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Sabor

Na terra de Drácula, chef descobre cultura e sabores da Transilvânia

Conhecido por seus FoodSafaris, chef Paulo Machado viaja pela Romêmia, onde está descobrindo novos sabores e cultura local

Por Lucas Mamédio | 24/08/2020 06:23
Chef Paulo Machado brincando com instrumento de tortura mediaval em um dos castelos da Transilvânia (Foto: Arquivo Pessoal)
Chef Paulo Machado brincando com instrumento de tortura mediaval em um dos castelos da Transilvânia (Foto: Arquivo Pessoal)

O que será que se come na Romênia, terra de Conde Drácula, além de carne de pescoço humana? Pois é, folclores preconceituosos à parte, o país do sudeste europeu é um lugar muito rico culturalmente e de culinária igualmente encantadora.

Quem está descobrindo as maravilhas gastronômicas - e outras - da Romênia é o renomado chef sul-mato-grossense Paulo Machado. Conhecido também por seus FoodSafaris, em que leva pessoas de forma guiada para explorar a culinária de outros países, Paulo aproveita viagens para explorar novos locais que, no futuro, podem ser destino de novos FoodSafaris, como está sendo o caso do país europeu.

Paulo Machado aprendendo comidas típicas romenas (Foto: Arquivo Pessoal)
Paulo Machado aprendendo comidas típicas romenas (Foto: Arquivo Pessoal)

“Já estive na Bósnia, Polônia, República Tcheca, Hungria, Eslovênia e Croácia. Já na Romênia é minha primeira vez. Estou gostando muito, nem fui embora e sem dúvida quero voltar, inclusive pra trazer meu grupo de viajantes”.

O chef explica que gastronomia romena vem de quatro principais influências: os húngaros, turcos, saxões e o eslavos. “Isto gera um caldeirão de comidas, temperos e preparos que tem notas de exotismo e sabores que confortam. Tem grande variedade de pratos com carnes, caças, embutidos, queijos especiais dentre outros derivados do leite como: iogurtes, creme azedo e coalhada. Consomem bastante carne de carneiro e bode, principalmente na região da Transilvânia. O pastoreio é uma das atividades mais antigas do país, com registro da atividade sendo realizada antes do nascimento de Cristo. Inclusive a palavra que eles usam para queijo (branza) é muito antiga e remete a 2.000 anos”.

Castelo do Conde Vlad III na Transilvânia (Foto: Arquivo Pessoal)
Castelo do Conde Vlad III na Transilvânia (Foto: Arquivo Pessoal)

Transilvânia, chegamos ao ponto que gera maior curiosidade nas pessoas quando falamos da Romênia. É essa região que abrigou no século XV Conde Vlad III, O Empalador ou apenas Conde Drácula, como ficou conhecido depois. É ele o personagem inspirador da lenda que dá origem aos vampiros, criado pelo escritor Bram Stoker em “Drácula”.

“A geografia da Transilvânia é um capítulo a parte na viagem, além das montanhas os vales formam belíssimas planícies que são palco de uma agricultura baseada em grãos. Todo este cenário de antigas fortificações e castelos medievais foi um palco cheio para o escritor Bram Stoker. A influência das histórias de vampiros na gastronomia soam aqui em puro marketing comercial. Os romenos tem sim o costume de comer miúdos, linguiças de sangue de porco e bastante alho, mas isso nada tem que ver com medo de vampiro e sim com o caldeirão multiétnico da cultura local”, explica Paulo.

Segundo Paulo, romenos comem muitos embutidos e miúdos (Foto: Arquivo Pessoal)
Segundo Paulo, romenos comem muitos embutidos e miúdos (Foto: Arquivo Pessoal)

Sobre esse “caldeirão” Paulo diz que está muito presente na cultura romena. “O país possui também forte comunidade árabe, alemã e cigana. Originários da Índia, os ciganos da Romênia eram nômades e aqui encontraram sua pátria. Na Romênia a palavra “gipsi” (cigano) é evitada pelos movimentos de afirmação dessa etnia que se divide em vários grupos. O termo correto para cigano é Romi (pronuncia-se Rome). Os Romi são talentosos músicos, dançarinos e artesãos. E, considerando seu passado pobre, eles desenvolveram uma cozinha baseada em variedade de vegetais, cogumelos selvagens, frutos do bosque e aves. Além de saber usar com maestria os miúdos dos animais, fazendo assim uma gastronomia de desperdício zero”.

Em uma das fotos em seu Instagram, o chef aparece ao lado de uma simpática senhora chamada Dona Maria Catean, que preparou doce chamado Gogosi pra ele, uma espécie de sonho de padaria nosso. Perguntamos então como Paulo chega a pessoas tão específicas assim, que mostram pratos tão caraterísticos.

Dona Maria Catean segurando os Gogosi (Foto: Paulo Machado)
Dona Maria Catean segurando os Gogosi (Foto: Paulo Machado)

“Bem, já são 55 países que viajei neste planeta, e a gente sempre quer mais e mais. Pra quem curte viajar em busca de novos sabores aqueles locais mais pitorescos são sempre os mais interessantes. Ano passado tive a sorte de conhecer o produtor de queijos artesanais romenos George Catean, que me presenteou com um livro sobre transumância, uma espécie de comitiva de rebanhos de ovinos que acontece em determinadas épocas do ano conduzidas por pastores. Fiquei fascinado pela história e resolvi colocar o país na lista de prioridades. Não à toa, mesmo com todos os percalços e impedimentos de viagens por conta da pandemia, consegui realizar este sonho de conhecer a Transilvânia, uma das regiões mais incríveis desse país que visito pela primeira vez”.

Mesmo aparentemente tão distantes, a culinária romena tem aspectos muitos parecidos com a nossa comida, afirma Paulo. “Os romenos são loucos por sopas, assim como nós eles comem canjas, caldos de legumes e feijões. Adoram mel, geleias, queijos e pães. Os embutidos e defumados são deliciosos e por vezes me fazem lembrar salames que encontramos no sul do Brasil e até linguiças de carne fresca como nós produzimos em Mato Grosso do Sul. A diferença é que temperamos com pimenta picante e eles usam bastante páprica e pimenta do reino. Comi uma dobradinha deliciosa, e o que difere da nossa é que eles adicionam creme fresco”.

Para curtir mais da viagem do chef Paulo Machado você pode conferir seu Instagram.

Um dos pratos típicos experimentados por Paulo (Foto: Arquivo Pessoal)
Um dos pratos típicos experimentados por Paulo (Foto: Arquivo Pessoal)

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