ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
JANEIRO, QUINTA  29    CAMPO GRANDE 24º

Lado Rural

Clima seco no sul pressiona soja em fase crítica e eleva risco de perdas

Déficit de chuvas no fim de janeiro atinge lavouras em enchimento de grãos e atrasa colheita

Por Gustavo Bonotto | 28/01/2026 21:43
Clima seco no sul pressiona soja em fase crítica e eleva risco de perdas
Soja de desenvolve com mais dificuldade devido a falta de chuvas. (Foto: Arquivo/Aprosoja)

A falta de chuvas e a previsão de precipitações abaixo da média histórica colocaram produtores de soja da região sul de Mato Grosso do Sul em alerta até o fim de janeiro. A situação afeta áreas de Dourados, Caarapó, Itaporã, Ivinhema e Fátima do Sul. O problema ocorre após grande parte das lavouras entrar na fase de enchimento dos grãos, período decisivo para definição de peso e produtividade.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

A falta de chuvas e previsões de precipitações abaixo da média histórica preocupam produtores de soja no sul de Mato Grosso do Sul. O alerta é maior devido ao momento crítico das lavouras, que estão na fase de enchimento dos grãos, período decisivo para a definição da produtividade.Segundo a Aprosoja, apenas 51,2% das lavouras da região sul estão em boas condições, enquanto 42,9% são consideradas regulares e 5,9% ruins. Apesar dos problemas regionais, a estimativa estadual do Projeto SIGA-MS prevê produção de 15,1 milhões de toneladas de soja, com produtividade média de 52,8 sacas por hectare.

Segundo a Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja e Milho), a irregularidade das chuvas coincide com o momento de maior exigência hídrica da cultura. Na fase de enchimento de grãos, a soja depende de oferta contínua de água para garantir rendimento por hectare. A restrição hídrica nesse estágio tende a reduzir a produtividade, mesmo em lavouras que apresentavam bom desenvolvimento vegetativo.

Levantamento do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul) mostra que, entre 1º e 26 de janeiro, vários municípios do sul do Estado registraram volumes de chuva muito abaixo da média histórica. Em Fátima do Sul, o acumulado chegou a 67 milímetros, o que representa déficit de 62% em relação ao volume esperado para o período.

O cenário preocupa porque o déficit se soma à perspectiva de chuvas abaixo do padrão nos próximos meses. A média histórica de precipitação em Mato Grosso do Sul entre fevereiro e abril varia de 300 a 500 milímetros. As projeções climáticas indicam, no entanto, chuvas irregulares e volumes inferiores à média nesse trimestre.

Dados da Aprosoja apontam que a região sul concentra o quadro mais delicado da safra no Estado neste momento. Apenas 51,2% das lavouras estão classificadas em boas condições. Outras 42,9% aparecem como regulares, enquanto 5,9% já apresentam condição considerada ruim.

Técnicos que acompanham a safra associam o desempenho inferior à combinação de fatores climáticos e estruturais. Solos mais arenosos, comuns em parte da região, reduzem a retenção de umidade. As altas temperaturas elevam a evapotranspiração. A baixa população final de plantas em algumas áreas limita o potencial produtivo, mesmo quando há recuperação parcial das chuvas.

O impacto das condições climáticas também aparece no ritmo da colheita. Até 23 de janeiro, apenas 0,7% da área da região sul havia sido colhida. O índice supera o avanço registrado nas regiões centro e norte do Estado, mas fica abaixo do observado no mesmo período da safra passada.

No total, cerca de 23,4 mil hectares tiveram a colheita concluída em Mato Grosso do Sul. O atraso decorre, em parte, do desenvolvimento mais lento das lavouras neste ciclo, que não passaram por estresse severo antecipado, como ocorreu na safra anterior.

Na safra passada, a colheita avançou mais rápido devido à antecipação da maturação provocada por seca e calor excessivo. Neste ciclo, apesar do déficit recente de chuvas, as lavouras mantiveram ciclo mais próximo do padrão, o que empurrou o pico da colheita para fevereiro e março.

A expectativa é que a colheita ganhe ritmo a partir do início de fevereiro, com maior concentração entre fevereiro e a metade de março. O encerramento dos trabalhos está previsto para maio, conforme o cronograma técnico da cultura no Estado.

Mesmo com os problemas regionais, a estimativa estadual aponta produção de 15,1 milhões de toneladas de soja, com produtividade média de 52,8 sacas por hectare.