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Campo Grande, Quarta-feira, 17 de Julho de 2019

21/06/2019 08:10

Na luta contra o câncer, Ana aprendeu a costurar em um dia para doar toucas

Objetivo de Ana é costurar cerca de 200 toucas por mês para ajudar outras mulheres que enfrentam a doença.

Thailla Torres
Ana costura cerca de 50 toucas por semana. Todas serão doadas para mulheres com câncer. (Foto: Thailla Torres)Ana costura cerca de 50 toucas por semana. Todas serão doadas para mulheres com câncer. (Foto: Thailla Torres)

Ana Cláudia Vieira Silveira Lopes tem 40 anos e um histórico de câncer de mama nos últimos seis meses. Em novembro de 2018, faltando poucos dias para as festas de fim de ano, o diagnóstico veio na mama direita. O medo chegou, a vontade de chorar também e hoje se dedicar a doação é o maior dos alentos. Por isso, ela aprendeu a costurar em apenas um dia para fazer lenços, toucas e turbantes e ajudar centenas de mulheres que estão na mesma luta.

Depois de ouvir inúmeras histórias de pessoas com câncer, a empresária passou para o outro lado. Se tornou paciente depois que percebeu um pequeno “carocinho” na mama. À princípio, Ana pensou que pudesse ser alguma “coisa” muscular já que estava se esforçando na academia. Três meses depois, o caroço tomou proporções maiores e ela solicitou exames aos médicos. Na mesma semana, ela foi diagnosticada: câncer de mama.

“Imediatamente eu me senti como se estivesse recebendo uma sentença de morte. Não há como negar. Na hora que você ouve que está com câncer, você não consegue se lembrar de ninguém que sobreviveu, só de quem morreu ou sofreu durante o tratamento”, lembra.

De diversos modelos, toucas agora fazem parte da rotina e ajudam Ana na recuperação da auto-estima.  (Foto: Thailla Torres)De diversos modelos, toucas agora fazem parte da rotina e ajudam Ana na recuperação da auto-estima. (Foto: Thailla Torres)

Mas na prática, Ana procurou ser forte. Como o diagnóstico foi bem no fim do ano, boa parte dos médicos estavam de férias e o próprio especialista indicou começar o tratamento com dose extra de felicidade. “Ele me pediu para aproveitar o meu fim de ano, curtir com a minha família, sorrir, para começar o meu tratamento em alto astral. Isso me parecia muito difícil, mas decidi encarar”.

Ela que deu a notícia aos familiares e também a informação que precisava retirar totalmente a mama direita no início do tratamento. “Essa notícia foi um choque. Mas eu estava tranquila porque sabia que era necessário. Não chorei por isso. Curti meu fim de ano, aproveitei minha família, fiz a cirurgia em janeiro e me recuperei da forma que eu esperava”.

Os efeitos colaterais vieram mesmo com a quimioterapia, iniciada pouco tempo depois da cirurgia. Ana se dizia preparada para qualquer reação, mas confessa que a vida mudou quando se viu sem os cabelos, efeito colateral eminente da quimioterapia. “Eu tentei fazer uma técnica com água gelada, a mesma divulgada por Ana Furtado, para evitar quedas dos cabelos por causa das sessões de quimioterapia. Mas na minha segunda sessão, quando fui lavar o cabelo, ele caiu inteiro. Eu estava sozinha em casa, fui para o espelho e chorei, chorei muito”.

Embora a vaidade fosse menor que a vontade de ficar bem, Ana sempre amou os cabelos. Por isso, se ver no espelho sem eles foi o pontapé para recomeçar para se sentir bem e feliz em frente ao espelho. “Foi quando eu me descobri usando os lenços. Eu achava que nunca ia ter coragem de colocar um lenço na cabeça, mas vi neles uma série de possibilidades”.

Os modelinhos são costurados em malhas.  (Foto: Thailla Torres)Os modelinhos são costurados em malhas. (Foto: Thailla Torres)
Tecidos são arrecadados e transformados em toucas. (Foto: Thailla Torres)Tecidos são arrecadados e transformados em toucas. (Foto: Thailla Torres)

Coloridos, estampados ou de texturas diferentes. Ana tem uma coleção de lenços, toucas e turbantes em casa. Ao ver que combinar o lenço com a maquiagem e a roupa fazia toda diferença no seu dia, ela decidiu ajudar outras mulheres. “Foi quando eu resolvi fazer toucas para doar. Não queria vender, queria produzir em grande escala para ajudar o maior número de pessoas possíveis”.

Sem saber costurar, ela comprou uma máquina de costura e em apenas um dia aprender transformar os pedaços de tecidos em toucas. “Foi tudo muito rápido. Eu não tive nenhum receio de aprender a costurar, apenas muita vontade. Sentei nesse banquinho e passei a produzir. Minha avó me auxilia com o acabamento”.

A produção varia de 40 a 50 toucas e turbantes por semana. O objetivo é doar pelo menos 200 por mês, mas para isso é preciso tecidos. “Estou arrecadando doações de malhas, a malha é preferível porque esquenta menos e nos dias mais calorentos, nós mulheres também suamos muito na careca”.

O acessório também trouxe outro sentido à careca de Ana. “Antes eu não gostava de mostrar. Hoje, com alguns modelos eu uso e não me sinto mal em mostrar. Faz parte de mim. Quero meu cabelo de volta? É claro que sim, mas a careca é parte da minha transformação e da minha mudança como pessoa”.

A fé na vida é maior do que tudo e Ana não tem dúvidas de que dado passo que tem dado é com destino a cura. “Já terminei a quimioterapia, agora serão diversas sessões de radioterapia, depois mais cinco anos de medicação e acompanhamento. Mas não tenho dúvidas que vou me curar. Embora muitas pessoas já tenham sofrido com a doença, temos um número gigantesco de pessoas que se recuperaram e é nesses números positivos que temos que nos apegar”.

Sobre as doações, ela garante que não tem data de validade. “Eu vou produzir enquanto eu puder. Me encontrei na doação. Na verdade, era algo que eu sempre desejei fazer, mas não sabia como, porque queria mesmo fazer algo de coração e hoje vi que as toucas fazem toda diferença na nossa jornada de luta contra o câncer”.

E nessas horas, Ana aproveita para deixar um recado a todas as mulheres. “Se toque e ao encontrar algo diferente no próprio corpo, não busque desculpas, procure um médico. O diagnóstico em fase inicial faz muita diferença”.

Quem quiser doar tecidos de malha, basta entrar contato com Ana pelo Facebook (clique aqui)

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Modelo fechadinho para quem não quer exibir a careca.  (Foto: Thailla Torres)Modelo fechadinho para quem não quer exibir a careca. (Foto: Thailla Torres)
Que também pode ser usado para mostrar e refrescar a careca.  (Foto: Thailla Torres)Que também pode ser usado para mostrar e refrescar a careca. (Foto: Thailla Torres)
Os coloridos estão entre os preferidos de Ana.  (Foto: Thailla Torres)Os coloridos estão entre os preferidos de Ana. (Foto: Thailla Torres)


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