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Escrever é desnudar-se e nem sempre ficar sem roupa agrada a todos

Por Liziane Berrocal | 23/11/2015 06:56
Escrever é desnudar-se e nem sempre ficar sem roupa agrada a todos

Escrever á um desnudar-se. É tirar a roupa de si e mostrar-se aos outros. Há quase um ano faço isso aqui no Lado B com o #VaiGordinha e lá se vão algumas semanas ficando nua diante dos leitores. Nem todos gostam do que vêem, alguns dizem que isso satura, e eu mesma já me perguntei, se realmente não era a hora de parar.

Até que me lembrei que comecei a compilar as mensagens que recebo diariamente das pessoas que me seguem e que são meus leitores. A maioria é de mulheres. Muitas delas, nem tem problema com ser gorda, mas sim com a auto-estima, a tão famosa que persegue em especial mulheres.

Comecei a me desnudar por aqui, quando resolvi me submeter a cirurgia bariátrica. Eu sou uma “escrivinhadora” de palavras desde que me entendo por gente, e também desde então sempre fui envolvida em polêmicas. Escrever para mim, é concretizar os sentimentos no papel, e saber que posso atingir alguém que lá em algum lugar pode se sentir representada por minhas palavras.

E eu tenho por costume, guardar para mim todas as mensagens que eu recebo das pessoas quando publico algo e em especial algumas mexeram comigo. Como quando uma mocinha, jornalista em formação, linda, magra e daquelas aparências “padrão” me mandou uma mensagem dizendo que os meus “escrivinhamentos” de alguma forma a ajudava a se aceitar. Porque sempre foi a mais magra da turma, e com isso ficou muito complexada. E então, ela se colocou no meu lugar e começou a ver que sim, não tinha nenhum problema com ela, estava tudo certo, o problema estava na auto-aceitação.

Ou do dia, que a mulher linda, desesperada, foi vítima de bulliyng na internet e me procurou. Conversamos longamente durante horas, no vai e vem do meu trabalho e é tão bom ver que hoje ela está melhor.

Essa semana, três mensagens em especial me chamaram a atenção, quando recebi a de uma moça, que me escreveu assim.

“Olá Liziane. Meu nome é fulana de tal e queria te agradecer por duas coisas... Além das cutículas políticas. Eu tenho uma amiga muito, mas muito gorda e lendo seus relatos ela decidiu pela sua saúde a fazer a bariátrica. Tenho outra amiga q com 100 kg também fez bariatrica porque "reeducação alimentar não é pra mim". Bom, não sei se posso dizer q mantivemos amizade. Muito obrigada a ajudar minha amiga super-obesa a se tratar, a cuidar da sua saúde. Bom, aí lendo seus relatos e o "vai gordinha" descobri q você sofre/sofreu de depressão. E eu também... Inclusive estou tentando terminar essa mensagem antes do meu remédio pra capotar fazer efeito.. . Rs.. E com isso descobri q eu não levava meu tratamento a sério... Além de ter tentado ceifar minha existência. E acho q abri os olhos e o coração. Recomecei meu tratamento e quero te agradecer por isso. Por inspirar. Adoro seus pintadinhos e acho eles uns sorvetinhos de flocos. Fica com Deus”.

Então, isso me fez eu sentir que sim, estou no caminho, que desnudar-se vale a pena. Que às vezes abrir mão da própria privacidade e aturar críticas muitas vezes descabidas vale à pena, quando você percebe que suas palavras podem ajudar ao próximo.

Hoje, eu me sinto mais forte e sim, bem mais feliz por estar escrevendo sobre os passos que dia a dia caminho para uma nova vida. Emagrecer quase 70 quilos, não é nada fácil, não é nada tranqüilo e apesar de ter seu lado prazeroso, com certeza é algo que é um morrer diariamente, e fica tudo mais fácil ao dividir isso com vocês.

Escrever é um desnudar-se como eu disse no começo, mas além de tudo é um dividir. Dividir alegria, dividir medos, dividir fardos e tornar a vida mais leve. E isso é o que me motiva continuar escrevendo o vai gordinha. E vai ter #VaiGordinha e se reclamar vai ter #DuasVaiGordinha

Beijos de luz!

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