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Diversão

No Mato Grosso do Sul, até capivara pula Carnaval debaixo de calor e sol quente

Esplanada juntou 25 mil foliões, segundo a PM, mas assim como o clima contagiante, as imagens mostram que parecia muito mais

Por Paula Maciulevicius Brasil | 24/02/2020 07:05
Capivara não só posou ao lado de estandarte como saiu em cortejo. "Mascote" do bloco aguentou o calor do primeiro dia de bloco. (Foto: Paulo Francis)
Capivara não só posou ao lado de estandarte como saiu em cortejo. "Mascote" do bloco aguentou o calor do primeiro dia de bloco. (Foto: Paulo Francis)
Luciano é o capivara, apaixonado por Carnaval que se sentiu em Salvador, enquanto a galera estava no Sul.
Luciano é o capivara, apaixonado por Carnaval que se sentiu em Salvador, enquanto a galera estava no Sul.

Os termômetros beiravam os 30 graus na tarde desse domingo, mas para quem estava na Esplanada Ferroviária, a temperatura, debaixo de sol quente regado a suor de folião, parecia 40. Para honrar a fama do Estado de Mato Grosso do Sul, de ter animais atravessando a rua, por exemplo, teve até capivara no bloco que homenageia os bichinhos que são a cara de campo-grande com o ar blasé das pessoas que moram aqui.

Ao lado do estandarte, a capivara marronzinha posava para fotos, dava tachau e imagino eu que sorria também, o que não dava para ver debaixo do figurino. Assinado pelo artista Wilson Mota, a capivara era Luciano Risalden, ator de 26 anos apaixonado pelo Carnaval e que até já está habituado ao habitat sul-mato-grossense. 

"Olha, eu já fui peixinho do Aquário do Pantanal e virou meme. Estou querendo fazer a fauna inteira, falta aí jacaré, sucuri?", brinca. A sensação de calor ele descreve muito bem: "eu estou em Salvador e todo mundo está no Rio Grande do Sul". 

Capivara foi sensação do início do bloco. (Foto: Paulo Francis)
Capivara foi sensação do início do bloco. (Foto: Paulo Francis)
Entre foliões e mini foliões também, durante a matinê. (Foto: Paulo Francis)
Entre foliões e mini foliões também, durante a matinê. (Foto: Paulo Francis)

Quando o Lado B conversou com ele, era a primeira pausa desde a aparição que durou 1h lá fora. Dentro da sede do bloco Capivara Blasé, a companhia de Teatro Urgente e Cia, todos os ventiladores do mundo estavam apontados para Luciano, vulgo capivara. Ele não sabia se daria conta, mas queria muito sair em cortejo. O que aconteceu, logo mais adiante.

"Se eu sambo? Nada. Mas é igual Globeleza, quanto mais mão menos pé", brinca. O feedback vinha através das fotos, isso porque a espuma do figurino colocada para deixar a cabeça da capivara bem presa em Luciano o impedia de ouvir as pessoas.

O primeiro dia de Capivara Blasé juntou 25 mil foliões, segundo estimativa da Polícia Militar. Um número aparentemente menor comparado com o ano anterior e a explicação vinha da "divisão" de público com a realização do Morena Folia por parte da Prefeitura de Campo Grande, o Carnaval de rua na Fernando Corrêa da Costa.

Titular da secretaria de Turismo e Cultura, Melissa Tamaciro explica que o público transita entre as atrações como bloco e Carnaval de rua até mesmo por curiosidade. "E o próprio estilo musical acaba fazendo isso. A ideia era, ainda que eu não entenda como divisão de público, mas era deixar bem claro qual era a identidade de cada evento", ressaltou.

Cortejo saiu 16h30 e durou cerca de 40 minutos saindo da Calógeras. (Foto: Paulo Francis)
Cortejo saiu 16h30 e durou cerca de 40 minutos saindo da Calógeras. (Foto: Paulo Francis)
O que não faltaram foram fotos com o bloco de fundo. (Foto: Paulo Francis)
O que não faltaram foram fotos com o bloco de fundo. (Foto: Paulo Francis)

Este foi o primeiro ano de "dobradinha" do Capivara Blasé e quando o cortejo passou a ser feito no primeiro dia, com saída da Calógeras, seguindo pela Antônio Maria Coelho, 14 de Julho e Dr. Temístocles até a Calógeras novamente.

