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Lado Rural

União amplia crédito rural e corta juros para fortalecer a agricultura familiar

Pronaf recebe R$ 85,2 bilhões e reduz juros para alimentos básicos

Por José Cândido | 01/07/2026 08:07
União amplia crédito rural e corta juros para fortalecer a agricultura familiar
Recursos recordes incluem crédito, assistência técnica, seguro rural e políticas para aumentar a oferta de alimentos e fortalecer pequenos produtores.

O Governo Federal anunciou o Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/2027 com o maior volume de recursos da história voltado ao segmento. Sob o lema "Um país soberano é um país que alimenta o seu povo", o programa disponibiliza R$ 97,3 bilhões em crédito rural, seguro agrícola, assistência técnica, compras públicas e ações de desenvolvimento rural, consolidando a agricultura familiar como uma das principais estratégias para ampliar a produção de alimentos e estimular o desenvolvimento sustentável no campo.

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O governo federal lançou o Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/2027, com R$ 97,3 bilhões em recursos, o maior da história. Do total, R$ 85,2 bilhões vão ao Pronaf, alta de 9% em relação ao ano anterior. O plano reduz juros para produção de alimentos básicos a 2% ao ano e a 1% para agroecologia. O microcrédito rural foi ampliado, e mulheres, jovens, indígenas e quilombolas receberam condições especiais de financiamento.

Do total anunciado, R$ 85,2 bilhões serão destinados ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), montante quase 9% superior ao da safra anterior. A prioridade desta edição é estimular a produção de alimentos básicos consumidos diariamente pelos brasileiros, ao mesmo tempo em que amplia o acesso ao crédito para pequenos produtores, assentados, indígenas, quilombolas, mulheres e jovens rurais.

Uma das principais novidades é a redução das taxas de juros para quem produz alimentos essenciais. O financiamento destinado ao cultivo de arroz, feijão, mandioca, frutas, hortaliças, leite e outros itens básicos passa a ter juros de 2% ao ano, contra 3% anteriormente. Para agricultores que trabalham com sistemas agroecológicos, produção orgânica e produtos da sociobiodiversidade, a taxa caiu para apenas 1% ao ano, uma das menores já oferecidas pelo programa.

O microcrédito rural também foi ampliado. O Pronaf B elevou o limite de financiamento por família de R$ 53 mil para R$ 74 mil, enquanto o teto de renda anual para acesso ao programa passou de R$ 50 mil para R$ 60 mil. As operações mantêm juros de apenas 0,5% ao ano, prazo de até três anos para pagamento — cinco anos na modalidade habitacional — e desconto de até 40% para quem quitar as parcelas em dia.

Os assentados da reforma agrária, povos indígenas e comunidades quilombolas também passam a contar com melhores condições de financiamento. O Pronaf A ampliou o limite de crédito para R$ 55 mil, reforçou os recursos para assistência técnica e manteve juros reduzidos e bônus para adimplência.

As mulheres rurais ganharam espaço de destaque no novo Plano Safra. Em referência ao Ano Internacional da Agricultora, o governo reduziu os juros do Pronaf Investimento de 3% para 2% ao ano, com financiamentos de até R$ 100 mil. No microcrédito, além dos recursos destinados aos Quintais Produtivos, foi criada uma nova linha de custeio exclusiva, ampliando o acesso feminino ao financiamento rural. Também será lançada uma chamada pública de assistência técnica voltada exclusivamente às mulheres, com investimento de R$ 50 milhões para atender cerca de 10 mil produtoras.

A juventude rural também recebeu incentivos. Os limites de financiamento foram ampliados e os juros reduzidos para estimular a sucessão familiar, incentivar novos empreendimentos agrícolas e criar condições para que jovens permaneçam no campo com geração de renda e inovação.

Outra novidade é a criação de uma linha específica para pequenas reformas em moradias rurais. O Pronaf B Habitação permitirá financiamentos de até R$ 10 mil para melhorias em residências e instalações sanitárias, com juros de apenas 0,5% ao ano e prazo de cinco anos para pagamento. Já para famílias com renda anual de até R$ 150 mil, os juros da habitação rural caíram de 8% para 5%.

Na área de modernização das propriedades, o governo reduziu os juros para aquisição de pequenas máquinas agrícolas, equipamentos de irrigação, armazenagem, conectividade, tanques de resfriamento de leite, ordenhadeiras e estruturas voltadas à produção sustentável. O objetivo é aumentar a produtividade sem elevar os custos para os agricultores familiares.

O incentivo à agroecologia também foi reforçado. Além da redução das taxas de financiamento, o limite do Pronaf Bioeconomia foi ampliado para projetos de sistemas agroflorestais e silvicultura, enquanto novas ações voltadas à adaptação às mudanças climáticas e preservação ambiental passam a integrar o programa.

Entre as novidades está ainda o Terra à Mesa – Garantia-Safra, iniciativa que destinará mais de R$ 400 milhões para fortalecer a produção de alimentos, ampliar a inclusão produtiva e apoiar mais de 60 mil famílias do Semiárido brasileiro diante dos desafios climáticos.

União amplia crédito rural e corta juros para fortalecer a agricultura familiar
Com mais crédito e juros reduzidos, o Plano Safra busca incentivar a produção de feijão e outros alimentos básicos.

O Plano Safra também incorpora medidas voltadas à regularização fundiária, com a criação da Política Nacional de Governança da Terra e do Programa Terras do Brasil, que pretende integrar bases de dados e acelerar a titulação de imóveis rurais, oferecendo maior segurança jurídica aos produtores.

Para facilitar o acesso às linhas de financiamento, o governo lançou ainda um Simulador de Crédito do Pronaf e uma nova versão do aplicativo Meu Imóvel Rural, que permitirão aos agricultores consultar modalidades de crédito, acompanhar a situação fundiária e acessar políticas públicas de forma digital.

Ao reunir crédito recorde, juros menores, assistência técnica, incentivo à inovação e políticas voltadas à sustentabilidade, o Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/2027 busca fortalecer a produção de alimentos, ampliar a renda das famílias rurais e garantir maior oferta de produtos básicos para a mesa dos brasileiros.