Inadimplência cresce no campo e já atinge 8,3% dos produtores
Alta nos custos, crédito restrito e margens apertadas ampliam pressão financeira no agronegócio
A inadimplência no agronegócio brasileiro atingiu 8,3% dos produtores rurais no terceiro trimestre de 2025, segundo levantamento da Serasa Experian. O índice subiu 0,9 ponto percentual na comparação anual e reflete o aumento da pressão financeira no campo, em meio aos custos elevados, crédito mais seletivo e oscilações de mercado.
RESUMO
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A inadimplência no agronegócio brasileiro chegou a 8,3% no terceiro trimestre de 2025, alta de 0,9 ponto percentual na comparação anual, segundo a Serasa Experian. A dívida média com instituições financeiras atingiu R$ 100,5 mil. Arrendatários e agricultores familiares lideram o índice, com 10,5%. O Sul registrou a menor taxa, com 5,5%, enquanto o Amapá teve a maior, de 19,8%. O AgroScore caiu de 644 para 603 pontos.
Os dados mostram que grande parte das dívidas está concentrada em instituições financeiras. No período analisado, 7,3% da população rural apresentou atrasos com bancos, cooperativas de crédito e fundos de investimento. Já os débitos ligados diretamente a fornecedores do agronegócio representaram 0,3% do total.
Segundo a empresa, o atual cenário indica que muitos produtores seguem com fluxo de caixa comprometido. O levantamento aponta que a desaceleração no ritmo de crescimento da inadimplência, de apenas 0,2 ponto percentual frente ao trimestre anterior, não reduziu o impacto financeiro sobre o setor.
A dívida média dos produtores inadimplentes com instituições financeiras chegou a R$ 100,5 mil no terceiro trimestre de 2025. Nos débitos diretamente ligados ao setor agropecuário, o valor médio alcançou R$ 130,3 mil. Em segmentos como transporte, armazenamento e seguros, a média ficou em R$ 31,7 mil.
O estudo também revelou diferenças entre os perfis de produtores. Arrendatários e agricultores familiares registraram inadimplência de 10,5%. Entre grandes produtores, o índice ficou em 9,2%. Médios produtores somaram 7,8%, enquanto pequenos alcançaram 7,6%.
O levantamento também mostrou queda no AgroScore, indicador que mede o perfil de crédito do produtor rural. A pontuação média caiu de 644 para 603 pontos entre o terceiro trimestre de 2024 e o mesmo período de 2025, sinalizando maior cautela das instituições financeiras na concessão de crédito ao agronegócio.


