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Diversão

Gastam uma fortuna, mas garantem que paixão por carro antigo compensa

Terceira edição do Retrocar MS reúne colecionadores, famílias e veículos que carregam inúmeras histórias

Por Amanda Santos | 16/08/2026 07:13
Gastam uma fortuna, mas garantem que paixão por carro antigo compensa
Carros antigos de diferentes décadas são atração no Retrocar MS. (Foto: Amanda Santos)

Quem participa do Retrocar MS na Praça do Papa fica maluco com tanto carro antigo e história para contar. Há carros que valem uma fortuna, mas, para os donos, pouco importa o dinheiro. Tudo ali, para eles, é uma verdadeira relíquia e vale cada centavo.

RESUMO

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A terceira edição do Retrocar MS reúne colecionadores e apaixonados por veículos clássicos neste fim de semana na Praça do Papa, em Campo Grande. O evento exibe modelos como um hot rod Ford 1934, avaliado em R$ 220 mil, e uma GMC 1951 com mecânica de BMW X6 V8. A entrada é gratuita e a programação segue até as 17h deste domingo.

Hoje o encontro é considerado um dos maiores do segmento no Estado e aposta justamente na mistura entre cultura automotiva, memória afetiva e convivência entre diferentes gerações. Entre os veículos expostos está um hot rod Ford 1934, com 91 anos de história. O proprietário Adriano Garcia, de 53 anos, delegado de polícia, conta que o modelo mantém a aparência de um carro antigo, mas recebeu uma série de modificações para ganhar tecnologia e desempenho.

“Ele é um carro 1934, tem 91 anos, mas é todo preparado. Na época ele não tinha muita coisa, então o sistema de carburação já não tem, ele é injeção eletrônica. Tem banco em couro que não tinha, direção hidráulica, volante escamoteável, freio a disco”, explica.

Gastam uma fortuna, mas garantem que paixão por carro antigo compensa
Adriano levou ao Retrocar MS o hot rod 1934 avaliado em cerca de R$ 220 mil. (Foto: Amanda Santos)

A principal diferença, segundo Adriano, está justamente na injeção eletrônica profissional instalada no veículo. É o tipo de customização que transforma um automóvel histórico em uma peça que mistura passado e presente.

E toda essa transformação também tem um preço. Adriano estima que o carro esteja avaliado atualmente em cerca de R$ 220 mil. Em grandes centros, como Curitiba e São Paulo, o valor poderia chegar a cerca de R$ 300 mil.

Para ele, o antigomobilismo também pode ser encarado como investimento. Diferentemente dos carros convencionais, que normalmente perdem valor com o passar dos anos, modelos antigos bem conservados ou restaurados podem se valorizar.

“Isso aqui é um investimento. Quanto você tem um carro, o natural é que cada ano ele vá desvalorizando. O carro antigo, quanto mais antigo ele é, mais o valor agregado aumenta”, comenta.

Gastam uma fortuna, mas garantem que paixão por carro antigo compensa
Crianças ficam curiosas e se aproximam dos carros para conhecer de perto os modelos. (Foto: Amanda Santos)

A paixão de Adriano começou em uma fase em que já pensava na aposentadoria. Depois de comprar dois carros antigos, acabou entrando de vez no universo dos colecionadores. A influência também veio de um sobrinho de 19 anos, apaixonado por Fusca.

Agora, outro sonho começa a ocupar espaço na garagem: uma caminhonete semelhante à F-1000 que ele tinha quando era mais jovem e que acabou sendo levada durante um assalto em 1996.

No Retrocar, histórias como a de Adriano se misturam às de famílias que transformaram os carros antigos em parte da própria rotina.

É o caso do gerente John Gentil, de 38 anos, que participa do grupo Das Antigas Clube, formado por colecionadores de veículos antigos. Entre os modelos que fazem parte do grupo está uma GMC 1951 que, apesar da aparência de mais de sete décadas, esconde uma mecânica completamente diferente.

“Ela só é a casca de uma GMC 1951. Debaixo do capô é uma BMW X6 V8, com câmbio automático. Ela tem a estética de um carro antigo, porém, dentro dela é um carro supermoderno e potente”, explica.

Gastam uma fortuna, mas garantem que paixão por carro antigo compensa
A GMC 1951 customizada chama atenção no Retrocar MS com visual clássico e mecânica moderna de BMW X6 V8. (Foto: Amanda Santos)

A caminhonete também carrega uma história familiar. O veículo pertenceu ao pai de Breno, responsável pela customização. Depois da morte do pai, o filho levou a paixão adiante e terminou o projeto.

