Enquanto Capital pena por famílias, Bel já tem 36 “filhos” estrangeiros
Em Nioaque, voluntária da ASF acolhe estudantes e mantém vínculo com eles após os intercâmbios
Enquanto a Capital pena para encontrar famílias, Izabel Ferreira Macedo, conhecida como Bel, já é mãe de 36 intercambistas em Nioaque. Com pouco mais de 3,9 mil km² e 13.220 habitantes, conforme o Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2022, a cidade já acumula 108 intercambistas recebidos.
RESUMO
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Izabel Ferreira Macedo, moradora de Nioaque, cidade com 13.220 habitantes no Mato Grosso do Sul, já acolheu 36 intercambistas em sua casa desde 2008, quando recebeu a primeira estudante, da Bélgica. Voluntária da ASF, ela lidera o comitê local, que já recebeu 108 estrangeiros e é o que mais acolhe estudantes no Brasil, superando até Campo Grande. Neste ano, nove jovens já passaram pelo município, com mais dois previstos até dezembro.
Funcionária do Ministério da Saúde no município, Izabel conta que quem encontrou a associação da qual ela é voluntária foi a filha. Segundo ela, o pedido da menina era simples: ter um irmão para compartilhar a rotina.
Inicialmente, a intenção da servidora pública era ser apenas uma família acolhedora. “A antiga presidente do comitê Campo Grande entrou em contato comigo e falou que, para eu receber, precisava ser voluntária e arrumar mais voluntários e mais famílias hospedeiras. Para eu receber, eu tinha que fazer uma representação aqui em Nioaque de lá do comitê Campo Grande”, explica.
Foi em 2008 que a primeira filha de intercâmbio de Izabel chegou. A menina era da Bélgica e, junto dela, vieram estudantes da Dinamarca, Bélgica, Tailândia, Alemanha e Itália. “O comitê Nioaque coloca todo ano e eu recebo de um a dois estudantes na minha casa todo ano. Eu tenho 36 filhos de estrangeiros de todos os continentes”, conta.

Desde que foi criado, o comitê de Nioaque já recebeu 108 estrangeiros durante os intercâmbios. Neste ano, 9 estudantes já passaram pelo município e o comitê espera receber mais 2 até o fim do ano. Um deles é da Dinamarca e está inscrito em um trabalho voluntário em uma aldeia; a outra é uma professora argentina.
Os estudantes são divididos entre famílias que ficam em Nioaque, Dois Irmãos do Buriti, Aquidauana, Nova Andradina e Jardim. “Na minha casa eu estou com dois estudantes, um menino de 15 anos da Nova Zelândia e outro de 17 anos de Turim, da Itália.”
A diferença de idioma não foi um grande desafio para Izabel. “Eu falo espanhol e inglês, mas não fluente. E quando eles fazem o processo, eles começam a aprender a língua para onde eles vão, que é o português. O meu filho da Nova Zelândia chegou há nove dias e fala muito bem o português.”
Entre os países que, segundo ela, apresentam maiores diferenças culturais, Izabel cita Tailândia, Japão e Groenlândia. “A diferença que eu senti é que eles são mais fechados, eles não são carinhosos como os brasileiros. Mas aqui na minha casa eles aprendem a ser carinhosos e me chamam até de mãe e voltam de férias. Todo ano eu tenho um filho aqui em casa.”
Confira a galeria de imagens:
A conexão entre os intercambistas continua forte mesmo depois da partida. Nesta quarta-feira (26), por exemplo, Izabel acordou recebendo felicitações de aniversário dos filhos espalhados pelo mundo. “Quando foi 5h da manhã, meu celular já começou com todos os filhos de todos os países.”
Além de “ganhar de lavada” de Campo Grande, Izabel conta que Nioaque também é o comitê que mais recebe estudantes no Brasil. Questionada sobre o motivo, ela associa o feito ao acolhimento encontrado na cidade.
“Eles amam Nioaque. O que eles gostam de Nioaque é o calor do povo, o calor humano. Estou com um colombiano que chegou em uma sexta, quando a cidade é um deserto. Ele achou que não ia conseguir passar um ano em Nioaque. Falei para ele dar uma chance e, uma semana depois, ele passou a adorar a cidade”, relata.
Apesar de dizer que já pensou em não receber mais estudantes em casa, Izabel conta que, no fim, não resiste e acaba acolhendo mais um filho. “Vai ficando estudantes nos comitês que não conseguem famílias e eu fico com dó. O italiano que está aqui ficou como família provisória, mas a gente acaba se apegando e eu não tenho mais coragem de arrumar outra família para ele, só se ele não quiser mais ficar na minha casa”, diz.

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