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Lado Rural

Com 31% das lavouras ruins, queda na produção pode ser de 2 milhões de ton

Em relação à previsão anterior, de dezembro, a queda na produção chega a 1 milhão de toneladas

Por Lucia Morel | 20/01/2022 18:26
Lavoura de soja danificada em MS. (Foto: Aprosoja)
Lavoura de soja danificada em MS. (Foto: Aprosoja)

Com 31% das lavouras de soja de Mato Grosso do Sul consideradas em situação ruim, a previsão da safra 2021/2022 é de ser 13,84% menor que a de 2020/2021, quando a produção chegou a 13,3 milhões de toneladas, o que equivale a 62 sacas por hectare do grão.

Estima-se que neste ano, a produção seja de 11,4 milhões de toneladas ou 50 sacas por hectare. São 3,7 milhões de hectares plantados em MS e 57 municípios em situação emergencial.

O prognóstico de redução de quase 2 milhões de toneladas é da Aprosoja (Associação Brasileira dos Produtores de Soja) através do Siga-Famasul (Sistema de Informação Geográfica do Agronegócio da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul) em levantamento realizado entre os dias 1º e 18 deste mês em que se avalia o impacto da estiagem nas lavouras.

Em relação à previsão anterior, de dezembro, a queda na produção chega a 1 milhão de toneladas, já que até então previa-se 12,4 milhões de toneladas e 53 sacas por hectare nesta safra (2021/2022).

Pela análise, o maior causador dos danos é a falta de chuvas. “Em janeiro as condições não foram das melhores no estado, as chuvas previstas para o período não foram confirmadas devido a um bloqueio atmosférico, além de altas temperaturas”, cita o documento.

Com isso, a primeira fase de desenvolvimento das plantas foi adequado até dezembro mas justamente durante a fase de reprodução, “desde o florescimento ao enchimento de grão, a seca causada nesses períodos são irreversíveis, onde atua diretamente na reserva nutricional do grão (lipídios, carboidratos e proteínas)”, sustenta o relatório.

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Em todo Estado haverá perdas, mas nas regiões mais afetadas, “os sintomas encontrados vão desde a morte de plantas (reduzindo drasticamente o stand de plantas na lavoura), amarelamento das folhas, nanismo de plantas, enrolamento das folhas, queda de folhas e aceleramento das fases fenológicas (planta entra em senescência mais rápido)”.

Diante disso, 57 municípios foram avaliados como emergenciais na situação de suas lavouras. “Para ser categorizado como emergencial, o município deve apresentar mais de 40% das lavouras regulares ou a soma de lavouras ruins e regulares em acima de 40%”, cita a Aprosoja.

Estado – para o secretário de Meio Ambiente, Produção e Agricultura Familiar, Jaime Verruck a situação é extremamente preocupante. “Na última semana tivemos uma piora significativa das condições da soja, inclusive com a ampliação além daquelas áreas mais críticas da região sul do Estado” salientou.

A realidade tende, conforme o secretário, ser ainda pior. “O cenário não e positivo e a tendência é que este ruim e regular ainda possam culminar numa redução adicional de safra”, argumentou.

Dentre as formas de mitigação das perdas, o Governo do Estado decretou emergência devido à seca e muitos produtores entraram com pedido de seguro. Mas até aqueles que não tem, podem ser beneficiados.

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“Todos os produtores que não são cobertos pelo seguro agrícola podem solicitar a prorrogação das suas parcelas. Mas durante esta semana, já elaboramos um documento junto com a Famasul e a Semagro com participação dos sindicatos rurais solicitando medidas adicionais de ajuda”, relembrou.

Ainda há expectativa de ajuda do governo federal, através do Ministério da Agricultura. “Neste momento, o Mapa está fechando documento para ajuda adicional aos produtores, além das previstas no âmbito das seguradoras. Então isso e um movimento importante nas próximas semanas a ministra Tereza Cristina deve estar anunciando as ações de ajuda aos estados do Rio Grande do sul, Santa Catarina, Paraná e MS que foram muito afetados pela estiagem”.

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