Festival aposta em jams e encontros para lembrar que o rock de MS vive
Produtor Patrick Gontier e o baixista Marcos Yallouz, do Bando do Velho Jack, revelaram detalhes das novidades
Com direito a jam session inédita, relançamento da banda Metrô, participação especial de Clemente Nascimento e um after de rock eletrônico para fugir do trânsito na saída, o Araruna Fest quer transformar a segunda edição do festival em uma experiência muito além de um simples show. A proposta, segundo os organizadores, é criar um verdadeiro movimento de fortalecimento da cena rock em Mato Grosso do Sul.
Marcado para o dia 30 de maio, no Bosque Expo, no Shopping Bosque dos Ipês, o festival terá show de Frejat, apresentações do Bando do Velho Jack e da cantora Érica Espíndola, além de participações especiais e encontros inéditos no palco.
Durante participação no podcast do Campo Grande News, o produtor Patrick Gontier e o baixista Marcos Yallouz, do Bando do Velho Jack, revelaram detalhes das novidades do evento e falaram sobre os desafios de manter o rock vivo na cidade.
“Hoje a gente não vende só um show. A gente vende uma experiência”, resumiu Patrick ao explicar o conceito da nova edição do Araruna. Segundo ele, o festival nasceu justamente da vontade de unir grandes nomes nacionais com artistas locais, criando espaço para fortalecer bandas sul-mato-grossenses.
“Não tem como trazer um grande artista e não valorizar quem faz música aqui”, afirmou.
Uma das principais novidades desta edição será justamente uma jam session envolvendo o relançamento da banda Metrô, sucesso dos anos 80. Patrick revelou que a cantora sul-mato-grossense Érica Espíndola assumirá os vocais do grupo em quatro músicas durante o festival.
Além disso, Campo Grande será palco do lançamento de uma música inédita da banda. “Campo Grande, junto com a Érica, vai ser responsável por lançar a nova música do Metrô”, contou.
Outra participação especial confirmada é a de Clemente Nascimento, conhecido pelos trabalhos com Inocentes e Plebe Rude. Ele volta ao festival após o episódio vivido na primeira edição do Araruna, quando precisou ser socorrido às pressas depois de sofrer um rompimento da aorta momentos antes de subir ao palco.
Segundo Patrick, a participação do músico também será uma forma de homenagear a equipe da Santa Casa de Campo Grande, responsável pelo atendimento que salvou a vida do artista.
“Ele chegou na Santa Casa com 10% de chance de sobreviver e um mês e meio depois saiu completamente curado”, relembrou.
Durante o festival, Clemente será o mestre de cerimônias do evento e também participa do projeto “Violões em Fúria”, um pocket show mais intimista com músicas da Plebe Rude e dos Inocentes acompanhado pelos músicos do Bando do Velho Jack.
Para Marcos Yallouz, a participação ao lado do músico tem peso emocional. “É a realização de um sonho”, afirmou.
Fã declarado do movimento punk brasileiro, o baixista contou que cresceu ouvindo bandas como Inocentes, Cólera e Plebe Rude. “Eu ia ao Circo Voador assistir o Clemente tocar. Agora vou dividir o palco com ele”, disse.
Além das novidades no palco, o festival também terá gravação audiovisual dos shows para publicação posterior no YouTube e o lançamento de uma rádio web da 93 Produções voltada ao fortalecimento da música local. “Nós estamos começando a namorar as bandas locais para tocar na rádio”, revelou Patrick.
Segundo ele, o projeto quer ajudar artistas sul-mato-grossenses a ampliar visibilidade em um cenário onde espaços na mídia diminuíram ao longo dos anos.
Marcos concorda. Para o músico, o rock local ainda enfrenta dificuldades para alcançar projeção maior, especialmente pela falta de espaço em rádios e veículos tradicionais.
“A mídia é muito importante para divulgar. A época em que o bando mais cresceu foi quando tocávamos nas rádios”, comentou.
Ele também falou sobre como a pandemia alterou o comportamento do público e mudou a relação das pessoas com os eventos presenciais. “As pessoas ficaram mais caseiras. Hoje elas querem conforto, querem chegar mais cedo, entrar rápido e aproveitar a experiência”, explicou.
Para tentar responder a esse novo comportamento, o Araruna também aposta em um formato mais flexível. O festival terá abertura dos portões às 18h e seguirá até depois da meia-noite com diferentes atrações espalhadas pela programação.
Após o show de Frejat, inclusive, haverá um after de rock eletrônico dentro do próprio espaço do evento. “A ideia é que a pessoa possa ficar mais tempo, curtir e sair sem pegar trânsito”, explicou Patrick.
Durante o podcast, os dois também defenderam a importância de aproximar novas gerações da música e do rock nacional. Patrick chegou a fazer um apelo para que o público leve os filhos ao festival. “Vamos recriar esse movimento. O Araruna é um ambiente familiar”, afirmou.
O produtor acredita que o rock perdeu espaço entre os mais jovens, mas ainda existe público disposto a consumir esse tipo de experiência. “Quantos jovens hoje não gostam de eletrônico nem de sertanejo? Esses caras não escutam rock?”, provocou.
Marcos também falou sobre a importância da música na formação das pessoas e relembrou histórias marcantes vividas ao longo da carreira, como quando o Bando do Velho Jack abriu um show de Cássia Eller durante o projeto Temporadas Populares.
“Ela assistiu nosso show do lado do palco e saiu usando camiseta da banda”, contou.
O músico ainda destacou o orgulho de ter ajudado a levar clássicos regionais para outras partes do país através do rock. “Tem uma geração que conheceu Trem do Pantanal pela nossa versão”, disse.
No fim do podcast, Patrick resumiu o espírito do festival. “O Araruna quer provocar emoção de verdade, não só um show plástico”, afirmou.
O Araruna Fest acontece no dia 30 de maio, no Bosque Expo, no Shopping Bosque dos Ipês. A programação inclui apresentações da School of Rock, Érica Espíndola, Metrô, Violões em Fúria, Bando do Velho Jack, Frejat e after eletrônico com DJ.
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