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Campo Grande, Terça-feira, 21 de Agosto de 2018

08/02/2018 07:51

Padaria do Centro é recomeço de gaúcho que atende com chimarrão na mão

Thailla Torres
Seu Antônio, que do café da manhã até a hora do almoço está com chimarrão nas mãos. (Foto: Thailla Torres)Seu Antônio, que do café da manhã até a hora do almoço está com chimarrão nas mãos. (Foto: Thailla Torres)

Entrar na Panificadora Doce Pão, na Rua 7 de Setembro, é ser recebido pelo bom dia simpático do seu Antônio, que do outro lado do caixa não abre mão do chimarrão. Gaúcho de Carazinho, no Rio Grande do Sul, ele é dono do lugar que sobrevive há décadas no Centro com a confiança da freguesia.

Apesar da região e uma concorrência que cresce, visivelmente, na mesma rua, Antônio Adelino da Liz, de 63 anos, toca o estabelecimento de um jeitinho mais antigo. No caixa, até tem computador, mas fica desligado. Dá pra ver as cadernetas onde o cliente ainda pendura o valor da compra. "Isso é coisa do interior", ri. "Mas os mais novos pagam tudo à vista", acrescenta. 

Caixa com as fichas dos clientes. (Foto: Thailla Torres)Caixa com as fichas dos clientes. (Foto: Thailla Torres)
Anotações em papel, nada de computador. (Foto: Thailla Torres)Anotações em papel, nada de computador. (Foto: Thailla Torres)

O ponto existe há 30 anos, mas Antônio só virou dono, em 2006, quando encontrou a padaria falida. O lugar não tem nada de moderno, as prateleiras ainda são antigas, a pintura azul é a mesma desde que Antônio chegou com a família e fez a última reforma.

A história do comerciante com Campo Grande foi um recomeço. Antônio conta que só chegou aqui depois de vender tudo o que tinha em Chapecó (SC) para tentar outra vida em Rondonópolis (MT).  Encantados com a chance de ter mais dinheiro, ele e a esposa Neuza Maria da Luz, de 56 anos, mudaram para outra cidade. Mas nada deu certo.

"Um dia, um pessoal apareceu na nossa padaria, em Chapecó, e quis comprar nosso estabelecimento. Disseram que em Rondonópolis ia ser muito promissor, que lá estavam precisando de gente como nós. Eu não pensei duas vezes e fiz a burrada de vender tudo", conta.

Antônio diz que se arrependeu, viu o negócio da família minguar e decidiu voltar para sua cidade, sem ter ganhado muito. "Em Chapecó a gente tinha uma padaria simples, menor do que essa, mas eu era conhecido na cidade, os bolos da minha esposa faziam sucesso, mas perdemos tudo", lembra.

Foi no retorno para o sul do país, que Antônio viu a chance de dar a volta por cima, aqui em Campo Grande. "Eu já tinha conhecido a cidade quando fui para o Pantanal. Na volta a gente resolveu entrar e foi quando eu passei nessa padaria. Ela não estava como é hoje, precisava de uma reforma, mas na época gostei do ponto".

Antônio deu o telefone pessoal para os antigos donos que entraram em contato com ele pouco tempo depois. "Me ofereceram, conversamos e eu acabei fechando negócio pelo telefone, só aqui fizemos contrato e resolvemos tudo", lembra.

Neuza é a mão boa da confeitaria. (Foto: Thailla Torres)Neuza é a "mão boa" da confeitaria. (Foto: Thailla Torres)
Pastelzinho de família, é o maior sucesso. (Foto: Thailla Torres)Pastelzinho de família, é o maior sucesso. (Foto: Thailla Torres)

Na época, o lugar foi repaginado, diz Antônio. "A gente pintou tudo, compramos mais alguns móveis e começamos a trabalhar. Foi questão de um mês".

Mas ele diz que muita gente duvidou da família. "Falavam que o gaúcho não ia dar certo. Só porque tinha o Thomaz como concorrente. Mas naquela época nem era esse movimento todo. Mas continuei meu trabalho".

Aos poucos Antônio e a esposa foram conquistando a freguesia mais antiga do Centro. Neuza trouxe para Campo Grande as receitas da família, entre elas, a massa de pastel mais grossa com tempero ensinado pela mãe. "Todo mundo gosta do meu pastelzinho. A gente até atende encomendas de outros comerciantes aqui perto. Essa massa eu fazia quando era criança", lembra a confeiteira.

Além da esposa, há funcionários na parte de panificação e salgados. Antônio e os filhos garantem o atendimento. A sobrevivência é também garantida no horário. "Aqui funciona das 6h às 22h", informa Neuza.

O horário estendido é para atender alguns cursos do Centro. "Tem gente que vem lanchar aqui às 21h30 e nesse horário ainda tem salgado".

A família começa a produção às 4h30 da manhã, tira um intervalo na hora do almoço e volta para produzir mais no período noturno.

De almoço tem prato feito a R$ 11,00 com cardápio simples, típico de comida feita em casa. "Arroz, feijão, carne e salada. Mas é tudo caseiro", afirma a dona.

Na confeitaria, estão doces bem tradicionais como pudim, quindim, bombas de chocolate e salada de frutas. Já os bolos, são mais simples, mas feitos com a "mão boa da Neuza", garante seu "Antônio. "Ela faz muito bem. Não tem bolo melhor do que o dela", diz. Já a esposa busca nas lembranças os tempos de glória na confeitaria em Chapecó. "Nossa, não faço nem a metade do que eu fazia lá. Aqui as pessoas inclui os bolos em pacotes completos de buffet, lá era comum encomendar os bolos na padaria. Eu fazia cada bolo de casamento lindo. Como era bom", recorda.

A panificadora fica na Rua 7 de Setembro, 928, Centro.

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Na hora do almoço, espaço enche para o PF a R$ 11,00. (Foto: Thailla Torres)Na hora do almoço, espaço enche para o PF a R$ 11,00. (Foto: Thailla Torres)


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