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Lado Rural

Com 80% da soja colhida, MS caminha para bater meta de 13,8 milhões de toneladas

Presidente da Aprosoja-MS, Jorge Michelc, fala à coluna dos desafios dos sojicultores nesta safra em MS

Por José Roberto dos Santos | 20/03/2024 15:21
Colheitadeiras avançam sobre área plantada de soja em propriedade de Mato Grosso do Sul. (Fotos: Divulgação/Aprosoja-MS)
Colheitadeiras avançam sobre área plantada de soja em propriedade de Mato Grosso do Sul. (Fotos: Divulgação/Aprosoja-MS)

Até a data de 15 de março, a área colhida de soja em Mato Grosso do Sul e acompanhada pelo Projeto Siga-MS (Sistema de Informações Geográficas do Agronegócio) alcançou 79,3%. A região sul está com a colheita mais avançada, com média de 83,3%, enquanto a região centro está com 77,7% e a região norte com 65,3% de média. A área colhida até o momento, conforme estimativa do Siga, é de aproximadamente 3,382 milhões de hectares.

A porcentagem de área colhida na safra 2023/2024 encontra-se superior em 14,8 pontos percentuais em relação ao ciclo 2022/2023, para a data de 15 de março.

Segundo o Boletim Casa Rural publicado pelo Sistema Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul), a estimativa é que a safra seja 6,5% maior em relação ao ciclo anterior (2022/2023), atingindo uma área de 4,265 milhões de hectares. A produtividade estimada é de 54 sacas por hectare. A média de sacas por hectare está dentro do potencial produtivo observado nas últimas 5 safras do Estado, o que gera uma expectativa de produção de 13,818 milhões de toneladas. No ciclo 2022-23 o Estado colheu 15 milhões de toneladas.

A perda estimada por especialistas na produção de soja neste atual ciclo é de 2 milhões de toneladas, queda esta atribuída a fatores climáticos, principalmente estiagem e fortes temperaturas que afetaram as lavouras em diferentes estágios da cultura, comprometendo a produtividade.

Sojicultores enfrentam o tempo, o mercado e os altos custos de produção 

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 "Até o momento, a menor média registrada foi em Dourados, com 15 sc/ha e a maior média foi em Chapadão do Sul e Costa Rica, com 85 sc/ha." – JORGE MICHELC, presidente da Aprosoja-MS

Em entrevista por email à coluna Lado Rural, o presidente da Aprosoja-MS (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul), Jorge Michelc, fala desta perda de produtividade da soja, de mercado do grão – que está desvalorizado neste ciclo em relação ao ciclo passada e também dos desafios enfrentados pelos agricultores   nesta safra, em seus derradeiros momentos.

Confira  a seguir:

Lado Rural – Presidente, há certa controvérsia entre números apresentados na safra, principalmente relação à produtividade da soja. Em MS, qual é a produtividade média do grão neste ciclo já com praticamente 80% da área colhida?

Jorge Michelc – A Aprosoja/MS trabalha com estimativa de safra baseada nos números dos últimos cinco anos. Nesta safra, a estimativa inicial prevê uma área de 4,2 milhões de hectares (+6,5%*), produção de 13,8 milhões toneladas (-7,92%*) e produtividade de 54 sc/ha (-13,52%*) *em relação à safra anterior.

Lado Rural – Com o fim do prazo da declaração da área plantada de soja, uma exigência da Iagro-MS, confirmou-se as 4,265 milhões de hectares plantadas?

Jorge Michelc – A confirmação dessa informação, por meio do levantamento do Projeto SIGA/MS, que é executado pela Aprosoja/MS, ocorrerá após a conclusão da colheita, porque os técnicos estão a campo para apuração das áreas

Lado Rural – Como o senhor avalia os efeitos do clima (temperaturas altas e estiagem, basicamente) sobre a produtividade e produção da soja em MS?

