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Meio Ambiente

MP investiga gestão da Gruta do Lago Azul após denúncia anônima em Bonito

Procedimento apura supostas práticas abusivas contra guias e criação de visitas fora das regras ambientais

Por Inara Silva | 09/02/2026 14:35
MP investiga gestão da Gruta do Lago Azul após denúncia anônima em Bonito
Gruta do Lago Azul, em Bonito (MS). (Foto: Philippe Crochet, para o projeto Luzes na Escuridão)

A licença de operação da Gruta do Lago Azul e eventuais irregularidades na organização dos serviços de guia de turismo no atrativo são alvos de investigação por parte do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), em Bonito, a 259 km de Campo Grande. A apuração começou a partir de denúncia anônima registrada em 7 de fevereiro de 2025.

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul investiga possíveis irregularidades na gestão da Gruta do Lago Azul, em Bonito, após denúncia anônima registrada em fevereiro de 2025. A investigação apura práticas supostamente abusivas da Prefeitura Municipal em relação aos guias turísticos que atuam no local. Entre as irregularidades denunciadas estão a formação de grupos maiores que o permitido, interferência nas escalas de trabalho e remuneração inadequada dos guias. A gestão do monumento natural foi cedida ao município por 20 anos, através da Secretaria do Patrimônio da União, e o caso está sendo conduzido pela 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de Bonito.

Segundo a denúncia, a Prefeitura de Bonito administra a Gruta do Lago Azul por meio da Secretaria Municipal de Turismo e teria passado a adotar práticas consideradas abusivas em relação ao trabalho dos guias de turismo que atuam no local. O relato afirma que os guias são prestadores de serviço pessoa jurídica, não possuindo vínculo empregatício com o município.

Entre as irregularidades apontadas está a exigência de que os guias conduzam apenas o número de visitantes reservados por determinada agência, enquanto a prefeitura formaria grupos maiores e horários intermediários não previstos na Licença de Operação. De acordo com a denúncia, há casos em que o guia foi obrigado a atender até 15 visitantes, embora tenha recebido remuneração referente apenas a 2 pessoas, número originalmente reservado pela agência que o contratou.

A denúncia também sustenta que a prefeitura cria grupos e horários não licenciados, interfere na escala de trabalho e impede que as agências escolham livremente os guias que prestarão o serviço ao visitante. Ainda conforme o relato, haveria protecionismo, com alguns profissionais tendo horários garantidos, em prejuízo de outros guias que antes atuavam como plantonistas em horários previamente estipulados.

Ao instaurar o procedimento administrativo, o Ministério Público destacou que as práticas narradas extrapolam a atribuição fiscalizatória ambiental do  Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), uma vez que envolvem aspectos da gestão operacional do atrativo, organização de visitas e prestação de serviços turísticos.

A Promotoria também registrou que a gestão do Monumento Natural Gruta do Lago Azul foi cedida de forma onerosa ao município de Bonito por meio de portaria da Secretaria do Patrimônio da União, com vigência de 20 anos. Diante dos indícios, o Ministério Público determinou a coleta de informações complementares junto ao representante legal do atrativo e à Prefeitura de Bonito, para melhor esclarecimento dos fatos.

Conduzido pelo promotor de Justiça Felipe Blos Orsi da 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de Bonito, o procedimento, de nº 09.2025.00012544-9, foi instaurado com o objetivo de concluir as diligências pendentes e poderá subsidiar a adoção de outras medidas pelo Ministério Público, conforme o resultado da apuração.

A reportagem do Campo Grande News entrou em contato com a Prefeitura de Bonito e o espaço permanece aberto para a manifestação.

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