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Meio Ambiente

Após 28 anos, lixão “fecha as portas” com polícia e queixas

Por Aline dos Santos e Mariana Lopes | 18/12/2012 09:27
Policiais e catadores ficaram em frente ao lixão.  (Foto: Luciano Muta)
Policiais e catadores ficaram em frente ao lixão. (Foto: Luciano Muta)

Em atividade há 28 anos, o lixão de Campo Grande, localizado na saída para Sidrolândia, "fecha as portas" hoje com a presença da polícia. Do lado de fora da gigantesca montanha de detritos, há efetivo da Guarda Municipal, PM (Polícia Militar), cavalaria e a Cigcoe (Companhia Independente de Gerenciamento de Crises e Operações Especiais), totalizando 45 militares. Além de oito cavalos e dois cães.

Dentro do lixão, funcionários da CG Solurb, consórcio que vai receber R$ 1,3 bilhão para gestão dos resíduos sólidos pelos próximos 25 anos, conversa com os catadores. Os 20 trabalhadores que começaram a coleta a meia-noite devem deixar o local para o fechamento. Eles vão permanecer até a conclusão da venda do material reciclável, os compradores puderam entrar no lixão até as 8h.

Descontentes, os catadores acompanham o fim do lixão. Inicialmente, eles cogitaram queimar pneus em protesto, mas desistiram diante da polícia. A reclamação veio em formas de tímidos gritos, como que a polícia deveria prender bandido. Líder dos catadores, Edna Chaves conta que conversou com os colegas para tentar evitar conflitos. De acordo com Edna, só metade dos trabalhadores aceitou fazer o treinamento para trabalhar na usina de triagem do aterro sanitário. Dos 120, 60 não concordaram.

José Guilherme Ferreira Filho, de 44 anos, dos quais três passados no lixão, foi um dos que não quis fazer a capacitação. Ele relata que não teve motivo específico para a negativa. Hoje, reclama do fechamento do local onde garante o ganha-pão. “Pegaram a gente desprevenido. De repente, vem e fecha”, afirma.

Ainda na manhã, os catadores vão participar de reunião com representantes da Solurb e Semadur (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável). De acordo com o major Adilson Macedo, tamanho efetivo trata-se de ação de presença, para evitar conflitos. “Podem ficar na frente, se manifestar. Não pode partir para agressão e obstrução, impedindo a entrada dos caminhões de lixo”, salienta o major.

Local funciona no Dom Antônio desde 1984. (Foto: Luciano Muta)
Local funciona no Dom Antônio desde 1984. (Foto: Luciano Muta)

Histórico - A montanha de lixo que se ergue na paisagem, no bairro Dom Antônio Barbosa, começou a nascer em 1984. Em 2010, um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) firmado entre a prefeitura e o MPE (Ministério Público Estadual) previa o fim do lixão, a criação de aterro sanitário e ativação de usina de processamento de lixo.

No ano passado, a produção anual do lixo em Campo Grande chegou a 252 mil toneladas. Se empilhado, o montante resultaria em 42 prédios de 18 andares. E foi no fim de 2011, exatamente no dia 28 de dezembro, que a tragédia se tornou maior do que o lixo. O menino Maikon Correia de Andrade, de 9 anos, morreu soterrado por detritos, chorume e degradação.

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