Genética, negócios e shows: Expogenética quer movimentar R$ 200 milhões
Com entrada gratuita, evento quer aproximar a população urbana da tecnologia e da evolução da pecuária

A Expogenética MS prepara uma edição maior em 2026, com a ambição de movimentar mais de R$ 200 milhões em negócios e superar os cerca de 140 mil visitantes registrados no ano passado. Durante 11 dias, Campo Grande será palco de genética bovina, leilões, tecnologia, rodeio e entretenimento, numa programação que terá ainda show de Leonardo e etapa oficial da PBR.
RESUMO
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A terceira edição será realizada entre 29 de outubro e 8 de novembro, no Parque de Exposições Laucídio Coelho. A entrada no Parque será gratuita, com cobrança apenas para áreas VIP e camarotes.
O tamanho da programação dá dimensão da aposta dos organizadores. Estão previstos aproximadamente 25 leilões, julgamentos de animais, provas equestres, rodada de negócios, ações sociais, atividades culturais e parque de diversões. A estimativa de R$ 200 milhões considera não apenas a comercialização de animais, mas operações financeiras, máquinas, equipamentos, consórcios e outros negócios ligados à cadeia produtiva.
Mais do que uma exposição de animais, a feira tenta transformar a genética em uma vitrine do avanço da pecuária sul-mato-grossense. Mato Grosso do Sul ocupa posição de destaque na produção nacional de carne e vem incorporando tecnologia para produzir mais, com maior eficiência e qualidade.
Para o presidente da Nelore-MS, Paulo Matos, a Expogenética nasceu justamente para colocar o Estado no centro das discussões sobre a evolução da pecuária brasileira. Segundo ele, o crescimento do setor está diretamente ligado aos investimentos em genética, sanidade, produtividade e sustentabilidade.
“O mundo hoje depende da nossa carne, nós alimentamos o planeta, e Mato Grosso do Sul é o expoente desse resultado”, afirmou.
Do curral para a cidade
Um dos desafios da feira é fazer com que esse universo ultrapasse as porteiras. A estratégia é transformar o Parque Laucídio Coelho em ponto de encontro entre quem produz no campo e quem vive na cidade.
O presidente da Acrissul, Guilherme Bumlai, avalia que a exposição permite ao consumidor conhecer melhor o caminho percorrido até que a carne chegue à mesa. Animais de alta qualidade genética ajudam a mostrar, na prática, o resultado de décadas de seleção, pesquisa e investimento.
A proposta explica a mistura de programação técnica com atrações voltadas às famílias. “Nós fazemos um evento de negócio, de entretenimento, de cultura, de turismo e também oportunizando para a nossa população poder participar”, resumiu Paulo Matos.
Leonardo e rodeio ampliam público
A edição deste ano também marca a estreia da AgroPlay na produção de um evento desse porte em Mato Grosso do Sul. O primeiro artista confirmado é Leonardo, que se apresenta em 31 de outubro.
Sócio-fundador e diretor-geral da empresa, Rodolfo Alessi, natural de Sete Quedas, afirma que o projeto não ficará restrito aos shows. A intenção é criar experiências em diferentes espaços do Parque e ampliar o caráter de entretenimento da feira.
Na arena, a Expogenética mantém outra atração que ganhou espaço nas edições anteriores. Pelo terceiro ano consecutivo, Campo Grande receberá uma etapa da Professional Bull Riders (PBR).
As montarias serão realizadas em 30 e 31 de outubro e 1º de novembro, reunindo competidores e touros do circuito nacional. A etapa terá transmissão pelo BandSports, projetando a feira e Campo Grande para além das fronteiras estaduais.
Inclusão ganha espaço
A expansão da Expogenética também passa pela acessibilidade. Depois da implantação de salas sensoriais e estruturas adaptadas na edição anterior, a organização pretende ampliar as ações destinadas a pessoas com deficiência, crianças neurodivergentes e suas famílias.
A primeira-dama de Mato Grosso do Sul, Mônica Riedel, destacou que grandes eventos precisam estar preparados para receber públicos diferentes e permitir que as famílias participem efetivamente da programação.
“É dar uma oportunidade para essas famílias, para que as pessoas possam participar do evento e também se sentir pertencendo a esse momento”, afirmou.
A agenda social terá ainda um leilão beneficente em 7 de novembro, com recursos destinados a entidades e projetos sociais. Segundo a organização, iniciativas semelhantes arrecadaram mais de R$ 50 mil na edição anterior.
Pecuária como tecnologia e negócio
A Expogenética chega à terceira edição tentando mostrar uma pecuária cada vez mais distante da imagem de atividade baseada apenas em grandes extensões de terra e rebanhos. Genética, ciência, tecnologia, produtividade e sustentabilidade passaram a fazer parte de uma cadeia que movimenta diferentes setores da economia.
É justamente essa dimensão que a feira pretende colocar diante do público: de um lado, animais de elite, leilões e negócios milionários; do outro, música, rodeio, cultura e atividades para famílias.
Se alcançar a projeção de mais de R$ 200 milhões em negócios e ultrapassar 140 mil visitantes, a Expogenética reforçará seu espaço não apenas no calendário do agronegócio, mas também entre os grandes eventos de Campo Grande.
Por 11 dias, o Parque Laucídio Coelho será uma vitrine de uma atividade que ajuda a sustentar a economia sul-mato-grossense — e que busca mostrar à população que, por trás do boi no pasto, existe uma cadeia cada vez mais movida por conhecimento, tecnologia e investimento.

