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Tem gente deixando de rir, correr e até sair por medo do “xixi”

Vergonha e silêncio ainda levam milhões de brasileiros a esconder o problema

Por Thailla Torres | 24/05/2026 09:11
Tem gente deixando de rir, correr e até sair por medo do “xixi”
problema é mais comum entre mulheres após os 40 anos, mas também aparece em homens e até em pessoas mais jovens.

Dar risada, tossir, espirrar ou até correr atrás do ônibus e sentir um escape de urina. Muita gente finge que não aconteceu, usa absorvente escondido e segue a vida sem procurar ajuda. Mas o que parece apenas um “incômodo” pode ser incontinência urinária, um problema que afeta milhões de brasileiros e ainda é tratado com vergonha.

Segundo dados da SBU (Sociedade Brasileira de Urologia), cerca de 10 milhões de pessoas convivem com algum tipo de perda urinária no país. O problema é mais comum entre mulheres após os 40 anos, mas também aparece em homens e até em pessoas mais jovens.

Para o urologista Henrique Coelho, um dos maiores problemas é justamente a demora em procurar tratamento. “Tem muita gente que deixa de sair de casa, praticar atividade física ou participar de momentos simples por medo do escape de urina. A incontinência urinária não deve ser encarada como algo normal ou inevitável. Ela tem tratamento e pode ser controlada ou curada”, explica.

Entre as mulheres, o tipo mais comum é a chamada incontinência urinária de esforço, quando o escape acontece ao tossir, rir, espirrar ou carregar peso. Gravidez, parto, menopausa, diabetes e infecções urinárias podem aumentar os riscos.

Nos homens, o problema costuma estar ligado ao envelhecimento, alterações na próstata e cirurgias prostáticas. “Quanto mais idade, maior a chance de alterações urinárias no homem. Problemas na próstata e algumas cirurgias também podem comprometer o controle da urina”, destaca o médico.

Café, energético e até segurar xixi podem piorar o problema

Muita gente também não percebe que alguns hábitos do dia a dia podem agravar a situação. Segundo Henrique, café, energético, refrigerante e outras bebidas podem aumentar a pressão na bexiga e causar mais urgência urinária. Segurar o xixi por muito tempo também prejudica o funcionamento natural da bexiga.

Além disso, o médico alerta para fatores que quase nunca são associados ao problema, como sedentarismo, excesso de peso e até prisão de ventre. “Uma outra causa que também as pessoas não associam muito a isso é a constipação intestinal. Ela é uma causa frequente, é negligenciada e isso pode alterar a pressão ali que a bexiga sofre”, explica.

Antes mesmo das perdas urinárias mais intensas, o corpo costuma emitir alguns alertas. O aumento da frequência urinária, acordar várias vezes à noite para ir ao banheiro e aquela urgência repentina para fazer xixi estão entre os principais sinais.

“A pessoa começa a perceber quando tem um aumento dessa frequência urinária, quando ela acorda às vezes à noite para urinar, sensação de urgência, o desejo de ir ao banheiro”, afirma o especialista.

Com o tempo, os escapes podem aparecer em situações simples do cotidiano, como tossir, espirrar ou fazer exercícios físicos.

Segundo o urologista, muitas pessoas passam anos tentando esconder o problema em vez de tratá-lo. “Existem muitas mulheres que usam absorvente para disfarçar o problema, isso acaba adiando o tratamento. E o quadro clínico vai piorando progressivamente, impactando cada vez mais a qualidade de vida”, comenta.

Além do desconforto físico, a incontinência urinária também pode trazer impactos emocionais importantes. O medo de passar vergonha faz muita gente evitar encontros, exercícios e até viagens.

“Muitos pacientes desenvolvem isolamento social, deixam de ir a lugares sem segurança, baixa autoestima e depressão por conta desse isolamento”, afirma.

O médico alerta ainda que, em alguns casos, a perda urinária pode estar ligada a doenças neurológicas ou outros problemas de saúde que precisam ser investigados.

Jovens também podem sofrer com perda urinária

Apesar de ser mais comum após os 40 anos, a incontinência urinária não é exclusividade dos mais velhos. Pessoas na faixa dos 30 anos, e até antes, também podem apresentar sintomas.

“Eu atendo pacientes na faixa etária dos 30 anos, às vezes até antes, com sintomas relacionados ao sedentarismo, obesidade, prática esportiva de alto impacto, ansiedade, alguma alteração neurológica ou por conta desses hábitos urinários inadequados”, relata Henrique.

Segundo ele, o principal é entender que perder urina não deve ser considerado normal em nenhuma idade. “O importante é entender que a perda urinária não deve ser considerada normal em nenhuma idade e que sempre tem um tratamento, sempre tem uma forma de melhorar a qualidade de vida dessa pessoa”, finaliza.

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