ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
OUTUBRO, QUINTA  01    CAMPO GRANDE 22º

Lado Rural

Fretes de grãos desaceleram em MS, mas seguem acima de 2025 em algumas rotas

Levantamento da Conab mostra recuos em nove rotas, estabilidade em quatro e altas em outras quatro

Por Jhefferson Gamarra | 01/10/2026 13:48
Fretes de grãos desaceleram em MS, mas seguem acima de 2025 em algumas rotas
Carreta abastecendo com grãos na atual safra em Mato Grosso do Sul (Foto: Divulgação/Aprosoja)

Os fretes agrícolas praticados nas principais rotas de escoamento de grãos de Mato Grosso do Sul tiveram predominância de queda ou estabilidade em agosto, mas o comportamento não foi uniforme entre os corredores. Das 17 rotas acompanhadas pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), houve redução mensal em nove, estabilidade em quatro e aumento em quatro. Na comparação com agosto de 2025, porém, oito trajetos apresentaram valores maiores, enquanto outros oito registraram queda e um permaneceu estável.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

Os fretes agrícolas nas principais rotas de escoamento de grãos de Mato Grosso do Sul ficaram estáveis ou em queda em agosto, segundo o Boletim Logístico da Conab. Das 17 rotas, nove tiveram redução, quatro ficaram estáveis e quatro subiram, com destaque para Maracaju–Paranaguá, que avançou 7,1%. Em relação a agosto de 2025, oito trajetos ficaram mais caros e oito mais baratos. A colheita do milho segunda safra chegou a 87% da área, sem pressão generalizada sobre os preços. O estado exportou 648,2 mil toneladas de soja e milho.

O cenário ocorre justamente durante o avanço da colheita do milho segunda safra no Estado, quando aumenta a necessidade de transporte da produção retirada das lavouras para armazéns, cerealistas, cooperativas e consumidores. Segundo a Conab, não houve pressão generalizada de alta sobre os fretes em agosto, apesar do aumento da movimentação de milho.

O levantamento integra o Boletim Logístico de setembro de 2026, divulgado pela Conab nesta quarta-feira (30). A análise acompanha os principais corredores de transporte de grãos em dez estados brasileiros.

Maracaju–Paranaguá teve maior alta no mês - Entre as rotas de Mato Grosso do Sul, a maior valorização em agosto ocorreu no trajeto entre Maracaju e Paranaguá (PR). O frete passou de R$ 266 para R$ 285 por tonelada, aumento de 7,1% em relação a julho.

Também houve alta na ligação entre Ponta Porã e Rio Grande (RS), de R$ 310 para R$ 320 por tonelada, variação de 3,2%. Na rota entre Maracaju e Maringá (PR), o preço passou de R$ 138 para R$ 142 por tonelada, alta de 2,9%.

Já o trajeto entre Sidrolândia e Santos (SP) teve aumento de 2,8%, com o valor subindo de R$ 282 para R$ 290 por tonelada.

Apesar dessas altas, os aumentos ficaram restritos a quatro dos 17 corredores monitorados.

Chapadão do Sul teve queda de até 9,4%

Entre as maiores reduções mensais está a rota de Chapadão do Sul para Guarujá (SP). O valor caiu de R$ 320 para R$ 290 por tonelada, recuo de 9,4%.

No mesmo município, o transporte para Paranaguá passou de R$ 315 para R$ 300 por tonelada, queda de 4,8%.

Em Ponta Porã, o frete para Maringá teve a maior redução mensal entre as rotas do município, passando de R$ 149 para R$ 138 por tonelada, recuo de 7,4%. Para Paranaguá, a queda foi de 2,9%, de R$ 280 para R$ 272.

Em Dourados, o frete para Rio Grande caiu 4,8%, de R$ 289 para R$ 275 por tonelada. Para Maringá, a redução foi de 0,8%, de R$ 120 para R$ 119, enquanto a rota para Paranaguá permaneceu em R$ 248 por tonelada.

Fretes de grãos desaceleram em MS, mas seguem acima de 2025 em algumas rotas

Comparação com 2025 mostra cenário dividido - Embora agosto tenha sido marcado pela acomodação das tarifas, a comparação com o mesmo mês do ano passado mostra um cenário mais dividido.

A maior alta anual foi registrada no trajeto entre Sidrolândia e Maringá, cujo frete passou de R$ 126 por tonelada em agosto de 2025 para R$ 147 neste ano, avanço de 16,7%.

Na sequência aparece a rota Maracaju–Paranaguá, com aumento de 14,9%, de R$ 248 para R$ 285 por tonelada. Sidrolândia–Paranaguá também ficou 10,8% mais cara no período, passando de R$ 249 para R$ 276.

Dourados–Maringá teve alta anual de 8,2%, enquanto Ponta Porã–Maringá aumentou 6,2%. Também houve avanço de 4,2% em Dourados–Paranaguá e de 3,2% nas rotas Ponta Porã–Rio Grande e Ponta Porã–Santos.

