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Campo Grande, Segunda-feira, 24 de Setembro de 2018

18/02/2018 08:08

Heitor nasceu ouvindo Ogum e curtiu o desfile de Carnaval aos 28 dias de vida

Thailla Torres
Aline e Heitor no desfile das escolas de samba deste sábado (17), na praça do Papa. (Foto: Saul Schramm)Aline e Heitor no desfile das escolas de samba deste sábado (17), na praça do Papa. (Foto: Saul Schramm)

Heitor Gael tem só 28 dias de vida e já provou ser um folião daqueles. Faça chuva ou sol, acompanhado da mãe, o pequeno curtiu os dois dias de desfile das escolas de samba em Campo Grande, com direito a uniforme. Neste sábado, apesar do tempo chuvoso, lá estava o bebê nos braços de Aline Cantarelli, que apaixonada pela folia e impedida de desfilar, resolveu assistir.

Prevendo a "chuva" de críticas por levar o filho, ainda pequeno, Aline diz que foi preparada. "Primeiro fui até a pediatra me informar se havia algum risco, devido ao som que é altíssimo. Fui autorizada e cuidei muito bem para que tivesse um primeiro Carnaval saudável", conta

Ela conta que fez até um teste com o filho. "Com 12 dias de nascido levei ele no primeiro grito de Carnaval da Vila Carvalho, ele dormiu o tempo todo e não se assustou com o som alto. Quando a bateria parava de tocar, ele acordava e chorava", conta.

Aline faz parte da turma de mulheres que ama e respira o Carnaval, desde a infância. Devido a uma gestação difícil, neste ano, ela foi impedida de desfilar em uma das alas da escola. Mas não desistiu de assistir de camarote o evento. "Esse amor nasceu na barriga da minha mãe, ela foi pular Carnaval grávida de 6 meses, depois me levou para a matinê do clube União dos Sargentos aos 8 meses e foi assim até 1998, quando passei a frequentar o clube no período da noite".

Em 2004, Aline fez o primeiro desfile na escola de samba Cruzeiro e Vila Carvalho. "Até que em 2013, meu primo Allan Catarinelli, fundou a escola de samba Deixa Falar, quando minha mãe também ingressou no desfile", conta. "Não só amo o samba e o Carnaval, como pretendo transmitir isso para o meu filho", acrescenta.

Mas antes de brilhar na avenida como parte do público, Aline enfrentou uma fase difícil. Ela descobriu que estava grávida de gêmeos no ano passado, mas o diagnóstico de febre reumática e a trombofilia, também levou um dos bebês.

Aline precisou lutar muito pela vida de Heitor. "A gravidez foi muito difícil, tive que usar o clexane, que eu as chamo de picadinhas de amor, além de outros remédios.  Não pude dirigir, andar e até ir ao banheiro era perigoso, por conta da dilatação que iniciou aos 4 meses".

Pela vida do bebê e dela, Aline abriu mão da paixão pelo samba. "Tive que me afastar de tudo, do meu samba e do pré-carnaval que é muito esperado por mim e pela minha família. Fiquei triste de não poder participar do desfile, mas radiante por realizar o sonho de ser mãe".

Após 38 semanas de gestação, 3 transfusões de sangue e 52 consultas com, Heitor veio ao mundo no dia 20 de janeiro com direito a trilha sonora carnavalesca. "Nasceu às 19h40 ao som de Ogum de Zeca pagodinho e Jorge Ben Jor. Todo mundo dizia para eu colocar música clássica, mas meu Feijãozinho foi gerado com som de samba enredo".

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