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Campo Grande, Quarta-feira, 21 de Agosto de 2019

29/01/2019 08:25

Confira a nossa análise e entenda porque RE2 não é um simples remake

Mozart Geraldo
Resident Evil 2: Remake?  - Apesar de ser amplamente divulgado como um “simples” remake, a própria Capcom prefere utilizar o conceito de “reimaginação”.Resident Evil 2: Remake? - Apesar de ser amplamente divulgado como um “simples” remake, a própria Capcom prefere utilizar o conceito de “reimaginação”.

Jamais esqueça de 1998. Esse foi talvez um dos mais importantes na história dos videogames, com o lançamento de jogos como Half-Life, Banjo-Kazooie, The Legend of Zelda: Ocarina of Time, Metal Gear Solid, e é claro Resident Evil 2.

Se o primeiro jogo foi responsável por popularizar o gênero survival-horror, o segundo game foi o que o consolidou na indústria e também aquele que mostrou que Resident Evil viria pra ficar. O título foi um sucesso estrondoso, de crítica e público, vendendo mais de 4 milhões de cópias no mundo todo!

Resident Evil 2: Remake?  - Apesar de ser amplamente divulgado como um “simples” remake, a própria Capcom prefere utilizar o conceito de “reimaginação”, e se analisarmos cuidadosamente veremos de fato que se trata de um produto praticamente novo, quase que por completo. Isso fica mais evidente ainda se compararmos ao remake do primeiro game, pois as diferenças entre o jogo original de 96 e sua versão refeita não vão muito além de (impressionantes) melhorias gráficas e alguns pequenos ajustes na jogabilidade e enredo. Resident Evil 2, por sua vez, passou por mudanças muito mais profundas e significativas, ao ponto de sua história ser praticamente o único ponto em comum com o game de 1998.

Confira a nossa análise e entenda porque RE2 não é um simples remake

A Capcom desde o princípio procurou respeitar o material original e seus fãs, mas preocupou-se também em atualizar o segundo capítulo da saga para que a experiência de jogo fosse a mais impactante e imersiva possível. Realismo era a palavra chave.

Quando falamos de realismo numa franquia que envolve monstros e zumbis, isso pode até soar estranho, mas é aí que reside a arte em se criar o verdadeiro terror, pois quanto mais plausível for o contexto ao qual estamos inseridos maior será a suspensão da descrença e por consequência o pânico e o terror. Foi com isso em mente que o time responsável por RE2 trabalhou em recriar cada uma das cenas e localidades do jogo, e digo que foram mudanças muito bem vindas, principalmente no que tange às interpretações e textos do game, que ainda tem aquele ar de filme B dos anos 80 mas na medida certa para deixar o jogador com os olhos arregalados na beira da poltrona.

A arquitetura do jogo, apesar de parecer muito semelhante à original (experimente comparar os mapas da delegacia dos dois jogos), sofreu diversas mudanças em sua estrutura de forma que passou a fazer muito mais sentido a exploração dos locais e os puzzles encontrados no caminho, seja na delegacia, esgotos ou no laboratório subterrâneo da Umbrella. Não se preocupe, ainda há muitas chaves e enigmas elaborados, eles apenas parecem “menos forçados” que no jogo original.

O Terror nunca foi tão belo! - O motor gráfico “RE Engine” de RE7 foi também utilizado neste remake, e os resultados são impressionantes! Com uma tecnologia de escaneamento facial e captura de movimentos, a Capcom trouxe um nível de realismo a Leon e companhia sem precedentes, e isso se estende aos zumbis, as verdadeiras estrelas do jogo. Ver um morto-vivo cambaleando em sua direção é uma das experiências mais aterrorizantes em RE2, pois apesar da quantidade destas criaturas ser relativamente pequena durante a jornada, cada encontro prova-se único, já que apenas um único zumbi é capaz de se aproximar de forma sorrateira e acabar rapidamente com a vida dos nossos heróis sobreviventes.

É impressionante, também, a forma como os inimigos se comportam ao receber os disparos das inúmeras armas do jogo, com impactos realistas e mutilações de membros em tempo real. Um zumbi agora também é capaz de sobreviver a vários tiros na cabeça, e por muitas vezes “finge” estar abatido só para atacá-lo mais tarde nos momentos mais inconvenientes possíveis. Para estes ataques-surpresa entretanto agora temos como contra-atacar com facas, granadas de luz e de fragmentação, salvando em muitos momentos o jogador da morte certa. Vale ressaltar que essa mecânica de contra-ataque surgiu no remake do primeiro game.

Os cenários também são incrivelmente detalhados, com texturas belíssimas e reprodução extremamente realista de materiais como tecidos e cabelos, impressionantes efeitos de luz e sombra, todos gerados em tempo real, de forma fluída e suave para o jogador. Por falar em fluidez, a navegação pelos cenários não possui mais as (icônicas) telas de loading com as aberturas de porta acontecendo sem nenhuma pausa ou interrupção no gameplay. Mais um mérito da RE Engine.

Confira a nossa análise e entenda porque RE2 não é um simples remake

Uma mistura de tudo que deu certo - Resident Evil 2 entrega uma jogabilidade similar à de RE4 com a câmera posicionada no ombro do jogador, proporcionando uma movimentação precisa e satisfatória, mas com alguns ajustes para favorecer o sentimento de apreensão e perigo constante, como a mira que exige que o jogador mantenha-se parado para “focar” a pontaria e aumentar a precisão dos disparos, o que por sua vez permite aos inimigos se aproximarem, aumentando os níveis de tensão a níveis absurdos.

