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Lado Rural

Feijão: tecnologia reduz em 50% gás que mais aquece o planeta no Cerrado

Técnica sustentável diminui gás de efeito estufa até 300 vezes mais poluente que o CO₂

Por José Cândido | 27/01/2026 09:59
Feijão: tecnologia reduz em 50% gás que mais aquece o planeta no Cerrado
A foto acima mostra câmara de captura de emissão de óxido nitroso por lavoura de feijão em sistema ILP - Foto: Márcia Thaís

A cada safra de feijão no Cerrado, bilhões de grãos são colhidos Brasil afora. Mas nem todos sabem que, por baixo da terra vermelha, uma batalha climática acontece todos os dias entre o solo, os fertilizantes e o clima do planeta.

RESUMO

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Pesquisa da Embrapa revela que o uso de bactérias fixadoras de nitrogênio na produção de feijão no Cerrado pode reduzir em até 50% a emissão de óxido nitroso, um gás de efeito estufa 300 vezes mais potente que o dióxido de carbono.A técnica, que substitui a adubação mineral tradicional por bactérias como Rhizobium e Azospirillum, mantém a produtividade da cultura e reduz custos para os agricultores. O método já é amplamente utilizado na produção de soja no Brasil, onde fornece até 80% do nitrogênio necessário para o cultivo.

Pesquisa recente da Embrapa revela que técnica simples — mas ainda pouco utilizada — pode cortar pela metade a emissão de um dos gases mais potentes do efeito estufa em lavouras de feijão.

O inimigo invisível no solo

O gás em questão é o óxido nitroso (N₂O), liberado principalmente quando solos agrícolas recebem adubo nitrogenado. Mesmo em pequenas quantidades, ele tem potencial de aquecimento global aproximadamente 300 vezes maior que o dióxido de carbono.

Ou seja: enquanto o CO₂ é o protagonista nas discussões climáticas, o N₂O — muito mais poderoso — age sorrateiramente, escapando do solo para a atmosfera com grande impacto ambiental.

O que a pesquisa descobriu

Cientistas da Embrapa testaram diferentes formas de cultivar feijão em sistema de integração lavoura-pecuária no Cerrado. Em uma das parcelas, os grãos foram cultivados com apenas coinoculação de bactérias fixadoras de nitrogênio e produtoras de hormônios vegetais no lugar do adubo mineral tradicional.

O resultado surpreendeu:

Quando o feijão dependia apenas da fixação biológica de nitrogênio, a emissão total de óxido nitroso no solo foi até 50% menor do que em áreas com adubação mineral convencional.

Essa técnica usa bactérias — como Rhizobium e Azospirillum — que “capturam” nitrogênio do ar e o transformam em forma que a planta pode usar. É quase como se o feijão tivesse seu próprio adubo natural, com menos prejuízo para o clima.

Resultado duplo: solo mais saudável, bolso também

Além de reduzir emissões, a fixação biológica de nitrogênio preservou produtividade, algo essencial para garantir que o feijão continue abundante e acessível nas mesas brasileiras. Essa é uma boa notícia para agricultores que enfrentam custos altos de fertilizantes — que, além de caros, estão sujeitos à volatilidade do mercado internacional.

Esse tipo de tecnologia já é amplamente utilizada na cultura da soja no Brasil, onde permite que até 80% do nitrogênio necessário venha diretamente da fixação biológica, economizando adubo e reduzindo impactos ambientais.

Por que isso importa para Campo Grande e o Centro-Oeste

O Cerrado — bioma que reina em grande parte de Mato Grosso do Sul — é um dos principais celeiros agrícolas do país. A difusão de técnicas que reduzem a emissão de gases de efeito estufa pode transformar a pecuária e a agricultura da região em modelos de produção sustentável, sem sacrificar a produtividade.

Para um estado em que o feijão e outras leguminosas são culturas importantes em diversas cadeias produtivas, a adoção desse tipo de tecnologia representa não só um avanço ambiental, mas também econômico para os agricultores que buscam reduzir custos e riscos climáticos.