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Lado Rural

Casos disparam em janeiro e ferrugem asiática na soja chega a 55 registros em MS

Doença considerada uma das mais severas avança rapidamente, com 33 ocorrências confirmadas apenas em 2026

Por Jhefferson Gamarra | 16/01/2026 15:04
Casos disparam em janeiro e ferrugem asiática na soja chega a 55 registros em MS
Plantação adoecida pela ferruegem asiática (Foto: Reproduação)

A safra de soja 2025/2026 já registra um avanço expressivo da ferrugem-asiática em Mato Grosso do Sul. De acordo com dados do Consórcio Antiferrugem, o Estado contabiliza 55 ocorrências da doença até 16 de janeiro de 2026, número significativamente superior ao observado na safra passada, quando foram registrados 12 casos. O dado que mais chama a atenção é a concentração dos registros neste início de ano: somente em janeiro foram confirmados 33 focos da doença, evidenciando um rápido crescimento no número de notificações.

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A ferrugem asiática na soja registrou aumento significativo em Mato Grosso do Sul, atingindo 55 ocorrências até 16 de janeiro de 2026. Somente no primeiro mês do ano foram confirmados 33 novos focos da doença, número expressivamente superior aos 12 casos registrados na safra anterior.Naviraí lidera com 13 casos, seguida por Sete Quedas com 8 registros. A doença, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, compromete a fotossíntese da planta e pode causar perdas severas na produtividade. Especialistas recomendam o uso de fungicidas multissítios e monitoramento constante das lavouras como principais estratégias de controle.

A ferrugem-asiática, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, é considerada uma das doenças mais severas da cultura da soja, pois compromete diretamente a fotossíntese da planta, provoca queda precoce das folhas e reduz a formação de grãos. Quando não manejada corretamente, pode gerar perdas severas de produtividade, especialmente em condições de calor e umidade, cenário comum em várias regiões do Estado.

Casos disparam em janeiro e ferrugem asiática na soja chega a 55 registros em MS
Gráfico mostra a disparada de casos em janeiro em Mato Grosso do Sul (Imagem: Reprodução)

Segundo a pesquisadora Cláudia Godoy, da Embrapa Soja, o aumento no número de registros não deve ser interpretado, necessariamente, como perda de controle da doença. “O aumento no número de relatos não indica perda de controle da doença, mas sim que a ferrugem foi identificada na região e precisa ser manejada adequadamente. É um sinal de que há esporos circulando e de que o produtor precisa utilizar fungicidas com eficiência para o manejo da ferrugem”, destaca.

Os registros em Mato Grosso do Sul começaram ainda em novembro de 2025, com a primeira ocorrência confirmada no dia 27. Ao longo de dezembro, os casos avançaram gradualmente, passando de 1 para 22 ocorrências até o dia 31. No entanto, foi em janeiro que a curva se tornou mais acentuada: em apenas 16 dias, o número saltou de 22 para 55 registros.

Entre os municípios com maior número de ocorrências, Naviraí lidera com 13 casos, seguido por Sete Quedas, com 8 registros. Aral Moreira aparece com 4 ocorrências, enquanto Dourados, Laguna Carapã, Maracaju e Ponta Porã contabilizam três casos cada. Outros municípios como Amambaí, Antônio João, Bonito, Caarapó, Coronel Sapucaia, Itaquiraí, Ivinhema e Sidrolândia também figuram na lista, demonstrando que a doença está distribuída em diferentes regiões do Estado, com destaque para áreas do sul e sudoeste.

Casos disparam em janeiro e ferrugem asiática na soja chega a 55 registros em MS
Mapa de incidência da ferrugem asiática em Mato Grosso do Sul (Imagem: Reprodução)

Na avaliação da pesquisadora da Embrapa, a maior ocorrência de relatos de ferrugem-asiática no Sul do Brasil está associada a uma combinação de fatores, como a sobrevivência de plantas voluntárias de soja durante a entressafra, a janela de semeadura e o nível de monitoramento da doença. O clima mais úmido durante o inverno nessas regiões favorece a permanência dessas plantas espontâneas, que acabam funcionando como hospedeiras do fungo.

“Com a ocorrência de chuvas no inverno, há maior sobrevivência da soja voluntária, na qual o fungo acaba se mantendo. No Cerrado, onde o inverno é mais seco, essa sobrevivência é menor”, explica Cláudia Godoy. Apesar da existência do vazio sanitário, período de 90 dias em que é proibido semear soja e é obrigatória a eliminação das plantas, ainda há presença significativa de soja voluntária em meio a outras lavouras, o que contribui para a manutenção do inóculo.

Outro ponto destacado é a janela de semeadura. Quanto mais cedo ocorre a semeadura, mais cedo a ferrugem tende a aparecer, especialmente quando há proximidade com fontes de inóculo. Além disso, regiões com forte atuação de cooperativas e assistência técnica acabam registrando mais notificações, uma vez que os dados do Consórcio Antiferrugem são voluntários e contabilizados por município.

No Centro-Oeste brasileiro, onde Mato Grosso do Sul está inserido, a colheita se aproxima e, de modo geral, a ferrugem tende a causar menor impacto em comparação ao Sul do país. Segundo a pesquisadora, muitos produtores conseguem maior “escape” da doença em função do calendário agrícola. Ainda assim, o número elevado de ocorrências na safra atual acende um alerta.

Cláudia Godoy ressalta que, nessa região, outras doenças, como a mancha-alvo, também têm grande relevância econômica. No entanto, a ferrugem-asiática continua sendo uma das principais preocupações, exigindo atenção redobrada por parte dos produtores e técnicos.

Com o avanço da resistência do fungo aos fungicidas, especialistas reforçam a necessidade de estratégias mais eficientes de controle. Uma das principais recomendações é o uso de fungicidas multissítios em associação, que atacam o fungo em vários pontos do metabolismo simultaneamente, reduzindo o risco de desenvolvimento de resistência.

“Essa estratégia é fundamental para aumentar a eficiência do controle e prolongar a vida útil dos fungicidas disponíveis”, afirma a pesquisadora da Embrapa. Além disso, o combate à ferrugem-asiática exige monitoramento constante das lavouras, aplicação criteriosa de fungicidas e adoção do manejo integrado, que inclui respeito ao vazio sanitário, rotação de culturas e escolha adequada de cultivares.

Os produtores podem acompanhar os dados atualizados por meio do aplicativo do Consórcio Antiferrugem, disponível para Google Play e Apple Store. Informações sobre a eficiência dos fungicidas podem ser consultadas no aplicativo “Classificação de eficácia de fungicidas químicos e biológicos: módulo soja”, disponível no site da RFT (Rede de Fitossanidade Tropical).

O acompanhamento das ocorrências em Mato Grosso do Sul é realizado pela Embrapa, e técnicos alertam que a prevenção continua sendo a principal ferramenta para evitar perdas significativas na produção de soja. Com o aumento expressivo dos casos em janeiro, o cenário reforça a importância da vigilância permanente e da adoção de práticas agronômicas adequadas ao longo de toda a safra.