Feira Bosque da Paz celebra aos quatro anos com 510 expositores e fila de espera
Criada para movimentar a cidade, a iniciativa virou fonte de renda e ponto de encontro em Campo Grande

RESUMO
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A Feira do Bosque da Paz celebrou seu quarto aniversário em Campo Grande reunindo 510 expositores e grande público. Criada pela organizadora Carina Zamboni como forma de superar uma depressão, o evento cresceu e hoje conta com três praças de alimentação, dois palcos e fila de espera para novos expositores. A próxima edição acontece em 20 de setembro.
Há quatro anos, a Feira do Bosque da Paz começava a reunir artesanato, gastronomia e música. Neste domingo (16), comemorou o aniversário com 510 expositores, muitos presentes desde a primeira edição.
Para a organizadora, Carina Zamboni, chegar ao quarto ano representa uma sensação de dever cumprido. Ela destaca principalmente a oportunidade de renda para centenas de famílias e a ocupação dos espaços públicos de Campo Grande.
Carina cresceu acompanhando a mãe e a avó em feiras em Curitiba (PR). Anos depois, durante um período difícil, encontrou nesse universo uma forma de recomeçar e decidiu criar o projeto em Campo Grande.
“A feira veio, na verdade, para me curar de uma depressão. Esse sonho hoje virou o sonho de muitas famílias, de muitas pessoas e a gente se orgulha muito disso”, afirma.

O crescimento da Feira do Bosque da Paz surpreendeu até a organizadora. No início, Carina não imaginava que o evento chegaria aos atuais 510 expositores. Ainda há fila de espera, e novos empreendedores são chamados conforme surgem vagas.
Segundo Carina, a estrutura foi planejada para que o público permanecesse no local, e não apenas passasse pelas barracas. Hoje, são três praças de alimentação e dois palcos, com previsão de um terceiro.
“Foi muito estudo. A feira não foi criada do nada. Além de eu ter crescido no meio de feiras, minha mãe também, nós estudamos muito para montar essa feira para que fosse uma feira de fluxo e não de passagem”, explica.
Entre os expositores está Márcia Alves, de 55 anos, presente em todas as edições desde o primeiro domingo. Artesã, ela conta que a feira ajudou a profissionalizar o trabalho, que passou a ser uma segunda fonte de renda e que pretende transformar em sua principal atividade.
Márcia trabalha com produtos religiosos, como terços, canecas personalizadas, ímãs de geladeira e adornos. Com o crescimento do negócio, buscou aprender mais sobre vendas, estoque e comercialização. “Para mim foi muito importante, porque eu estou buscando todos os dias aprender mais”, diz.
Outro empreendedor presente desde o início é Alison Juliano, de 45 anos. Ele trabalha há 13 anos com choripán e conta que a Feira do Bosque da Paz deu novo impulso ao negócio.
Para ele, um dos diferenciais está justamente na proximidade entre quem vende e quem visita. Segundo Alison, o público não vai apenas para comprar, mas também para conhecer a história por trás dos produtos e dos empreendedores.
“O público é diferente aqui. Querem conversar, quer saber de onde surgiu, eles querem conhecer a história do seu negócio”, conta.
Ao longo dos quatro anos, ele também acompanhou a feira ganhar fama além de Campo Grande e se tornar uma referência para quem visita a cidade. Para Alison, o crescimento também está ligado à disposição da organização em ouvir os expositores e incorporar sugestões.
“É emocionante fazer parte disso. A gente cresceu muito com isso também, a nível profissional da empresa”, afirma.
Se para alguns expositores a feira representa quatro anos de trabalho e crescimento, para parte do público ela também se tornou um compromisso mensal.
Aos 76 anos, Mary Radke acompanha a Feira do Bosque da Paz desde a primeira edição. E há um detalhe que resume o tamanho desse vínculo: ela nunca faltou a nenhuma.
Mary diz que se apaixonou pelo espaço logo na primeira visita. A música, a natureza, os expositores e o ambiente fizeram com que a feira se tornasse praticamente o único evento do tipo que frequenta.
“Eu não saio muito. Desde a primeira vez eu me apaixonei por isso aqui. Eu sou apaixonada pela feira”, afirma.
Ao longo dos quatro anos, o vínculo deixou de ser apenas com o evento. Mary criou amizades com integrantes da organização e passou a enxergar o espaço como uma extensão da própria família.
Até uma situação delicada vivida por ela durante uma das edições acabou reforçando esse sentimento. Mary conta que chegou a desmaiar durante a feira e foi atendida pela equipe até a chegada da ambulância.
“Ela largou tudo e ficou comigo até a ambulância me levar. Eu criei amizade com esse pessoal daqui. É como uma família”, lembra. A intenção, agora, é continuar frequentando enquanto puder.
“Enquanto eu estiver podendo andar, eu estou aqui. É maravilhosa essa feira”, diz.
Enquanto Mary já não consegue imaginar o terceiro domingo do mês sem a Feira do Bosque da Paz, a publicitária Ana Júlia Papa, de 22 anos, viveu neste domingo uma experiência completamente diferente: depois de quatro anos de existência da feira, foi à feira pela primeira vez.
Mesmo sem conhecer o evento pessoalmente, Ana Júlia já sabia da fama da feira em Campo Grande. A primeira impressão, no entanto, superou a expectativa.
“É a minha primeira vez. Nunca tinha vindo e estou gostando muito. Tem muitos expositores, muita gente, muito verde, muita natureza e eu gostei muito. Quero voltar mais”, conta.
E a estreia aconteceu justamente na edição comemorativa. Ana Júlia diz que ficou feliz por ter escolhido o aniversário de quatro anos para conhecer o espaço e já planeja voltar acompanhada da família e do namorado.
Ela se interessou principalmente pela gastronomia e pelos expositores de semijoias e ainda brincou que gostaria que a feira acontecesse mais vezes. Para quem não tinha o hábito de frequentar feiras, a primeira visita pode ter sido o começo de uma nova tradição.
Quatro anos depois da primeira edição, histórias como a de Mary e Ana Júlia mostram dois momentos diferentes da mesma feira: de um lado, quem esteve presente desde o começo e ajudou a transformar o evento em tradição; do outro, quem chegou agora e já saiu planejando a próxima visita.
E, para Carina, esse movimento é justamente o que mantém o sonho vivo. A organizadora afirma que o próximo passo é levar a experiência para outras cidades de Mato Grosso do Sul, permitindo que os expositores também vendam em novos lugares.
“A feira não é mais nossa, a feira é de todo mundo. A gente não pode parar, não pode desistir. É melhorar”, resume.
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