Por outro lado, o maior recuo anual foi registrado no trecho Sidrolândia–Santos, de R$ 320 para R$ 290 por tonelada, redução de 9,4%.

São Gabriel do Oeste–Santos teve queda de 7,6%, Chapadão do Sul–Guarujá recuou 6,5% e São Gabriel do Oeste–Maringá caiu 5,9%. Em Chapadão do Sul–Paranaguá, o valor ficou exatamente no mesmo patamar de agosto de 2025: R$ 300 por tonelada.

Colheita do milho aumenta movimentação - A dinâmica dos fretes em Mato Grosso do Sul está relacionada ao avanço da colheita do milho segunda safra. De acordo com a análise da Conab, a área colhida no Estado havia alcançado aproximadamente 87% até 28 de agosto, com os trabalhos praticamente concluídos na região Norte e ainda em andamento nas regiões Centro e Sul.

O avanço da colheita ampliou a necessidade de movimentação dos grãos entre propriedades rurais e unidades armazenadoras. Em algumas localidades, houve saturação de silos de cerealistas e cooperativas, com registros de filas para descarga, sinalizando limitações pontuais de recebimento e armazenagem.

Esse movimento, entretanto, não significou aumento generalizado dos fretes. A Conab aponta que a pressão logística ocorreu de maneira desigual, com a movimentação destinada à armazenagem convivendo com as entregas para os mercados consumidores.

Isso ocorre porque o volume colhido não é necessariamente igual ao volume comercializado ou transportado imediatamente para consumo. Parte dos grãos pode permanecer armazenada e ser retirada posteriormente, conforme contratos, demanda dos compradores e necessidade de reposição dos estoques.

Além das exportações, o mercado interno também exerce papel importante na demanda pelo transporte de milho produzido em Mato Grosso do Sul. O cereal é utilizado na nutrição animal e no processamento industrial, incluindo a produção de etanol, fazendo com que diferentes corredores sejam acionados conforme a necessidade dos consumidores.

Exportações de MS somaram 648,2 mil toneladas - No comércio exterior, Mato Grosso do Sul exportou 548,1 mil toneladas de soja e 100,1 mil toneladas de milho em agosto, totalizando 648,2 mil toneladas das duas commodities.

A soja respondeu pela maior parte desse volume, mas os embarques da oleaginosa recuaram em relação a julho. De acordo com a análise da Conab, essa redução, associada à sazonalidade da comercialização, pode ter contribuído para a acomodação dos fretes no Estado.

Os números de exportação, porém, não representam toda a movimentação rodoviária de grãos. Os registros não incluem cargas destinadas ao consumo interno e também não correspondem necessariamente ao total transportado por caminhões durante o mês.

Entre os principais portos utilizados para o escoamento da soja e do milho sul-mato-grossenses em agosto, Paranaguá (PR) recebeu 246,3 mil toneladas, São Francisco do Sul (SC) ficou com 214,6 mil toneladas e Santos (SP) recebeu 186,4 mil toneladas.

A distribuição ajuda a explicar a importância dos corredores que ligam as regiões produtoras de Mato Grosso do Sul aos portos do Sul e do Sudeste.

Soja sustenta demanda nacional por transporte - No cenário brasileiro, o mercado externo da soja continuou aquecido. Entre janeiro e agosto de 2026, o país exportou 92,7 milhões de toneladas da oleaginosa, crescimento de 7% em relação aos oito primeiros meses de 2025.

No caso do milho, os embarques acumulados chegaram a 14,5 milhões de toneladas, queda de 7,9% na comparação anual. Mesmo com a redução no volume exportado, a Conab destaca um cenário de valorização do cereal tanto no mercado brasileiro quanto internacional.

O Arco Norte respondeu por 38,85% das exportações brasileiras de soja entre janeiro e agosto, enquanto o porto de Santos concentrou 34,42%. No milho, a participação do Arco Norte foi ainda maior, chegando a 48,98%, seguida por Santos, com 27,08%.

O porto paulista também concentrou 44,02% dos embarques brasileiros de farelo de soja no período.

Fertilizantes - Do lado da entrada de insumos, as importações brasileiras de fertilizantes alcançaram 25,38 milhões de toneladas de janeiro a agosto, volume aproximadamente 13,7% menor que o registrado no mesmo período de 2025.

A movimentação de fertilizantes também integra a dinâmica logística do agronegócio, embora os dados de fretes analisados pela Conab estejam concentrados nas principais rotas de escoamento de grãos.

Dessa forma, o cenário observado em Mato Grosso do Sul em agosto combina avanço da colheita do milho, movimentação para armazenagem, demanda do mercado interno e exportações, sem que esses fatores tenham provocado uma alta generalizada nos fretes. Ao mesmo tempo, algumas rotas específicas, principalmente com origem em Maracaju, Sidrolândia e Ponta Porã, apresentaram aumentos no mês ou permanecem acima dos valores registrados um ano antes.