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Campo Grande, Segunda-feira, 22 de Outubro de 2018

09/08/2018 08:02

Depois de 1 ano de muito rabisco, casa de Ana está há 2 meses com paredes limpas

Pais liberaram a menina para criar pelas paredes da casa e o processo até tudo voltar ao normal é uma lição sobre o que é realmente importante

Thailla Torres
Ana desenhou nas paredes pela primeira vez com 1 ano e 5 meses. (Foto: Arquivo Pessoal)Ana desenhou nas paredes pela primeira vez com 1 ano e 5 meses. (Foto: Arquivo Pessoal)

É muito comum ver adulto tentar reprimir qualquer comportamento diferente de uma criança, principalmente, quando isso altera a rotina da família ou pesa no bolso. Mas na casa da pequena Ana Tereza, hoje com 2 anos e meio, foi diferente. Há um ano, ela descobriu o poder que tinha com um lápis em mãos, rabiscando as paredes. Os pais apostaram na gentileza e acolheram os desejos da filha, como chance dela sentir que também faz parte da casa e eles entenderem que uma simples pintura faz parte de uma fase natural da infância.

A psicóloga Rocio Fabiane e médico Marcell Marques, ambos de 32 anos, afirmam que estão sempre alinhados nas medidas educativas da menina. E isso os ajudou a entender que rabiscos não eram o fim do mundo. "Não houve punição porque não encaramos seus desenhos na parede como um mau comportamento, mas como uma expressão de seu mundo, que está absolutamente normal com seu desenvolvimento. Todas as crianças do mundo, nesta fase irá uma hora ou outra rabiscar a parede, são suas primeiras marcas neste mundo".

O chão também ganhou cores diferentes. (Foto: Arquivo Pessoal)O chão também ganhou cores diferentes. (Foto: Arquivo Pessoal)

Rocio entende que em cada lar, a família se organiza diferente, mas segundo a mãe, "a casa também é dela, este espaço que habitamos e o qual ela conhece tão bem, também lhe pertence".

E nada disso é motivo de desespero, mesmo que o desejo seja ver as paredes limpas, como mãe e psicóloga, Rocio explica que é necessário compreender cada passo da infância. Por isso, encontraram mecanismos de mostrar à Ana lugares adequados para uma pintura. "Todas as vezes que começava a rabiscar, gentilmente oferecíamos uma cartolina em branco para os desenhos, a orientávamos de forma gente que eles devem ser feitos no papel" 

Com o passar do tempo os desenhos tornaram-se mais simbólicos e elaborados. Não demorou tanto tempo e ela parou de escolher as paredes. "Neste momento ela escolhe folhas de sulfite, cartolinas, ela desde muito pequena tem interesse por tintas, lápis e giz de cera".

Durante um ano de paredes pintadas, ela e o marido também precisaram lidar com olhares diferentes ao comportamento da filha. "Aos amigos que chegavam sempre questionavam as paredes, explicamos que trata-se de uma casa com crianças, então neste lar, haverá também nas paredes sua presença".

Certamente, Ana vai lembrar com carinho cada momento de pintura da infância. (Foto: Arquivo Pessoal)Certamente, Ana vai lembrar com carinho cada momento de pintura da infância. (Foto: Arquivo Pessoal)

Rocio admite que chegar a esse entendimento não é fácil, principalmente quando se está acostumado a uma vida de casal e a uma vida de adultos onde as paredes eram limpas e as decorações de vidro ao alcance de qualquer um. "Mas a partir do momento que temos filhos, a casa também se modifica, é compreensível que tenhamos dificuldades com as mudanças que as crianças impõem, erguer objetos, tentar manter as paredes limpas, como somos frutos de uma educação violenta e repressora com as crianças, podemos encarar como um mau comportamento, no entanto é possível realizar um processo educativo com gentileza e empatia".

Há dois meses as paredes estão limpas, não houve mais desenhos e neste momento Ana prefere papéis em branco. Mas caso queira olhar para a parede novamente, pai e mãe já têm alternativa. "Uma parede do seu quarto será destinada para isso. Não iremos incentivar, nem proibir, se for algo natural de seu interesse uma parte de seu quarto estará disponível", explica a mãe.



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