, 73, sofreu uma queda após tropeçar nas suas vestes. Mas ela se levantou e concluiu o desfile sorridente. “Era meu sonho, estou feliz”, diz ela, boliviana e professora.

Candidata ao título, Mocidade da Nova Corumbá é ovacionada
Intérprete do carioca Braguinha, ex-calouro do Chacrinha, foi um show a parte no desfile da Mocidade.

Carnaval Cultural – A folia pantaneira ainda segue nesta terça-feira com a última programação: o Carnaval Cultural, que é realizado há 20 anos e resgata os antigos festeiros do início do século XX, com muita serpentina, confetes e marchinhas. O desfile começa às 20h e reúne o corso (carros enfeitados), cordões carnavalescos, bonecões, as pastorinhas e os blocos de frevo e dos palhaços. Haverá, ainda, roda de samba no Porto Geral, ao meio-dia.

Muito sol, céu azul de poucas nuvens e uma temperatura agora de 30 graus, que deve prevalecer durante a noite. O primeiro dia do desfile das escolas de samba de Corumbá reserva ao grande público um espetáculo inesquecível (e, ao que tudo indica, sem imprevistos climáticos) na passarela do samba, a partir das 20h.

No ano passado, uma chuva inesperada danificou carros alegóricos e alegorias de algumas escolas e a abertura do desfile acabou sendo adiado e suspensa e sem contagem de pontos. A disputa do título é retomada esse ano sem o critério de decesso. A formação dos grupos A e B deve volta a ser discutida em 2027.

Entram esta noite na Avenida General Rondon, pela ordem, as escolas Vila Mamona, A Pesada, Major Gana, Acadêmicos do Pantanal e Caprichosos de Corumbá. Amanhã, desfilam as outras cinco: Imperatriz Corumbaense, Estação Primeira do Pantanal, Império do Morro, Marquês de Sapucaí e Mocidade da Nova Corumbá.

Candidata ao título, Mocidade da Nova Corumbá é ovacionada
Governador Eduardo Riedel, ao lado do prefeito Gabriel Oliveira e deputado Paulo duarte, assistiu todo o desfile.

Faltou dinheiro - Esse ano as agremiações trabalharam seus enredos nos últimos meses com a liberação de recursos públicos (R$ 900 mil do Governo do Estado e R$ 808 da prefeitura), liberados a partir de novembro de 2025, e tiveram dificuldades com o orçamento apertado.

O presidente da Liesco (Liga Independente das Escolas de Samba de Corumbá), Zezinho Martinez, disse que a verba reduzida (foi solicitado R$ 1,1 milhão) do Estado impactou a montagem das escolas, as quais, segundo ele, “foram salvas” por uma emenda parlamentar de R$ 500 mil, que chegou ainda em 2025.

“Apesar de todas as dificuldades, as escolas estão prontas e, com certeza, faremos um dos melhores desfiles na avenida, comprovando que temos o melhor carnaval do Estado”, garantiu Martinez.

Vila dá o abre-alas – Uma das escolas de samba mais tradicionais de Corumbá, fundada em 1981 e com 14 títulos consecutivos, a Vila Mamona volta à avenida, abrindo o espetáculo, com a promessa de resgate do seu melhor carnaval, depois de passar por dificuldades administrativas nos últimos anos.

Com 650 componentes, 18 alas e quatro carros alegóricos, a escola defenderá o enredo “O sopro sagrado que gera a vida – a mística tupi na criação do mundo”, dentro de sua linha de preservar e promover a cultura afro-brasileira, que tem forte raiz na cidade, onde mais de 60% da população é afro descendente.

Na sequência, desfila A Pesada (1970), transformando a passarela em um universo lúdico da infância com o enredo “Voar é com os passarinhos; sonhar é com A Pesada”. A escola, com 1.000 componentes, 14 alas e três carros alegóricos, contará a história de um personagem adulto que, ao adormecer, revive lembranças da sua infância.

Terceira escola a desfilar, a Major Gama, fundada em 1989 e campeã do carnaval de 2007. Com o enredo “Do invisível ao brilho: um futuro sustentável”, promete sacudir o público com um canto ao planeta e à terra pantaneira. Sua formação terá 600 componentes, três carros alegóricos e 18 alas.

A Acadêmicos do Pantanal, fundada em 2001, se apresentará com um tema às vezes controvertido devido a contravenção, como o jogo do bicho: “embaralhe as cartas, gire a coleta, role os dados, a sorte está lançada”. Terá 600 componentes, quatro carros alegóricos e 16 alas.

Fechando a primeira noite, entra na avenida a Caprichosos de Corumbá (2005) com o enredo “No coração de cada lenda reside uma verdade oculta esperando ser descoberta”, com 700 componentes, 10 alas e quatro carros alegóricos. A escola, que tem como símbolo a onça-pintada, abordará o tema indígena contando uma lenda ancestral.

Desfile cansativo – Na noite de sábado, o desfile de onze blocos oficiais durou mais de seis horas na Avenida General Rondon, com o público dispersando na madrugada devido a longa maratona, onde prevalece a mesmice na apresentação das agremiações: um abre-alas, duas ou três alas e a bateria, com pouca criatividade.

O desfile, encerrado depois das 2h da madrugada deste domingo, foi aberto pelo bloco Afro Samba Reggae. Na sequência, passaram pela avenida: Águia da Vila, Clube dos Sem, Flor de Abacate, Os Intocáveis, Praia Bola e Cerveja. Arthur Marinho, Bola Preta, Oliveira Somos Nós, Nação Zumbi e Vitória Regia.

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