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Lado Rural

Crédito rural em MS fecha safra com queda de 21% e reforça cenário de restrição

Estado contratou R$ 14,64 bilhões no Plano Safra 25/26 e entidades apontam ambiente financeiro mais restritivo

Por Jhefferson Gamarra | 23/07/2026 14:58
Crédito rural em MS fecha safra com queda de 21% e reforça cenário de restrição
Máquina operando na colheita de soja (Foto: Divulgação/Aprosoja MS)

O encerramento do Plano Safra 2025/26 consolidou um cenário de retração no mercado de crédito rural em Mato Grosso do Sul. Levantamento da Aprosoja/MS mostra que os produtores contrataram R$ 14,64 bilhões ao longo do ciclo, volume 21,3% inferior ao registrado na safra anterior, refletindo um ambiente financeiro mais restritivo e maior seletividade das instituições na concessão de financiamentos.

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O Plano Safra 2025/26 encerrou com retração de 21,3% no crédito rural em Mato Grosso do Sul, com R$ 14,64 bilhões contratados, segundo a Aprosoja/MS. O custeio caiu 22,5% e a comercialização recuou 59,6%. Bancos públicos responderam por 59,6% do crédito. No Brasil, a queda foi de 9,9%, totalizando R$ 345,6 bilhões. O novo Plano Safra 2026/27 prevê R$ 622,4 bilhões, alta nominal de 1,7%, insuficiente para cobrir a inflação.

Os dados mostram que apenas no mês de junho, último do ciclo, foram contratados R$ 943,8 milhões em crédito rural no Estado. O montante representa queda de 22,3% em relação a maio deste ano e retração de 40,1% na comparação com junho de 2025, encerrando a safra em ritmo desacelerado.

O levantamento aponta que a redução ocorreu nas principais modalidades de financiamento. As operações de custeio, responsáveis pela maior parte dos recursos destinados ao setor, caíram 22,5%, passando de R$ 12,4 bilhões para R$ 9,62 bilhões. Os financiamentos para investimento recuaram 13,8%, totalizando R$ 3,61 bilhões, enquanto os recursos voltados à comercialização sofreram a maior retração, de 59,6%, encerrando a safra com R$ 622,9 milhões contratados. A única modalidade que apresentou crescimento foi a industrialização, que avançou 68,7%, chegando a R$ 782,5 milhões.

Mesmo com a retração, o custeio permaneceu como a principal finalidade do crédito rural no Estado, concentrando 65,7% de todos os recursos contratados durante a safra. A agricultura respondeu por 62% do volume total financiado, enquanto a pecuária representou 38%.

Em junho, o custeio também liderou as operações, somando R$ 624,6 milhões, equivalente a 66% do crédito disponibilizado no mês. A agricultura contratou R$ 488,7 milhões, enquanto a pecuária movimentou R$ 455,1 milhões, ambos com volumes inferiores aos registrados no mesmo período do ano passado.

Entre os programas oficiais, o Pronamp foi o principal canal de financiamento dos médios produtores, com R$ 2,88 bilhões contratados ao longo da safra. Já o Pronaf respondeu por R$ 625,7 milhões. O levantamento também mostra que os bancos públicos permaneceram como principal fonte de financiamento, responsáveis por 59,6% do crédito concedido no Estado. As cooperativas de crédito responderam por 20% das operações, consolidando-se como alternativa cada vez mais relevante para os produtores rurais sul-mato-grossenses.

No cenário nacional, o crédito rural também apresentou retração. O Brasil encerrou o Plano Safra 2025/26 com R$ 345,6 bilhões contratados, redução de 9,9% em relação ao ciclo anterior. Mato Grosso do Sul respondeu por 4,2% desse volume.

Com o início do Plano Safra 2026/27, em 1º de julho, o governo federal anunciou R$ 622,4 bilhões em recursos, aumento nominal de 1,7% sobre o ciclo anterior. O novo plano também reduziu as taxas de juros em diversas linhas de financiamento, incluindo Pronamp, custeio empresarial e programas de investimento.

Apesar disso, a análise econômica da Aprosoja/MS avalia que o crescimento nominal dos recursos não é suficiente para compensar a inflação acumulada no período, o que representa redução do crédito em termos reais. Além disso, destaca que parte crescente das operações depende de recursos livres das instituições financeiras, cujas taxas seguem as condições de mercado e tendem a ser mais elevadas.

Segundo a entidade, a ampliação efetiva do acesso ao crédito ao longo da safra 2026/27 dependerá da disponibilidade de recursos subsidiados, da capacidade de equalização das taxas de juros pelo Governo Federal e da situação financeira dos produtores. Esses fatores devem continuar determinando o ritmo das contratações no Estado durante o novo ciclo agrícola.