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Campo Grande, Sexta-feira, 18 de Outubro de 2019

03/05/2018 06:05

Kamila conseguiu economizar 50% do salário durante 2 anos para conhecer o mundo

Com disciplina, a analista de sistemas ainda conseguiu juntar dinheiro para comprar uma casa para a mãe antes de pegar a estrada

Thailla Torres
Um dos retratos na Patagônia, Argentina. (Foto: Arquivo Pessoal)Um dos retratos na Patagônia, Argentina. (Foto: Arquivo Pessoal)

Há dois meses, Kamila Queiroz, de 29 anos, deixou Mato Grosso do Sul por uma jornada que ainda tem muita história pela frente. Analista de sistemas, ela fez o que muita gente pena para dar conta. Economizou metade do salário durante dois anos com um foco: viajar pelo mundo.

Sem carro e longe de gastar com passagem aérea, ela apostou nas caronas e transportes coletivos mais econômicos. Também abriu mão de hotéis e moradia fixa. Caminha com sua "casa" dentro de uma mochila que pesa aproximadamente 12 quilos, mais leve do que no início da aventura. Pelo caminho, resolveu doar alguns pertences, resultado de lições que já aprendeu. "Tenho só o necessário, a estrada ensina muito sobre a paciência e o minimalismo", diz Kamila.

Um dos objetivos ao iniciar o percurso era mostrar que é possível viajar sem gastar muito. E ela tem conseguido, consome em média apenas R$ 60 por dia. "Mas pretendo diminuir para R$ 50,00", afirma. Com o que leva na mochila, passou por algumas cidade do Brasil e dezenas da Argentina e Chile. "A ideia é fazer toda a América Latina e depois viajar até o Alaska".

Porta da casa de Kamila que ela leva na mochila. (Foto: Arquivo Pessoal)Porta da casa de Kamila que ela leva na mochila. (Foto: Arquivo Pessoal)

Foco no orçamento - Kamila passou dois anos guardando 50% de todo salário. Mas para isso foi preciso mudar alguns hábitos. "Não comprava nada. Passei dois sem comprar roupas e objetos novos. Vendi tudo o que tinha de roupas, sapatos e acessórios sem uso. Guardei apenas alguns casacos e peças na casa de um amigo. O dinheiro era apenas para me alimentar e pagar as despesas. Virei minimalista", explica.

Com o dinheiro economizado, além de custear o roteiro, ela investiu em um seguro viagem para estar protegida em caso de necessidade. Depois disso, pegou a estrada no mês de março.

Se aventurar não é fácil, mas as surpresas do caminho são recompensas para a viajante. "Na rotina fico onde sinto. Viajo de carona, conheço pessoas, faço couchsurfing (movimento onde os participantes compartilharam suas seus sofás sem cobrar nada) ou fico em camping selvagem".

Na hora de dormir, o aconchego está na barraca pequena que leva nas costas. "Tem duas entradas, uma porta que se faz janela, um quarto closet de roupa que às vezes vira cozinha americana. Sim, sempre pode chegar visitas para o jantar. E na varandinha cabe as tralhinhas, o sapato sujo do dia longo de caminhada e as louças sujas na noite tardia".

Para ela o maior conforto é ao olhar o céu. "Às vezes ela fica fria, outras quente, só para dar boas vindas para a lua. Mas sempre, sempre escuto o vento de forma diferente e vejo o sol chegando devagarinho", descreve.

Alguns dos companheiros encontrados pelas ruas de uma cidade da Argentina. (Foto: Arquivo Pessoal)Alguns dos companheiros encontrados pelas ruas de uma cidade da Argentina. (Foto: Arquivo Pessoal)

Sonho compartilhado - Para desconstruir a ideia de que viajar sozinha é caro e difícil, Kamila criou a página SOS Mochileiras com dicas e relatos sobre a sua jornada. As fotografias mostram o encanto de cada local visitado pela campo-grandense.

"Sempre fui muito questionadora do porque eu via as pessoas se conformando e limitando as possibilidades de alcançar algo melhor pra si. Tenho 29 anos, fiz tudo como a sociedade quis, estudei, formei, pós graduei, comprei um carro, casei e descasei, comprei uma casa e esse ano me desfiz de tudo para me desconstruir e também o conceito que é precisa muito dinheiro para viajar".

Kamila sempre teve uma vida simples e morou durante anos no Vida Nova, região norte de Campo Grande. Um dos sonhos era presentear a mãe e a avó com uma casa, por isso, começou trabalhar aos 12 anos e batalhou muito para presentear quem mais ama. "Fiquei oito anos economizando até comprar a casa para a minha mãe. Desde nova aprendi a economizar. Se eu ganhava R$ 100,00, guardava R$ 40,00", lembra.

Por isso, para quem resolve encarar uma aventura, Kamila deixa claro que é preciso paciência e entender que só o necessário basta.

Quem quiser acompanhar a jornada e saber dicas de como viajar o mundo com pouco, basta seguir Kamila pela página SOS Mochileiras.

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