Sarau volta com música e artesanato na Plataforma Cultural
Com encontros na segunda terça-feira de cada mês, a iniciativa abre espaço para artistas e expositores
Sarauzin do Laricas e Madinha voltou a ocupar espaço na agenda cultural de Campo Grande. A iniciativa, que já fez parte da história da cena independente da cidade, ganhou uma nova fase e agora acontece toda segunda terça-feira do mês. A segunda edição foi realizada nesta terça (11), reunindo artistas de diferentes áreas e uma feira de economia criativa.
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O Sarauzin do Laricas e Madinha retomou suas atividades em Campo Grande, ocorrendo toda segunda terça-feira do mês na Plataforma Cultural, das 17h às 22h. O evento, organizado pelas produtoras Tânia Madinha e Luanna Peralta, reúne apresentações artísticas de música, teatro e dança, além de uma Feira de Economia Criativa com artesanato, brechós e gastronomia. Artistas iniciantes e experientes podem participar mediante inscrição ou no próprio local.
A ideia de retomar o sarau surgiu durante uma conversa entre produtoras culturais que já tinham vivido experiências parecidas no passado.
Tânia Madinha, 68 anos, produtora cultural, conta que já havia organizado o Sarau da Madá há mais de 20 anos, quando decidiu, junto com Luanna Peralta, 40 anos, colocar a ideia novamente em prática.
“Eu olhei pra ela e falei assim, vamos fazer um sarau? Porque como ela já teve um sarau e eu também, aí deu aquele clique”, lembra Tânia.

Segundo ela, a vontade também vem de uma história antiga de abrir espaço para quem queria cantar e se apresentar.
“Eu sempre gostei de dar oportunidade para as pessoas cantarem. Por isso que eu fazia sarau nos bares que eu já tive toda a minha vida”, conta.
Para Luanna, a retomada tem um significado ainda maior. A produtora e gestora cultural acredita que muitos artistas que hoje estão em grandes palcos começaram justamente em espaços menores, onde puderam experimentar, errar, amadurecer e encontrar seu público.
“Pegar um artista pronto é muito fácil. Gosto de dar oportunidade pra que ele venha amadurecer e venha conseguir o seu espaço”, afirma.
E não precisa ser músico para participar. A proposta é receber diferentes formas de expressão artística, como teatro, dança e outras intervenções.
Além das apresentações, o sarau também reúne uma feira de economia criativa. Entre as barracas, há trabalhos artesanais, acessórios, brechós, lanches, comidas e bebidas, em um ambiente aconchegante para todo tipo de público.
“Não é só música, é toda intervenção artística. Teatro, dança, o que as pessoas quiserem chegar e jogar sua arte”, explica Luanna.
Para Maria Dorothea, de 52 anos, psicóloga e artesã, participar das feiras também é uma forma de manter viva a própria história. Ela leva peças produzidas com sementes e penas.
“Eu trago exatamente a minha arte. Sou indígena e trago realmente a minha história. E tudo que eu trago é Terena", fala a artesã.
Maria começou a vender os produtos depois de anos frequentando as feiras culturais da cidade. O que começou como visita acabou virando trabalho e também uma rede de amizades.
“O ambiente é muito bom. As pessoas que organizam, eu falo que é um ambiente muito humanizado, tem muito respeito. Isso é muito legal. E a gente acaba criando muitos amigos", conta Maria.
É justamente essa convivência que a artista Beca Rodrigues, de 27 anos, também considera importante. Para ela, eventos como o sarau criam uma oportunidade de sair da rotina cada vez mais presa às telas e voltar a encontrar pessoas presencialmente.
“Hoje em dia a gente fica muito atrelado ao celular e esquece do contato humano. De trocar uma ideia, de conhecer gente nova, conhecer banda nova, conhecer músicas novas. E os eventos culturais nos dão a oportunidade de fazer isso", afirma.

Beca começou sua carreira se apresentando em eventos como o Sarau, e por isso também vê nesses ambientes uma forma de dar visibilidade aos artistas que produzem na cidade e no Estado.
“Isso traz também visibilidade pro regional, pros artistas regionais e locais da cidade também e do Estado. Não precisa estar começando ou já ser bom, basta querer e ter vontade de se apresentar”, completa.
Ela faz questão de sempre estar presente, seja se apresentando ou apenas prestigiando o evento. O importante, segundo Beca, é não esquecer de onde começou e incentivar quem possa ter os mesmos sonhos.
Quem quiser participar como expositor pode acompanhar as inscrições pelo Instagram do Laricas Cultural. Já os artistas podem se inscrever por formulário ou até chegar ao próprio sarau e conversar com a organização.
A dinâmica é propositalmente aberta. Durante a noite, quem chega pode colocar o nome na lista e dizer o que pretende apresentar.
“De repente, aparece um com violão, outro com pandeiro. É tudo junto e misturado”, conta a organizadora.
Para ela, esse espaço é especialmente importante para quem ainda está começando. Nem sempre quem sobe ao palco já tem segurança ou experiência, e ter gente assistindo faz parte desse processo.
O Sarau do Laricas acontece toda segunda terça-feira do mês, das 17h às 22h, na Plataforma Cultural. A programação mistura música, intervenções artísticas, feira, comida e, principalmente, gente.

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