Jorge Michelc – Tivemos uma safra de grandes desafios provocados pela questão climática, principalmente no período inicial e enchimento de grãos. Esses fatores implicaram no replantio de 243,7 mil hectares, equivalente a 5,7% da área estimada, além de uma queda de produtividade que está em plena apuração pela equipe técnica de campo. Por ora, o que podemos afirmar como números preliminares é que até o momento, a menor média registrada foi em Dourados, com 15 sc/ha e a maior média foi em Chapadão do Sul e Costa Rica, com 85 sc/ha. Vale ressaltar que esses números preliminares estão sendo divulgados semanalmente, até a conclusão do levantamento de produtividade em todo o Estado. Os detalhes de cada município amostrado até agora estão disponíveis no Boletim completo.

Lado Rural – Há regiões do Estado com um índice muito aquém de produtividade?

Jorge Michelc – A Aprosoja/MS trabalha com dados apurados in loco pela equipe técnica. Contudo, há relatos de produtores com produtividade muito abaixo do que o esperado que, inclusive, fica longe de cobrir os custos de produção. Por tanto, apesar de ouvirmos diversos relatos de quebra de safra no Estado, o que podemos afirmar com números de campo é que o estado está com uma grande discrepância entre as áreas, conforme mostrou o levantamento preliminar desta semana.

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"Neste cenário de queda de produtividade e preço do produto, o fluxo de caixa das propriedades fica comprometido, impactando no pagamento de financiamentos de custeio e investimento."

Lado Rural – Nesse momento em que a colheita encontra-se o senhor diria que qual é a maior preocupação do produtor?

Jorge Michelc – A maior preocupação do produtor é, sem dúvidas, o cumprimento de suas obrigações financeiras. Neste cenário de queda de produtividade e preço do produto, o fluxo de caixa das propriedades fica comprometido, impactando no pagamento de financiamentos de custeio e investimentos, despesas da propriedade e implantação das culturas subsequentes.

Lado Rural – Vai ser preciso acionar neste ciclo o mecanismo do seguro rural?

Jorge Michelc – Os produtores que tiveram a produção reduzida precisarão fazer uso deste recurso sim. Inclusive, é importante salientar que é indicado que o produtor procure a instituição credora antes do vencimento da primeira parcela, para solicitar a prorrogação da dívida agrícola.

Lado Rural – Por que o preço do grão está tão baixo neste ciclo em relação ao ano passado?

Jorge Michelc – No mesmo período do ano passado, o preço estava em torno de R$ 150,00 e atualmente, a saca está por volta de R$ 100,00. Este cenário é justificado pela boa oferta dos principais players produtores de soja, que são os Estados Unidos e Argentina.

Lado Rural – Em relação aos preços atuais da soja, o valor recebido cobre os custos de produção?

Jorge Michelc – De acordo com o custo de produção realizado pelo departamento econômico da Aprosoja/MS, que se baseou em uma produtividade média de 60 sc/ha, ao preço médio de R$ 120,00/sc, o custo por hectare em sc/ha na safra 23/24 é de 51,42 sc, incremento de 20% em relação à safra anterior; custo em R$/ha é de R$ 6.170,61, redução de 10% em relação à safra anterior; e o preço da saca apresentou queda de 33%, no momento da formulação do custo, quando a saca estava sendo cotada em R$120,00, contra os R$180,00 do ciclo anterior.

Lado Rural – Para finalizar, o senhor acredita que haverá (e por quais motivos) uma reação do preço da soja no mercado?

Jorge Michelc – De acordo com o cenário atual, a tendência é de que os preços se mantenham neste patamar. O Brasil e os EUA estão apresentando redução nas safras, enquanto a Argentina tem mostrado uma possível recuperação de safra em relação aos ciclos anteriores, o que deve suprir a demanda mundial. Além disso, a China tem atendido a oferta dos EUA, que é favorecida pela logística de transporte.

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