O sistema de inventário foi incorporado de RE7, e possui um layout simples mas extremamente funcional e intuitivo, com opção de expansão dos slots na forma de pochetes (ah, os anos 90) e teclas de atalho para acesso rápido aos itens mais importantes, como as armas por exemplo. O mapa também emprestou mecânicas de RE7, só que com algumas valiosas melhorias: agora mostra de forma muito útil as áreas em vermelho ainda não foram completamente exploradas, exibindo ícones dos itens deixados pra trás e quais chaves são necessárias para destrancar uma porta. Isso facilita e muito a navegação pelo jogo e reduz consideravelmente o backtracking desnecessário e algumas vezes frustrante que existia nos jogos anteriores da franquia.

Você (definitivamente) não está sozinho! - Todos aqueles que jogaram o Resident Evil 2 original certamente lembram-se do inimigo mais assustador do jogo, o Tyrant.  O modelo T-103, conhecido por muitos como Mr.X é uma ameaça pra lá de formidável, só que diferentemente do jogo original onde suas aparições eram em momentos específicos e predeterminados, aqui o brutamontes de sobretudo pode surgir em qualquer hora e lugar, e persegui-lo por diversas salas da já infestada delegacia. Nesses encontros o sentimento de terror e pânico é constante, e são precisos inúmeros disparos contra a criatura para atrasá-lo por alguns segundos, somente o necessário para despistar o monstrengo e continuar a exploração.

Os efeitos de som, que já são espetaculares, ganham ainda mais importância, já que a Capcom utilizou uma tecnologia de reprodução de som em três dimensões, possibilitando por exemplo determinar se o Mr. X está por perto apenas pelo som dos passos do grandalhão. Em muitos momentos prestar atenção ao som do ambiente pode ser a diferença entre viver ou sucumbir às investidas do Tyrant. Porém, há um inimigo que também se aproveita disso no jogo, o Licker. Cegos como morcegos, essas criaturas horrendas de garras e dentes afiados são muito ágeis e se movimentam pelo chão, paredes e teto, sensíveis ao menor dos ruídos, todo cuidado é pouco ao cruzar com essas aberrações mortais.

Por fim, como manda o manual do survivor-horror, os recursos disponíveis são escassos e cada bala conta, portanto sempre que possível é bom evitar um confronto direto com as ameaças do jogo para não ficar sem munição quando tais confrontos são inevitáveis. Mesmo assim, para aqueles que tem o dedo leve no gatilho, existe a possibilidade de criar sua própria munição combinando diferentes tipos de pólvora encontradas no game, de maneira muito similar à Resident Evil 3.

Confira a nossa análise e entenda porque RE2 não é um simples remake

Um pesadelo, duas jornadas - Resident Evil 2 possui dois protagonistas: Leon S. Kennedy, um policial novato em seu primeiro dia de trabalho, e Claire Redfield, uma jovem estudante que veio até Raccoon City em busca de seu irmão mais velho, e herói do primeiro jogo, Chris Redfield. Leon e Claire se encontram num posto de combustível nos limites da cidade e logo partem em fuga para a Delegacia de Raccoon City, que acreditam ser o local mais seguro, porém um caminhoneiro azarado acaba por separar a dupla que por sua vez se vê forçada a sobreviver por conta própria, seguindo caminhos distintos e interagindo com personagens diferentes ao longo da jornada.

Apesar das cutscenes serem muito bem dirigidas e mostrarem um nível cinematográfico ao contar a história da dupla, é difícil de ignorar a chance desperdiçada pela Capcom em dar uma “chacoalhada” nos eventos originais e no fim o que temos são duas campanhas bem parecidas, tanto no que diz respeito aos locais visitados, quanto aos puzzles espalhados pelo jogo. Na versão original de 1998 era até compreensível as similaridades devido às limitações tecnológicas da época, mas com o avanço alcançado nos dias de hoje, chega a ser um pouco decepcionante não ver novas camadas de profundidade adicionadas ao enredo. Não me entenda mal, a história é muito bacana e cheia de momentos épicos e um surpreendentemente emocionante em particular, mas para um jogo do calibre de Resident Evil 2, as expectativas sempre serão as mais altas possíveis.

Ao terminar a campanha com um dos personagens, abre-se a campanha alternativa chamada aqui de Segunda Jornada, que complementa alguns pontos da história mas no final das contas ainda assim é muito similar à jornada inicial.

Quando o pesadelo acaba, o desafio surge - Na forma de extras, temos o retorno dos modos 4th Survivor e Tofu Survivor. No primeiro assumimos o controle do mercenário da Umbrella conhecido como Hunk, que deve escapar da cidade com uma amostra do G-virus, enquanto que no modo Tofu, controlamos literalmente um pedaço de soja coalhada, que não possui armas de fogo e depende de facas para sobreviver. Ambos os modos são muito desafiadores, mas também bastante divertidos, servindo como um complemento para as relativamente curtas campanhas principais.

Para os que desembolsarem uns trocados a mais, a Deluxe Edition do game oferece a possibilidade de alternar a trilha sonora do jogo para a versão original de 1998, o que traz aquele ar de nostalgia e também aumenta o fator replay do jogo, além de algumas roupas extras.

Vivo ou Morto?  - Após reviver o terror em Raccoon City, posso afirmar sem dúvida que Resident Evil 2 é uma reimaginação espetacular do clássico e um dos melhores jogos da série, e por consequência do gênero survival-horror. Há tanto para elogiar que os pequenos deslizes, por assim dizer, não tiram o mérito dessa obra incrível.

Resident Evil 2 é uma carta de amor aos fãs de longa data, assim como é uma porta de entrada para toda uma nova geração de jogadores que ousarem entrar no mundo do survival-horror.

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