Fundador e diretor do bloco, Vitor Samudio explica que em vez de realizar o tradicional Enterro dos Ossos, a produção preferiu investir em mais um dia de bloco durante o Carnaval. "Aconteciam coisas desgastantes para a cidade, para todo mundo que faz Carnaval, então tiramos o enterro por questões de produção e colocamos dois dias seguidos", ressalta.

Este ano um dos grandes debates foi em cima do fechamento das ruas. Os blocos que ocupam a Esplanada Ferroviária defendiam um Carnaval aberto, no entanto, por questões de segurança, algumas vias foram fechadas e só entrava folião depois de ser revistado. "Tem segurança revistando no sentido de vistoriar arma branca, garrafas de vidro, caixas térmicas muito grandes para não caracterizar a venda, nossa grande preocupação é a questão dos menores. Às vezes os ambulantes não têm essa consciência de que é proibido", explicou Samudio.

Depois de encontrar o vigilante Edervan Carvalho, de 43 anos, numa cadeira de rodas com pontos e pinos pelas mãos e perna, qual é a desculpa para quem gosta de Carnaval não vir ao bloquinho? "Nenhuma", responde. Ele sofreu um acidente de moto mês passado e, com a previsão de alta só daqui um ano, quis arejar a cabeça e sair de casa. "Gosto de Carnaval e é bom sair um pouco, a gente fica isolado, não é? Só não dá para pular igual Saci, tem que ter calma, porque estou com um monte de pino", descreveu.

Fundador e diretor do bloco, Vitor Samudio explica o porquê da dobradinha neste ano. (Foto: Paulo Francis)
Fundador e diretor do bloco, Vitor Samudio explica o porquê da dobradinha neste ano. (Foto: Paulo Francis)
Edervan, o vigilante que até com pino e pontos foi curtir o Carnaval. (Foto: Paulo Francis)
Edervan, o vigilante que até com pino e pontos foi curtir o Carnaval. (Foto: Paulo Francis)

O cortejo começou pontualmente às 16h30 e seguiu durante 40 minutos. Logo atrás do estandarte vinha o primeiro casal do mundo. Adão e Eva, ou melhor, Augusto da Conceição Gomes, de 31 anos e Raquel, de 34. Comerciária, ela explica que como já participa da festa há 14 anos, tem uma hora que precisa de muita criatividade para a fantasia. "Já fui Meduza, palhacinha, borboleta, arco-íris. Eu tive que rodar bastante Campo Grande para achar as folhas e montar o look, mas é sempre gratificante", comentou. E, pelo menos o que o Lado B pode perceber, eles eram os únicos Adão e Eva do bloco.

"O que significa Carnaval? Para mim é alegria, é tirar o estresse desse povo tão sofrido. A gente já toma tanta lambada no dia a dia que isso é para extravasar".

O desfile também fez enxergar o lado novo da 14 de Julho. Foi o primeiro Carnaval de cortejo pela via revitalizada. "E está super bacana, ficou muito gostoso", diz Denise Chaves, de 41 anos.

Nesta segunda o Bloco Capivara Blasé ocupa mais uma vez a Esplanada, a parti das 14h30 com marchinhas, Chokito, grupo de samba, bateria da Vila Carvalho, DJ Fabio Jara e Bibi Vargas.

Imagem feita na tarde, do alto da Esplanada, mostra a movimentação. (Foto: Vaca Azul)
Imagem feita na tarde, do alto da Esplanada, mostra a movimentação. (Foto: Vaca Azul)
Mais à noite, quando a Polícia estimou o público. (Foto: Vaca Azul)
Mais à noite, quando a Polícia estimou o público. (Foto: Vaca Azul)
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