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Campo Grande, Quarta-feira, 21 de Agosto de 2019

01/01/2019 07:00

Para 2019, o desejo é que as pessoas se preocupem mais com a saúde mental

Na luta contra a depressão, Flávia abriu o coração para desejos de 2019 que podem transformar a vida de muita gente

Thailla Torres
Flávia compartilhou sua experiência de vida, a luta contra a depressão e os desejos para 2019. (Foto: Arquivo Pessoal) Flávia compartilhou sua experiência de vida, a luta contra a depressão e os desejos para 2019. (Foto: Arquivo Pessoal)

Dá pra ser “louco” em uma sociedade que exclui pessoas com questões psíquicas? Há algum tempo a jornalista Flávia Hill vem buscando resposta para isso. E para começar 2019 com dose extra de ânimo, empatia e luta por uma saúde mental justa, Flávia escreve no Voz da Experiência sua relação com a depressão e os sonhos para este novo ano. O desejo é que todo mundo se preocupe com a saúde mental o tanto que se preocupa com outros detalhes da vida.

O ano em que muita coisa mudou. (Foto: Arquivo pessoal)O ano em que muita coisa mudou. (Foto: Arquivo pessoal)

Existe todo um estigma social que cerca a questão da saúde mental. Assim, não é à toa que por muito tempo a loucura tinha seu destino nas fogueiras. E por pouco, ou quase nada, se era considerada bruxa. Olhando por outro lado essa consideração - de que fulano de tal é louco - é um “método” recorrentemente usado para descreditar discursos ou pessoas (mulheres, via de regra nessa sociedade patriarcal).

Para piorar pouco se fala do assunto ou pouco abertamente e de forma sensível e assertiva e muito se fala com uma carga negativa, pejorativa, carregada de preconceito. Mas afinal, o que é ser louco? Tem medida? De louco todo mundo tem um pouco?

Somos só um resultado de tudo que nos foi ensinado, muitos podem pontuar. E claro, com toda razão, e por este mesmo motivo dá para acreditar que essa situação vá mudar.

Tem uma coisa sobre mim que muitos não sabem: há algum tempo eu tenho depressão. E nem sempre é fácil lidar com isso ao longo dos meus dias.

Esse ano, por exemplo, passei por incontáveis noites de sono perdidas pensando, diversas crises de choro, ansiedade e no fundo de cada sensação ruim a me acompanhar aquela vontade de não estar mais aqui ou então uma falta de perspectiva ou mesmo de enxergar um futuro. E ainda com tudo isso rolou também uma demissão, de um trabalho super legal, empresa nem tanto, assim que meu psiquiatra me deu 10 dias de licença, o fim de um relacionamento que eu jurei ser para sempre e aí sim as piores crises que eu já vivi até hoje.

Um dos desejos é que as pessoas comecem a cuidar da saúde mental. (Foto: Arquivo Pessoal)Um dos desejos é que as pessoas comecem a cuidar da saúde mental. (Foto: Arquivo Pessoal)

Voltei para Campo Grande para cuidar da minha saúde mental após quase sete anos morando em São Paulo, a cidade que eu escolhi para viver e que me abriu tanto a visão sobre tudo o que me foi ensinado, mostrado. Aprendi a desconstrução, descobri o poder do auto conhecimento. Ao mesmo tempo a cidade me viu emagrecer, adoecer e... parar.

Foram diversas coisas boas e um outro bocado de outras mais amargas, tipo o Rivotril sublingual que me tirou de “N” crises. Reconheci o amor na bicicleta. Retornei para as piscinas. Ensaiei uma volta para a yoga e estou tentando pular corda. É visível o quanto isso tudo tende a me fazer bem.

Nessa virada de ano eu tenho um desejo: que o mundo tenha mais empatia com todas as pessoas que tem alguma questão psíquica, mental, social e excludente. Mas eu preciso ser honesta com vocês. Para uma mudança social dessa acontecer é preciso tempo e mais do que isso: é necessário um trabalho individual no coletivo. Trabalho de formiguinha, cada um de nós. E de preferência olhando para si mesmo, já que ninguém aqui é “polícia de empatia alheia”, não é mesmo?

Se esse meu único desejo “tá difícil”, eu acho que posso me dar ao luxo de prolongar essa lista. Desejo que se você puder, comece a cuidar da sua saúde mental. Que você aprenda mais sobre você. Que não se julgue tanto quando não conseguir sair do quarto. E que comemore quando conseguir fazer alguma atividade que você goste. Que você se olhe com candura e saiba que você é a pessoa que mais pode se olhar e saber de si mesma. E que os trancos da vida te ensinem a descansar e não a querer desistir. Que você descubra pelo menos uma coisa nova sobre si mesmo. E que, se puder, vá atrás de um acompanhamento psicológico. Existem lugares que fazem atendimentos a preços mais modestos em universidades, por exemplo.

Que sua mãe seja tão importante na sua luta junto contigo, mas se não for, que você aprenda a ser sua própria mãe. Que você forme uma rede de apoio com quem te some de alguma forma.

Que você consiga sair de qualquer relacionamento abusivo, principalmente o consigo mesmo. E que se ta difícil de enxergar qualquer possibilidade de futuro que você espere até ter ou então tenha por todos aqueles que enxergam por você. Dia a dia. Devagarzinho. Com calma e paciência. E uma dose de auto carinho.

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