“Tem um pouco de sentimento que era do pai. O pai infelizmente faleceu e ele acabou levando essa camionete para a vida dele”, conta John.

A própria paixão de John pelos carros começou ainda na adolescência, aos 13 anos, quando aprendeu a dirigir um Fusca com o tio.

“Ele falou para mim quando eu era molecão: ‘se você conseguir dirigir esse Fusca, esse carro, você dirige qualquer coisa, até um avião’. Aí eu fiquei: ‘pô, que legal, vou aprender a dirigir’. Então, desde os 13 anos tenho essa paixão com carro antigo”, lembra.

Gastam uma fortuna, mas garantem que paixão por carro antigo compensa
No evento também tinham vendas de imitações em miniaturas. (Foto: Amanda Santos)

Hoje, ele coleciona diferentes modelos e diz que um dos grandes atrativos do segmento é justamente a possibilidade de reunir pessoas de idades diferentes em torno da mesma paixão.

“ Aqui é um lugar de respeito, você vê muita criança, muito idoso, família. Eu acho que todo evento que a gente consegue trazer a família, trazer os filhos, as crianças para se divertir e conhecer o antigomobilismo é válido”.

Entre os carros favoritos de John está um Fusca 1964 que nem sequer foi restaurado. O veículo permanece guardado justamente por preservar as características originais.

“Ele é totalmente original, desde a época que foi fabricado, de 1964 até agora. Nunca foi restaurado, nunca foi feito absolutamente nada. É um carro diferenciado. Hoje, a maioria dos carros dessa época já foi reformada, restaurada, e o meu se encontra totalmente original”, explica.

Segundo ele, um modelo desse poderia alcançar valores entre R$ 200 mil e R$ 240 mil, dependendo das condições e do negócio.

Para Junio Antônio, de 54 anos, o antigomobilismo já faz parte da vida há pelo menos três décadas. Autônomo, ele conta que já teve três carros antigos e atualmente está construindo uma Caravan V8.

“Eu curto carro antigo, carro de arrancada, essas coisas tudo”, resume.

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Junio Antonio é apaixonado por carros antigos há cerca de 30 anos e também participa de eventos de arrancada. (Foto: Amanda Santos)

Junio também elogia o tamanho do encontro e a possibilidade de reunir apaixonados pelo segmento. Para ele, eventos como o Retrocar ajudam a manter viva uma paixão que atravessa décadas.

Entre os modelos que mais chamaram sua atenção no encontro está uma Caravan vermelha, que, segundo ele, está entre os carros mais bonitos da edição.

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O evento reune colecionadores, expositores e apaixonados por veículos clássicos. (Foto: Amanda Santos)

No meio de tantos colecionadores adultos, uma das histórias mais curiosas do evento envolve uma menina de 12 anos. Gabi Rincos já sabe qual carro pretende chamar de seu quando crescer: uma Kombi cor-de-rosa que nasceu de uma paixão familiar e acabou se tornando parte da identidade dela.

A professora Adriana Pedroso, de 44 anos, conta que a família sempre teve ligação com Kombis. O avô já tinha uma, depois a mãe também teve e o pai de Gabi sempre foi apaixonado por carros antigos.

A ideia da Kombi rosa surgiu quando Gabi tinha entre sete e oito anos, depois de ver na casa da avó uma mesa feita com um pneu e a fotografia de uma Kombi.

A família encontrou o veículo e começou a personalização. Hoje, a Kombi tem direção elétrica, ar-condicionado, televisão, painel rosa, iluminação personalizada e um interior que pode ser transformado para acomodar viagens.

“É mais para viajar. Nós viajamos com ela e participamos dos eventos de carro antigo”, explica Adriana.

A Kombi também virou uma espécie de celebridade nas estradas. Segundo a família, não é raro alguém parar para fotografar ou filmar o veículo, especialmente depois que a cor rosa ganhou ainda mais destaque com a febre do filme da Barbie.

Gastam uma fortuna, mas garantem que paixão por carro antigo compensa
Kombi rosa de Gabi não está à venda, é somente para exposição. (Foto: Amanda Santos)

Gabi, inclusive, já sabe o que pretende fazer com o carro no futuro. A Kombi deverá continuar com ela, que acompanha os pais nos encontros desde pequena e acabou transformando a paixão por carros em parte da própria identidade.

Quem quiser conferir de perto as relíquias do antigomobilismo ainda pode visitar o Retrocar MS neste domingo (16). O encontro acontece na Praça do Papa, a partir das 8h, com exposição de carros antigos, música, gastronomia e outras atrações. A entrada é gratuita e a programação segue até as 17h.

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Carro verde é atração à parte no Retrocar MS. (Foto: Amanda Santos)


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