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Diversão

De Cuba à Guatemala, Marinete viu de perto a beleza da América Central

Cineasta campo-grandense conta como foram seus dias de viagem pelos países da região

Por Thailla Torres | 05/01/2026 09:48
De Cuba à Guatemala, Marinete viu de perto a beleza da América Central
Marinete Pinheiro foi de de Cuba à Guatemala em viagem (Foto: Arquivo pessoal)

A América Central não entrou na vida de Marinete Pinheiro por acaso. A cineasta campo-grandense carrega esse mapa afetivo desde 2009, quando estudou na EICTV (Escola Internacional de Cinema e Televisão de Cuba) e passou a conviver com colegas vindos de vários países da região. Foram laços que resistiram ao tempo e, mais de uma década depois, se transformaram em viagem.

RESUMO

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A cineasta campo-grandense Marinete Pinheiro realizou uma jornada pela América Central, revisitando Cuba, onde estudou cinema em 2009, e explorando países como Guatemala, El Salvador, Panamá e Belize. Durante sua passagem por Cuba, além dos reencontros afetivos, produziu material audiovisual sobre cultura alimentar local, que pode resultar em uma coprodução. A viagem, que começou solo e ganhou a companhia de sua prima Leila Pinheiro no Panamá, permitiu experiências marcantes, como o contato com a cultura Maia na Guatemala e as praias do Pacífico em El Salvador. Marinete destaca a receptividade calorosa aos brasileiros e planeja retornar à região para conhecer Nicarágua, Honduras e Costa Rica.

“Desde que conheci muitos centro-americanos na EICTV em Cuba fiquei com muita vontade de conhecer os países deles e principalmente visitá-los e reencontrá-los. Foi lindo, como se nesses 12 anos distantes ainda estivéssemos ali, colegas. O sentido de irmandade fez os anos desaparecerem”, conta.

A volta a Cuba era ponto de partida inevitável. Marinete queria rever a escola, reencontrar pessoas e viver novamente aquele território que marcou sua formação. Escolheu estar no país justamente durante o Festival del Nuevo Cine Latinoamericano, realizado em Havana, e acabou transformando a viagem em algo maior.

“Cuba sempre foi o destino inicial porque eu tinha muita vontade de regressar ao país e principalmente à escola. Queria rever e reviver o lugar”, explica.

Cuba: cinema, reencontros e retorno às origens

De Cuba à Guatemala, Marinete viu de perto a beleza da América Central
Igrejas e a própria rua foram melhores lugares durante viagem (Foto: Arquivo pessoal)

A viagem começou como férias, mas o cinema logo se impôs. Durante a preparação, surgiu a possibilidade de filmar em Cuba ao lado de Éder Cadete e Theo Gomes. A decisão exigiu um processo rigoroso de autorizações, já que o país tem regras específicas para captação de imagens.

“É um país que tem seus trâmites para captar imagens. Drone é proibido, microfone sem fio tem restrições, e é preciso apresentar projeto e conseguir autorização do Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográfica”, detalha.

Com o apoio da produtora cubana Mônica Pita, conhecida por trabalhos em produções importantes, o projeto foi autorizado. A equipe local foi formada com uma diretora de fotografia e um técnico de som cubanos, e o material filmado aborda a relação entre comida, tempero e cultura alimentar no país.

De Cuba à Guatemala, Marinete viu de perto a beleza da América Central
Marinete visitou as pirâmides de Tikal, na Guatemala (Foto: Arquivo pessoal)

“Acabamos filmando um material que agora pode gerar uma coprodução. Esse é um processo comum no audiovisual: você filma algo e depois busca parceiros a partir desse material”, explica Marinete.

Voltar à EICTV, depois de 13 anos, foi um dos momentos mais intensos da viagem. “Eu sou uma pessoa antes e outra depois da escola de cinema. Ela foi revolucionária na minha vida.” Durante a estadia, Marinete participou de atividades acadêmicas, compartilhou sua experiência no mestrado à distância da Fundação do Novo Cinema Latino-Americano e esteve presente nas comemorações de aniversário da escola.

“Foi muito bonito poder voltar como alguém que conseguiu estudar ali e depois voltar para o seu lugar e continuar fazendo cinema. A escola sempre falou sobre isso: aprender cinema e voltar para contar as histórias da sua rua.”

Apesar da crise econômica enfrentada por Cuba hoje, Marinete diz que o país segue sendo um território simbólico. “Cuba está numa crise muito grande, isso foi triste de ver, mas para mim vai ser sempre a Ilha Mágica pelo que eu vivi lá.”

