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Lado Rural

Projeto de tilápias pode produzir até 4 milhões de peixes por mês em Cassilândia

Primeira unidade do setor na cidade deve iniciar operação em 2027

Por Anderson Viegas | 16/07/2026 13:16
Projeto de tilápias pode produzir até 4 milhões de peixes por mês em Cassilândia
Projeto em Cassilândia será voltado à recria de alevinos de tilápia, etapa estratégica da cadeia da piscicultura (Foto: Redes Sociais)

A instalação de um empreendimento voltado à recria de tilápias vai inserir Cassilândia na cadeia produtiva da piscicultura de Mato Grosso do Sul, setor que vem ganhando espaço no agronegócio estadual. O projeto inaugura uma nova atividade econômica no município, ao produzir peixes juvenis para abastecer propriedades de engorda e frigoríficos, além de abrir caminho para novos investimentos ligados à cadeia do pescado.

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Cassilândia vai ganhar seu primeiro empreendimento de recria de tilápias, implantado pela Piscicultura Buriti/Santa Laura, com início das obras previsto para os próximos meses e produção em janeiro de 2027. O projeto prevê até 4 milhões de alevinos por mês, criação de 40 a 50 empregos e deve integrar o município à cadeia da piscicultura, em meio à expansão da citricultura, da heveicultura e de outras culturas no agronegócio local.

O empreendimento será implantado pela Piscicultura Buriti/Santa Laura, do empresário Fabiano Ludwig, que já adquiriu uma área de aproximadamente 12 hectares, localizada a cerca de 26 quilômetros da região central de Cassilândia.

Segundo a prefeitura, o projeto está na fase de licenciamento ambiental, processo que será conduzido pelo próprio município. A expectativa é que as obras tenham início nos próximos meses e que a produção comece em janeiro de 2027.

O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente (Sedema), Edson de Lima Bobadilha, explica que a escolha por Cassilândia ocorreu principalmente pela posição estratégica do município.

"O empresário já atua em Nova Mutum (MT), no Mato Grosso, e está vindo para Mato Grosso do Sul por uma questão logística. Cassilândia é um ponto estratégico porque ele atende diversos clientes, principalmente na região de Santa Fé do Sul (SP), em São Paulo, que fica muito próxima do município."

Na primeira etapa, serão implantados cerca de 40 tanques escavados, ocupando entre quatro e cinco hectares de lâmina d'água. A estrutura terá capacidade para produzir até 4 milhões de peixes juvenis de tilápia por mês, embora a operação seja iniciada com aproximadamente 2 milhões de peixes mensais, ampliando gradualmente a produção conforme o crescimento da demanda.

A expectativa é que o empreendimento gere entre 40 e 50 empregos diretos, priorizando a contratação de mulheres.

Segundo Bobadilha, além do impacto social da geração de empregos, a opção também leva em consideração características do próprio manejo da atividade. "O empresário pretende priorizar a contratação de mulheres porque, além da contribuição social para o município, elas apresentam maior assertividade no manejo da piscicultura, o que contribui para a qualidade da produção."

Para o prefeito Rodrigo Barbosa de Freitas (PP), o principal impacto do investimento é inserir Cassilândia em uma cadeia produtiva até então inexistente no município. "É o primeiro projeto dessa cadeia em Cassilândia. Trata-se de uma recria que abre a possibilidade para a implantação de outros projetos relacionados à piscicultura no nosso município."

 Segundo ele, a produção local de peixes juvenis deverá estimular produtores rurais a investir na etapa seguinte da cadeia, a engorda dos peixes.

"Com a produção acontecendo aqui, nossos produtores poderão adquirir esses peixes, investir em tanques para a fase de engorda e abastecer posteriormente os frigoríficos. Estamos criando uma nova cadeia produtiva que vai movimentar a economia local, gerar renda e fortalecer o agronegócio."

Diversificação acelera novo ciclo de desenvolvimento

A chegada da piscicultura ocorre em um momento de forte transformação da economia de Cassilândia, que passou a atrair investimentos em diferentes cadeias produtivas do agronegócio.

A principal frente de expansão é a citricultura. Juntas, Citrosuco, Frucamp e Agro Hernandes somam cerca de 5 mil hectares de pomares de laranja já implantados ou em fase de implantação em Cassilândia. A expectativa da prefeitura é que apenas essa cadeia produtiva gere mais de 3 mil empregos nos próximos anos.

Cassilândia também registra expansão da heveicultura, com aproximadamente 3 mil a 4 mil hectares cultivados com seringueira, atividade responsável por cerca de mil empregos. O município ainda possui aproximadamente 18 mil hectares de amendoim e amplia áreas destinadas ao cultivo de soja e eucalipto.

Na avaliação de Rodrigo Freitas, a diversificação das atividades reduz a dependência econômica de poucos segmentos e fortalece um novo ciclo de desenvolvimento.

"Cada nova cadeia produtiva que chega amplia as oportunidades para o município. Diversificamos a economia, geramos empregos, fortalecemos o campo e criamos novas possibilidades para os produtores locais."

Escassez de mão de obra já desafia expansão

Se a chegada de novos empreendimentos impulsiona a economia, também evidencia um desafio comum aos municípios que vivem ciclos acelerados de crescimento: a falta de trabalhadores.

Embora o Censo registre cerca de 22 mil habitantes, a prefeitura estima que Cassilândia tenha atualmente entre 26 mil e 27 mil moradores. Ainda assim, a oferta de mão de obra já não acompanha o ritmo dos investimentos.

Segundo Rodrigo Freitas, empresas instaladas no município têm recorrido à contratação de profissionais de outras cidades e até de outros estados para preencher as vagas abertas.

A prefeitura mantém parcerias com o Sistema S, especialmente por meio do programa Cidade Empreendedora, do Sebrae/MS, para ampliar a qualificação profissional da população.

Mesmo assim, o prefeito afirma que o principal gargalo hoje deixou de ser a capacitação e passou a ser a disponibilidade de trabalhadores.

"Hoje o nosso maior gargalo é a mão de obra. Estamos investindo em qualificação, mas já faltam pessoas para atender à demanda das empresas. Muitas precisam buscar profissionais de outras cidades e até de outros estados para conseguir continuar crescendo."