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Lado Rural

Raio-x mostra 4,5 mil conflitos e pressão sobre terras em MS desde 2002

Mapa nacional mostra disputas fundiárias e reforça desafios históricos na gestão de direitos no campo

Por Viviane Monteiro, de Brasília | 27/04/2026 16:24
Raio-x mostra 4,5 mil conflitos e pressão sobre terras em MS desde 2002
Indígena recolhendo cápsulas após confronto em terra Guarani-Kaiowá em 2025 (Foto: Renato Santana/Cimi)

Um conjunto de 15 entidades nacionais lançou, nesta segunda-feira (27), o Observatório Socioambiental, plataforma que sistematiza, de forma inédita, dados de 1980 a 2023 sobre violações de direitos humanos, conflitos fundiários, desmatamento e trabalho escravo na esteira da expansão do agronegócio.

RESUMO

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Quinze entidades nacionais lançaram o Observatório Socioambiental, plataforma que reúne dados de 1980 a 2023 sobre violações de direitos humanos e conflitos fundiários ligados ao agronegócio. Mato Grosso do Sul registrou 4.560 ocorrências entre 2002 e 2023, com destaque para trabalho escravo e disputas por terra envolvendo povos indígenas guarani. No Brasil, assassinatos no campo dobraram em 2025, chegando a 26 vítimas em oito estados.

A ferramenta online mostra que Mato Grosso do Sul registrou 4.560 ocorrências entre 2002 e 2023, com predominância de disputas fundiárias, a maioria envolvendo povos indígenas guarani.

Raio-x mostra 4,5 mil conflitos e pressão sobre terras em MS desde 2002

Do total de ocorrências, 65,7% referem-se a trabalho escravo, totalizando 2.994 casos. Em seguida, aparecem os conflitos pela terra, incluindo ocupações, que correspondem a 24,7% (1.128 registros).

A série temporal indica que os maiores índices ocorreram em 2007, embora os dados permaneçam elevados até hoje, especialmente em regiões onde o agronegócio e a mineração avançam.

No Centro-Oeste, os conflitos são liderados por Goiás (6.291) e Mato Grosso (5.987).

A base histórica da ferramenta será atualizada anualmente, principalmente com informações da CPT (Comissão Pastoral da Terra), organismo vinculado à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e parceira central da iniciativa.

Raio-x mostra 4,5 mil conflitos e pressão sobre terras em MS desde 2002

A CPT divulgou nesta segunda-feira a 40ª edição do relatório Conflitos no Campo Brasil, referente a 2025, que aponta a permanência da violência no meio rural. Em Mato Grosso do Sul, foram registradas 44 ocorrências, sendo metade relacionada a ocupação e posse de terra. Os conflitos pela água, diante de poluição e destruição de nascentes, somaram cinco registros e envolvem também pequenos agricultores.

No Brasil, o número de assassinatos dobrou, passando de 13 vítimas em 2024 para 26 em 2025, distribuídas em oito estados e envolvendo sem-terra, indígenas e posseiros. Nesse contexto, houve um registro de morte em Mato Grosso do Sul. A maioria dos casos ocorreu na região da Amazônia Legal.

Apesar disso, o total de ocorrências de violência rural no país caiu de 2.207, em 2024, para 1.593 em 2025. Maranhão, Pará, Bahia e Rondônia lideram os registros, em regiões onde o agronegócio também vem avançando. Os principais agentes causadores de violência pela terra em 2025 foram fazendeiros, empresários, além dos governos federal e estaduais.

O presidente da CPT, Dom José Ionilton, defendeu o fortalecimento da democracia, da soberania e dos direitos humanos como forma de garantir políticas públicas capazes de reduzir a violência e os conflitos rurais. Ele também chamou atenção para a necessidade de renovação do Congresso Nacional nas eleições de 2026, como forma de evitar retrocessos no campo.

Raio-x mostra 4,5 mil conflitos e pressão sobre terras em MS desde 2002
Presidente da CPT, Dom José Ionilton, fala durante lançamento do estudo (Foto: Divulgação)

“Queremos terra, teto e trabalho para todas as pessoas, em todos os cantos. A eleição deste ano também é importante para o nosso trabalho como CPT, porque precisamos ajudar a construir um projeto que garanta essas políticas”, afirmou.

“Mais importante até do que governador e presidente, precisamos pensar no Congresso Nacional, na Câmara dos Deputados e no Senado, porque foi lá que tivemos no ano passado a ‘desgraça’ da lei de licenciamento ambiental, que é mais para destruir os nossos biomas”, disse em coletiva à imprensa, realizada na CNBB, em Brasília.

Parceria no mapa dos conflitos

O Observatório Socioambiental é liderado pelo ISPN (Instituto Sociedade, População e Natureza) e reúne organizações como WWF-Brasil, Imaflora, Instituto Centro de Vida, AidEnvironment, Global Canopy, Trase e o Observatório do Matopiba, entre outras entidades voltadas à produção de conhecimento e à defesa de territórios, povos indígenas e comunidades tradicionais.

O objetivo da iniciativa é evidenciar “uma realidade frequentemente invisibilizada: a de que a expansão da fronteira agrícola no Brasil tem sido acompanhada por violência, pressão sobre territórios e degradação ambiental”, conforme os organizadores da plataforma.

A plataforma está disponível em: https://plataforma.observatoriosocioambiental.com.br