De Cuba à Guatemala, Marinete viu de perto a beleza da América Central
Cineasta aproveitou para observar a vida nos locais por onde passava (Foto: Arquivo pessoal)

 A viagem que virou reencontro de família

Após Cuba, a travessia ganhou uma nova dimensão com a chegada de Leila Pinheiro, prima de sangue de Marinete, no Panamá. As duas não cresceram juntas e tinham se encontrado poucas vezes na vida. A viagem também foi um modo de atravessar o luto: em um intervalo curto de tempo, Marinete perdeu o pai e Leila perdeu a mãe, irmã dela.

“A gente não queria passar o fim de ano em casa por conta dessa ausência. A gente se conheceu há pouco tempo, apesar de ser prima de sangue, e se aventurou nessa viagem. Foi maravilhoso.”

O Panamá foi ponto de encontro e também ponto de reorganização da rota. O plano inicial era seguir de ônibus pela América Central, mas o tempo de deslocamento fez com que as escolhas mudassem ao longo do caminho.

De Cuba à Guatemala, Marinete viu de perto a beleza da América Central
De Cuba à Guatemala, Marinete viu de perto a beleza da América Central
Cineasta campo-grandense se aventurou pela América Central (Foto: Arquivo pessoal)

Rota em movimento: El Salvador, Guatemala, Belize e Panamá

Da Cidade do Panamá, o trecho mais barato de avião levou as duas até El Salvador. Dali, a rota foi sendo redesenhada com base em custo, tempo e desejo. “Nos propusemos a sair livres, ficar os dias que fossem interessantes e encontrar o melhor caminho: custo, tempo, benefício e lugar que queríamos conhecer.”

Na Guatemala, a experiência foi marcante. Marinete se encantou especialmente com a presença viva da cultura Maia. “Amei a relação que Guatemala e El Salvador têm com o povo Maia. Como documentarista, amo essas histórias e a forma como preservam a cultura indígena ancestral.”

A visita às pirâmides de Tikal trouxe também um incômodo: a obrigatoriedade de entrar em grupos grandes. “Entramos com um grupo de 18 pessoas e não podíamos ficar o tempo que queríamos em cada parada. Isso é uma coisa que eu detesto.” Só depois soube que era possível contratar um guia exclusivo. “Claro, um pouco mais caro, mas faríamos o percurso com tranquilidade.”

Os vulcões da Guatemala também deixaram impressão profunda. “A luz do lugar e a energia… sabe quando você respira um lugar com uma força grandiosa da natureza?” Marinete cita o Pacaya, o vulcão de Água e o de Fogo, todos visíveis de uma mesma região, em uma cordilheira com 37 vulcões.

Em El Salvador, o destaque foi as praias do Pacífico.

Belize foi o país que mais gerou tensão, especialmente na imigração. “Foi o lugar mais rigoroso. Ficaram fazendo muitas perguntas. Achamos que o ônibus tinha ido embora sem a gente.” O susto virou alívio quando encontraram o motorista esperando. Apesar da beleza natural, Marinete diz que não voltaria. “Muitos turistas norte-americanos e canadenses.”

De Cuba à Guatemala, Marinete viu de perto a beleza da América Central
Marinete já tinha vivenciado experiências nos lugares há 12 anos (Foto: Arquivo pessoal)

Deslocamentos, custos e segurança

A viagem exigiu múltiplos meios de transporte: ônibus, avião, barco e aplicativos. Alugar carro foi descartado. “Os carros alugados não atravessam fronteiras. E também tinha a questão de segurança na estrada, sendo duas mulheres.”

Sobre custos, Marinete é direta: a viagem pode ser mais acessível do que se imagina. “Tive o privilégio de ter amigos que nos hospedaram, o que reduz muito o custo. Hoje, com sites de busca, dá para baratear. E comer onde os moradores comem é sempre o melhor caminho.”

Em todos os países, a recepção como brasileira foi calorosa. “Eles perguntavam de onde éramos e quando falávamos Brasil abriam um sorriso enorme. Achei muito gostoso ser brasileira ali.”

O olhar da cineasta e o desejo de voltar

Apesar de cineasta, Marinete diz que conseguiu filmar pouco fora de Cuba. “Saí em viagem para desconectar um pouco do trabalho. As imagens que fiz foram de turista mesmo, mas isso vira combustível para minhas produções.”

A viagem despertou novos desejos. “Quero ver mais filmes desses países, me juntar aos meus amigos, estar em alguns ‘pueblitos’ ouvindo histórias ancestrais que no Brasil não tem.”

A América Central, para ela, é diferente, nem mais próxima, nem distante. “Preciso voltar para viver mais isso.” Ainda restam Nicarágua, Honduras e Costa Rica no mapa.

“Agora só faltam três países”, diz, já com a certeza de que a travessia não terminou.