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Sabor

Russa que escolheu MS para viver faz ovos de Páscoa com matrioska

Conheça o pavlova, medovik e praliné, sabores que a confeiteira trouxe do seu país de origem

Por Natália Olliver | 24/03/2026 06:32
Russa que escolheu MS para viver faz ovos de Páscoa com matrioska
Maria criou Ovos de Páscoa de Pavlova e Medovik, sabores russos (Foto: Renan Kubota)

Há 17 anos, Maria Manich atravessou quase 16 mil km da Rússia até o Brasil, se apaixonou pela cultura e, há alguns anos, resolveu fincar raízes aqui, em Campo Grande. Este ano, uma amiga sugeriu unir o hobby de Maria pela confeitaria a uma nova empreitada: a produção de ovos de Páscoa. A ideia era mesclar a tradição brasileira dos ovos com os sabores russos e fazer chocolates no mínimo diferentões para sair do óbvio.

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Maria Manich, russa radicada em Campo Grande há 17 anos, inovou na produção de ovos de Páscoa ao mesclar tradições brasileiras com sabores típicos de seu país natal. Seus chocolates artesanais apresentam recheios como Pavlova, um merengue russo com lemon curd, e Medovik, um bolo de mel com creme azedo tradicional. Natural de Khabarovsk, Maria traz para suas criações elementos culturais russos, como as matrioskas e ursinhos de marshmallow, além de adaptar sabores locais. Os ovos, vendidos a R$ 55, são produzidos artesanalmente e podem ser encomendados com dois dias de antecedência.

Na cozinha da russa, nada de apenas doce de leite, Nutella, chocolate ao leite ou recheios já conhecidos. A grande aposta são os doces Pavlova e Medovik, trazidos da infância e dos anos em que viveu do outro lado do mundo. Uma das principais diferenças com os doces brasileiros é a intensidade: os russos vão menos no açúcar e apostam mais na acidez, com cremes à base de limão.

Maria fez dois sabores tradicionais do país natal e um do Brasil, mas cada um tem a própria identidade. Para quem não sabe, a Pavlova é um merengue russo (parecido com suspiro) que é “crocante por fora e cremoso por dentro”.

Russa que escolheu MS para viver faz ovos de Páscoa com matrioska
Russa que escolheu MS para viver faz ovos de Páscoa com matrioska
Confeiteira por hobby sabe fazer bichinhos de marshmallow para colocar nos Ovos de Páscoa (Foto: Renan Kubota)

Entre as rachaduras do suspiro entra o lemon curd, trazendo um toque cítrico de limão siciliano que quebra a doçura. A decoração com “matrioska”, as típicas bonequinhas russas, por lá representa maternidade, amor e fertilidade.

Maria explica que Medovik é um bolo com mel e smetana, um creme azedo típico russo. Por cima, vai uma farofinha do próprio bolo assada, calda leve de mel e um ursinho de marshmallow, técnica que a confeiteira aprendeu ainda na Rússia. “Ele é um sabor forte, mas ao mesmo tempo suave, sem ser enjoativo”. E tem um detalhe curioso: o doce teria surgido na Rússia czarista. Segundo a tradição, foi criado no século XIX para agradar a esposa do imperador, o que funcionou, porque virou o favorito da corte.

“Resolvemos colocar a Pavlova no ovo, fizemos ovos e deu certo. É o primeiro ano que faço. Eu fiz curso na Rússia de marshmallow modelado, para essa Páscoa fiz uma capivara, representante de Mato Grosso do Sul. O Medovik é um bolo de mel, então fiz abelhinhas e um urso da Rússia”.

Russa que escolheu MS para viver faz ovos de Páscoa com matrioska
Russa que escolheu MS para viver faz ovos de Páscoa com matrioska
Ovos de Páscoa de sabores russos estão sendo vendidos a R$55 (Foto: Renan Kubota)

Além dos dois, ela também fez uma releitura do chocolate trufado, muito tradicional no Brasil. O diferencial é o praliné de amendoim, ou farofa caramelizada. Todos os três sabores são vendidos a R$ 55.

Maria Manich nasceu em Khabarovsk, no extremo oriente da Rússia, uma região próxima da China e a cerca de 600 km de Vladivostok. Mesmo sendo formada em Medicina Veterinária, decidiu mudar completamente de rumo.

Ela passou pelo Japão, conheceu o Brasil e decidiu ficar. Morou em São Paulo (SP) e visitou diferentes regiões pelo país. A adaptação, porém, não foi simples. O clima foi o maior choque. “Lá é muito frio mesmo”, resume. Em compensação, a comida brasileira conquistou de imediato. E mais que isso: o comportamento das pessoas também. A informalidade, a conversa fácil, até o hábito de puxar assunto em fila de banco, algo impensável de onde ela veio.

Hoje, Maria trabalha em outra área, mas mantém a confeitaria como “hobby e distração”. Só que não é um hobby qualquer.

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“O que mais chama a curiosidade são os nomes. Se chegar em mim e falar que tem um doce da Escandinávia, por exemplo, eu vou querer experimentar, independente de ser bom ou ruim. O que mais chama a atenção é a Pavlova, que já é conhecida porque tem confeiteiros que fazem, mas uma feita pela receita e tradição russa é diferente”.

Para que tudo fique no ponto certo, Maria faz parte do processo em um dia e finaliza no outro. “Eu deixo tudo meio que perfeito, faço as casquinhas em um dia, o recheio em outro. A Pavlova é rápida, ela se seca sozinha em área aberta por 40 minutos. Medovik exige um preparo antes para absorver o creme”.

As encomendas precisam ser feitas com cerca de 2 dias de antecedência pelo número da Leve de Neve – Doces Europeus (67) 9915-0710.

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