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Diversão

Titãs levam fãs de volta à adolescência em noite de clássicos

Clássicos como “Bichos Escrotos” e “Polícia” fizeram o público relembrar sucessos da banda em Campo Grande

Por Amanda Ferreira | 30/08/2026 07:46
Titãs levam fãs de volta à adolescência em noite de clássicos
A banda já fez diversas passagens pelo Estado, sendo a última no Festival de Bonito de 2025 (Foto: Juliano Almeida)

Muito preto, fãs na grade desde cedo e uma ansiedade alimentada por clássicos que atravessam gerações. Antes mesmo de os Titãs subirem ao palco, na noite deste sábado (29), o público já dava o tom do que viria pela frente em Campo Grande. Teve mãe dividindo a paixão pela banda com a filha, fã realizando o sonho de vê-los ao vivo e muita gente pronta para voltar à adolescência ao som de um dos nomes mais importantes do rock nacional.

Os primeiros fãs chegaram cedo, e não eram apenas camisetas dos Titãs que marcavam presença. A gangue de preto já estava a postos, ocupando seu espaço e garantindo um lugar privilegiado na grade. Afinal, para quem não conseguiu uma das mesas de frente para o palco ou um lugar no camarote, a disputa pelo melhor ponto da pista começou cedo.

 Show de abertura - Por volta das 20h30, foi a vez da Metrôvox subir ao palco e dar início à programação musical da noite. A banda abriu o show enfrentando problemas técnicos, microfonia e principalmente com o retorno de voz da vocalista, que chegou a reclamar durante a apresentação sobre as falhas no som. Logo no início, a vocalista fez questão de soltar um “Boa noite, Mato Grosso do Sul, não é Mato Grosso!”, sem confundir os estados, detalhe que arrancou a reação do público.

Titãs levam fãs de volta à adolescência em noite de clássicos
Show de abertura contou com problemas de microfonia e falhas no som (Foto: Juliano Almeida)

No repertório, a Metrôvox passeou por músicas próprias e versões que já fazem parte da memória afetiva do público. Entre os destaques esteve o hit “Beat Acelerado”. A banda também trouxe covers, incluindo “Fixação”, do Kid Abelha.

Durante a exibição do show do Metrovox, o telão apresentou problemas de saturação e pixelização, além de travamentos durante a exibição dos patrocinadores. O show foi finalizado, às 10h03, com “Balanço das horas”, quando a vocalista convidou o público das mesas a se levantar, mas poucas pessoas se juntaram a ela.

 Os Titãs - Depois de quase meia hora de espera e de muita playlist para segurar a ansiedade, eles finalmente pisaram no palco. A formação dos Titãs, com Sérgio Britto, Branco Mello e Tony Bellotto, subiu ao palco. Por volta das 22h45, os primeiros acordes de “Cabeça de Dinossauro” fizeram o Bosque Expo virar outro lugar. A energia tomou conta do espaço.

Titãs levam fãs de volta à adolescência em noite de clássicos
Sérgio Britto comandou os vocais e os teclados dos Titãs durante a apresentação em Campo Grande (Juliano Almeida)

Nas mesas, muita gente não conseguiu ficar sentada e levantou para cantar, dançar e curtir cada riff. O rock’n’roll estava oficialmente instalado. Um dos momentos mais marcantes veio com “Cabeça de Dinossauro”. Antes da música, a narrativa sobre a censura sofrida pela canção durante a ditadura ganhou força com a exibição do documento que registra o episódio. A presença de palco de todos os integrantes se manteve firme do primeiro ao último minuto.

Branco, inclusive, protagonizou uma dança durante o solo de bateria, mostrando que a energia estava longe de acabar. Na sequência, vieram outros hits, como “Quem Quer”, “Bichos Escrotos” e “Polícia”, mantendo o público em alta.

O show seguiu com a mesma intensidade até desacelerar com “Enquanto Houver Sol” e "Epitáfio", ocasião em que Sérgio pediu ao público que acendesse as luzes dos celulares. Mas a calmaria durou pouco: logo os solos de guitarra voltaram a tomar conta da apresentação. Embora os integrantes tenham conversado pouco com a plateia, a energia do espetáculo se manteve do início ao fim.

Titãs levam fãs de volta à adolescência em noite de clássicos
Tony Bellotto durante a apresentação dos Titãs, em uma noite marcada por clássicos do rock nacional (Foto: Juliano Almeida)

 A interação ficou principalmente por conta do “Boa noite, Campo Grande!”, de Tony. Com luzes fortes e um telão ainda com visual pixelado, a apresentação apostou na força das músicas e na presença de palco para conduzir a noite, mantendo o público animado até os últimos acordes.

Fãs - Entre o público, a médica veterinária Bárbara Bastos, de 42 anos, e a filha Isadora Bastos, de 13, aguardavam com expectativa o primeiro show dos Titãs que assistiriam juntas. Fã da banda desde a adolescência, Bárbara contou que a paixão pela música nasceu dentro de casa. “A gente vai apresentando para os nossos filhos os nossos gostos musicais”, disse.

Titãs levam fãs de volta à adolescência em noite de clássicos
Mãe e filha, Bárbara e Isadora dividiram o mesmo espaço na grade e a mesma paixão pelos Titãs (Foto: Juliano Almeida)

No entanto, foi Isadora quem reforçou o vínculo com o grupo com o álbum “Homem-Primata”. “Depois dela, eu estava escutando praticamente todas as músicas deles todos os dias”, relatou a jovem. Animadas para ouvir sucessos como “Homem-Primata”, mãe e filha destacaram o significado da banda em suas vidas. “É a trilha da minha vida, da minha adolescência até hoje, passando para as próximas gerações”, resumiu Bárbara.

Para a contadora Angélica Romero, de 42 anos, assistir aos Titãs é também reviver uma história que começou na adolescência. Ela chegou ao local por volta das 17h30, animada para reencontrar a banda que já havia visto em Campo Grande, em 2022. “Foi muito legal. Agora estou com uma expectativa bem boa e quero escutar ‘Família’”, contou.

Titãs levam fãs de volta à adolescência em noite de clássicos
A contadora Angélica Romero acompanhou o show dos Titãs pela terceira vez, revivendo no palco uma paixão que começou ainda na adolescência (Foto: Juliano Almeida)

A relação com o grupo, porém, vem de muito antes. Aos 14 anos, quando morava em São Paulo (SP), Angélica queria assistir a um show gratuito dos Titãs no Vale do Anhangabaú, mas acabou ficando de castigo. “Eu e meu irmão ficamos de castigo para não poder ir. Por isso, ‘Família’ é uma música que representa aquela época para mim”, relembrou. Esta foi a terceira vez que ela acompanhou a banda ao vivo.

Moradora de Dourados, a professora Priscila Potti, de 42 anos, veio a Campo Grande para realizar um sonho: assistir aos Titãs ao vivo. Fã desde os 12 ou 13 anos, ela cresceu ouvindo o clássico “Cabeça Dinossauro”, disco que marcou sua adolescência e juventude.

É um clássico do rock nacional, um disco que não pode ser esquecido e tem que ser lembrado sempre”, destacou. Para a noite, a expectativa era ouvir “Polícia”, “Bichos Escrotos” e “Pulso”. “É uma honra poder ver esse show hoje, pessoalmente. É um sonho realizado”.


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