Nova geração de soja aposta em produtividade e menor uso de defensivos
Novas cultivares mostram como inovação continua transformando sistemas produtivos

A pesquisa agrícola brasileira avança mais uma etapa na corrida por lavouras mais produtivas e sustentáveis. Durante o Dia de Campo da Competição de Cultivares de Soja – Agrobrasília 2026, realizado nesta sexta-feira (20), a Embrapa Cerrados apresentou duas novas tecnologias voltadas ao aumento da eficiência no campo: a cultivar BRS 6981 IPRO e uma nova linhagem em fase de pré-lançamento, pertencente ao grupo de maturidade 7.3.
RESUMO
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Os materiais foram desenvolvidos em parceria com a Fundação Cerrados e chegam ao mercado com uma proposta clara: elevar o teto produtivo aliado a resistências genéticas que ajudam a reduzir a necessidade de aplicações químicas. Na prática, isso significa menor custo operacional, mais estabilidade produtiva e ganhos ambientais ao longo da cadeia da soja.
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Comparação em condições reais
As novidades foram apresentadas dentro da competição de cultivares, um ensaio técnico conduzido em condições reais de campo. O modelo permite comparar variedades sob o mesmo manejo, época de plantio e critérios padronizados, oferecendo ao produtor dados mais confiáveis sobre desempenho agronômico.
Nesta edição, participam 20 empresas, com avaliação de 53 cultivares. O resultado final será divulgado no dia 30 de abril.
Na abertura do evento, o chefe-geral da Embrapa Cerrados, Jorge Werneck, ressaltou que ampliar o leque de opções é essencial diante da diversidade de ambientes produtivos. Segundo ele, novas variedades permitem que produtores ajustem seus sistemas e alcancem melhores resultados técnicos e econômicos.
Cultivar precoce abre espaço para segunda safra
Apresentada pelo pesquisador André Ferreira, a BRS 6981 IPRO pertence ao grupo de maturidade 6.9 e é considerada precoce, com ciclo entre 100 e 105 dias. A característica favorece o planejamento da segunda safra, especialmente do milho, com maior segurança de calendário.
A recomendação é de população entre 360 mil e 400 mil plantas por hectare. Além do alto potencial produtivo, o material apresenta resistência às raças 1 e 3 do nematoide de cisto, resistência moderada aos nematoides de galha e também à ferrugem asiática da soja — um dos principais desafios sanitários da cultura.
A combinação entre precocidade e resistência genética tende a reduzir a pressão de doenças e, dependendo da região e da janela de plantio, diminuir a necessidade de fungicidas e nematicidas.
Pré-lançamento supera cultivares comerciais
A segunda novidade, ainda em fase de pré-lançamento, integra o grupo de maturidade 7.3 e possui ciclo entre 112 e 115 dias, com tecnologia Intacta 2 Xtend. A população indicada gira em torno de 340 mil plantas por hectare.
Nos ensaios comparativos, o material apresentou desempenho superior às cultivares comerciais, com ganhos de produtividade entre 12% e 14%. Em condições favoráveis, o potencial pode alcançar de 80 a 100 sacas por hectare. A linhagem também demonstra resistência moderada ao nematoide javânica e permite estruturar uma segunda safra com maior previsibilidade.
Meio século de transformação agrícola
Durante a apresentação, Ferreira relembrou que o avanço atual é resultado de mais de cinco décadas de pesquisa. Quando os primeiros estudos começaram, a produção de soja era concentrada no Sul do país e havia dúvidas sobre a viabilidade da cultura em novas regiões.
O processo de tropicalização da soja, aliado à correção de solos, ajustes de fertilidade e melhoramento genético, transformou o cenário agrícola nacional. Hoje, a área cultivada no país se aproxima de 50 milhões de hectares, consolidando a cultura como um dos pilares do agronegócio brasileiro.
Olhar para o futuro da lavoura
Segundo os pesquisadores, os investimentos seguem focados em diferentes plataformas tecnológicas — da soja convencional às tecnologias mais recentes, como Intacta, Intacta 2 Xtend e novas gerações em desenvolvimento.
O objetivo permanece o mesmo: aumentar produtividade, reduzir custos e garantir sustentabilidade econômica e ambiental no longo prazo. Como resumiu o pesquisador, a prioridade continua sendo assegurar a viabilidade da atividade agrícola diante dos desafios climáticos, sanitários e de mercado que moldam o futuro da produção de alimentos.

