Pioneira em MS, Usina Sonora faz 50 anos e planeja novo ciclo de crescimento
Empresa projeta investir R$ 150 milhões para ampliar a moagem e a produção de etanol, açúcar e bioeletricidade
Muito antes de Mato Grosso do Sul nascer como Estado, uma usina começava a mudar a paisagem do extremo norte do então sul de Mato Grosso. Fundada em 15 de julho de 1976, mais de um ano antes da divisão territorial que criou MS, a Usina Sonora tornou-se a primeira indústria bioenergética sul-mato-grossense e ajudou a escrever parte da história do agronegócio estadual.
RESUMO
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A Usina Sonora, fundada em 15 de julho de 1976 no atual Mato Grosso do Sul, comemora 50 anos com um projeto de investimento de R$ 150 milhões para ampliar sua capacidade de moagem de 380 para 450 toneladas de cana por hora e aumentar a produção de açúcar em 56%. A empresa, que ajudou a fundar o município de Sonora, planeja alcançar 3 milhões de toneladas processadas por safra com modernização tecnológica e geração de 125 empregos diretos.
Cinco décadas depois, a empresa tem um ousado projeto de investimento de R$ 150 milhões para os próximos anos, com o objetivo de ampliar a produção, modernizar a planta industrial e aumentar a eficiência operacional, preparando-se para um novo ciclo de crescimento.
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O projeto prevê ampliar a capacidade de moagem da unidade dos atuais 380 para 450 toneladas de cana por hora, um incremento de aproximadamente 18%. Na produção de açúcar cristal branco, a capacidade passará de cerca de 2,4 milhões para até 3,75 milhões de sacas por safra, um aumento estimado em 56%. A fabricação de etanol será mantida nos níveis atuais, enquanto a cogeração de energia ganhará mais 7,5 MW destinados ao consumo interno da própria unidade.
A expansão ainda não foi executada, mas, quando for iniciada, terá um cronograma de aproximadamente dois anos. O projeto reúne modernização industrial, substituição de equipamentos e adequação tecnológica. A estratégia não prevê a construção de uma nova fábrica, mas a transformação da estrutura existente para eliminar gargalos operacionais, elevar a confiabilidade dos processos e melhorar o desempenho energético da usina.
Meio século de história antes e depois da criação de MS

A história da Usina Sonora começou de forma pouco comum. Seu fundador foi Maurício Coutinho Dutra, comandante de uma companhia aérea que operava voos entre Campo Grande e Cuiabá (MT). Durante uma dessas viagens, observou do alto uma extensa área de planície localizada no território do então município de Pedro Gomes. Encantado com o potencial agrícola da região, decidiu investir em uma destilaria de álcool combustível, aproveitando o momento de expansão proporcionado pelo Proálcool (Programa Nacional do Álcool), criado pelo Governo Federal para incentivar a produção de combustíveis renováveis.
Para colocar o empreendimento em funcionamento, convidou o sobrinho, o coronel do Exército Raul Kelvin Thuin, para integrar a sociedade. A empresa nasceu com outro nome: Destilaria Aquárius, em homenagem à esposa de Raul, Lúcia, nascida sob o signo de Aquário.
A produção experimental começou em 1978, e a primeira safra foi colhida em 1979. Naquele mesmo ano, outro personagem passou a fazer parte da história da empresa: o engenheiro civil Francisco Giobbi. Inicialmente sócio, ele assumiu posteriormente o controle da destilaria em um período marcado por dificuldades enfrentadas pelo setor sucroenergético. Para isso, firmou parceria com o grupo italiano Impregilo e remodelou completamente o empreendimento, que passou a se chamar Companhia Agrícola Sonora Estância, nome que mais tarde evoluiu para Usina Sonora.

O nome Sonora vem da admiração de Maurício Coutinho Dutra pelos clássicos filmes de faroeste. Ele inspirou-se no estado de Sonora, no México, que faz divisa com a Califórnia (Estados Unidos), onde as histórias de faroeste aconteciam.
Uma usina que ajudou a formar uma cidade
Mais do que expandir uma indústria, Francisco Giobbi acreditava que era necessário criar condições para fixar trabalhadores e suas famílias na região.
Segundo a empresa, ele entendia que o desenvolvimento não poderia se limitar à geração de empregos. Por isso, investiu na construção de moradias e em estruturas de saúde, educação, segurança e lazer para atender aos funcionários.

O núcleo urbano formado ao redor da usina cresceu ao longo dos anos e mudou a geografia da região. Em 1985, tornou-se distrito de Pedro Gomes. Três anos depois, conquistou a emancipação política e passou a constituir o município de Sonora.
"Construímos não apenas uma usina, mas também uma cidade", resume o atual diretor-presidente da empresa, Luca Giobbi, filho de Francisco e responsável por conduzir a companhia nesta nova fase de expansão.
Crescimento acompanhou a evolução do setor
Ao longo das últimas cinco décadas, a Sonora Estância acompanhou as transformações da indústria bioenergética brasileira. A fabricação de açúcar começou em 1994. Em 2019, entrou em operação a usina termelétrica para cogeração de energia. Em 2021, a empresa passou a exportar energia elétrica e, dois anos depois, implantou uma usina fotovoltaica.
Hoje, a companhia cultiva cerca de 30 mil hectares de cana-de-açúcar, emprega 1.833 colaboradores diretos, mantém parceria com quatro produtores rurais e produz aproximadamente 150 mil toneladas de açúcar, 85 milhões de litros de etanol e bioeletricidade.
Tecnologia para produzir mais sem ampliar a estrutura
Embora represente um dos maiores investimentos da história recente da empresa, o projeto anunciado não prevê a construção de uma nova linha industrial. A aposta está na modernização da planta existente.

Entre as principais mudanças previstas estão a eletrificação e a ampliação das moendas, o aumento da capacidade de geração de vapor, a implantação de um novo sistema de tratamento de caldo, novos aquecedores, decantadores, cristalizadores, centrífugas e sistemas de transporte de açúcar.
Segundo a empresa, essas intervenções permitirão reduzir limitações operacionais, aumentar a confiabilidade dos processos e melhorar a eficiência energética da unidade. O projeto também prevê ampliar em aproximadamente 1.700 hectares a área cultivada com cana, por meio de novas parcerias agrícolas, acompanhando o crescimento da capacidade industrial.
Durante a implantação das obras, deverão ser criados cerca de 125 empregos diretos. A expectativa é que, após a entrada em operação da planta ampliada, novas vagas permanentes sejam abertas para atender ao aumento da produção.
Novo ciclo mira 3 milhões de toneladas por safra
Para a Sonora Estância, o projeto de expansão vai além de um simples aumento de capacidade. Ele representa o primeiro passo de um planejamento estratégico de longo prazo.

A meta da companhia é preparar a usina para alcançar a marca de 3 milhões de toneladas de cana processadas por safra, mantendo o foco na modernização tecnológica, na eficiência industrial e na competitividade.
Novos investimentos já fazem parte do planejamento da empresa e serão executados gradualmente, conforme as condições de mercado e a evolução das operações. "Mais do que ampliar a capacidade industrial, este investimento marca o início de um novo ciclo de crescimento da empresa", afirma o diretor-presidente da Usina Sonora, Luca Giobbi, que sucedeu ao pai, Francisco Giobbi, no comando da empresa.



