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Campo Grande, Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017

04/09/2017 08:04

Um dos temperos mais tradicionais de Campo Grande agora é servido na praça

Receita de feijoada é o que faz filha de Madá se lembrar da mãe sempre

Lucas Arruda
Feijoada tem, além dos acompanhamentos tradicionais, pimenta empanada (Foto: Marina Pacheco)Feijoada tem, além dos acompanhamentos tradicionais, pimenta empanada (Foto: Marina Pacheco)

O Bar da Madá foi um importante ponto de encontro de estudantes, músicos e artistas da cidade durante muitos anos em Campo Grande. Todo mundo que chegava lá, na avenida dos Andradas ou em algum dos endereços anteriores era recebido com carinho e pelo sorriso caloroso daquela que dava o nome ao bar.

Há dois anos ela faleceu. A filha Tânia Regina, hoje com 59 anos, não continuou no mesmo lugar. Talvez por não querer se lembrar sempre dos tantos momentos bons que viveu ali com a mãe ou para deixar essas lembranças intactas por lá.

Fato é que tem oito meses que ela está tomando conta da lanchonete da Praça dos Imigrantes e todos os sábados, como a mãe, ela serve a feijoada que é herança de família.

Madá aprendeu a receita quando trabalhava numa casa de libaneses (Foto: Everson Tavares)Madá aprendeu a receita quando trabalhava numa casa de libaneses (Foto: Everson Tavares)

A receita, segundo Tânia, a mãe aprendeu há cerca de 50 anos atrás quando trabalhava na casa de uma família de libaneses. “Eles a ensinaram a fazer, mas com o tempo ela deu o toque especial dela, era uma cozinheira de mão cheia”, afirma.

Depois de deixar o emprego Madá ficou um bom tempo sem reproduzir a receita que aprendera. Um dia, há cerca de 25 anos, sem pretensão nenhuma, Tânia sugeriu à mãe que fizessem uma feijoada no almoço. Na hora, como um estalo, surgiu a antiga receita que não era feita há anos. “Tinha chamado alguns amigos para almoçar em casa, falei pra ela fazer a feijoada e ela lembrou”, recorda.

Desde então a feijoada nunca mais foi esquecida. Começaram a fazer esporadicamente até que no fim da década de 90 passaram a cozinhá-la todo sábado. “No início sempre chamávamos os amigos, aí foram pagando e chamando mais gente, até começarem a tocar nos almoços. Isso lá na vila Nhanhá, em casa, foi assim que começou”, reflete.

Logo surgiu a oportunidade de abrir um restaurante na vila Carvalho. Animada que só, Madá batalhou e conseguiu abrir o espaço. Então, como fazia em casa, passaram a servir a feijoada todos os sábados e agora faziam um sarau.

Receita ficou guardada durante anos na memória de Madá (Marina Pacheco)Receita ficou guardada durante anos na memória de Madá (Marina Pacheco)

“Naquela época só tinha feijoada com pagode, acho que até hoje. Com a gente tinha MPB, blues, rock, além de poesia, performance, palco e microfone aberto”, relata. “Ela passou a fazer esse evento que era diferente das coisas que rolavam na época e eu a ajudava sempre”, frisa.

A moda do sarau pegou rápido e o restaurante ficou cheio rápido, de gente que curte uma boa música, estudantes universitários e artistas. Foi assim até o fim da vida de Madá, uma festa só. E no meio disso tudo sempre estava sua famosa feijoada.

Agora é Tânia e sua prima, Jane Epifânio, que fazem a feijoada todos os sábados. Às vezes as lembranças da mãe afloram bastante. “Tem dia que é difícil, não dá vontade de fazer porque lembro muito dela, sempre que faço me vem essas memórias, mas é por isso mesmo que acabo fazendo, ela era só alegria, não ia gostar de me ver assim”, acredita.

Outros momentos também trazem lembranças da mãe no estabelecimento. Como a maior parte da clientela é de amigos, alguns muito antigos, outros feitos com o passar do tempo nos bares da família, muitos ainda chamam a própria Tânia de Madá. “Eu não ligo, respondo, às vezes até fico feliz já que ela é uma inspiração pra mim”, declara.

A receita do ‘legado’ da família ela não revela, mas fazer é bem difícil. Os ingredientes são comprados na quinta-feira, começam a ser cortados e preparados na sexta para no sábado de manhã irem para o fogo por quatro horas, até começar a ser servido ao meio-dia.

“Não fazemos na panela de pressão, é um processo especial”, ressalta. Tânia e sua prima também deram um toque pessoal à receita, a servem, além dos acompanhamentos tradicionais como arroz, farofa, couve cozido e torresmo frito, com uma pimenta dedo de moça empanada.

Quem quiser provar o famoso prato da Madá, agora feita por sua filha e sobrinha é só aparecer na feira dos Imigrantes no sábado. Ele custa R$ 22. Atualmente quem anima os almoços é o músico Laurinho Balejo.

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Agora Tânia serve a feijoada todos os sábados na feira dos Imigrantes (Marina Pacheco)Agora Tânia serve a feijoada todos os sábados na feira dos Imigrantes (Marina Pacheco)



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