É preciso discutir o despejo irregular de lixo na Capital, diz Miglioli
Secretário aponta centenas de locais de descarte ilegal e que já foi à delegacia para falar sobre o problema
RESUMO
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O secretário de Obras e Serviços Públicos de Campo Grande, Marcelo Miglioli, alerta para a crescente preocupação com o despejo irregular de lixo na capital. Segundo levantamento técnico, existem aproximadamente 400 pontos de descarte inadequado, incluindo restos de poda e móveis, gerando custos extras para a Prefeitura. A situação levou à necessidade de utilizar a área do porto seco para destinação dos resíduos, resultando em investigação do Ministério Público. Miglioli defende um debate público sobre o tema e critica a falta de responsabilização dos particulares, que muitas vezes preferem pagar multas a manter suas calçadas limpas.
Campo Grande está se tornando um lixão a céu aberto, dispara o secretário de Obras e Serviços Públicos, Marcelo Miglioli, que defende que a cidade encampe um debate sobre os cuidados com a limpeza diante do volume de lixo que é despejado inadequadamente, como restos de poda e até móveis. Ele menciona que técnicos estimam a existência de cerca de 400 locais de descarte irregular, gerando uma demanda de limpeza que recai sobre o poder público e acaba onerando as despesas da Prefeitura.
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Diante do volume coletado, e que não é lixo orgânico a ser destinado ao aterro da Solurb, muito do que se recolhe é levado para a área do porto seco, no anel viário próximo à saída para Sidrolândia, situação que resultou em investigação no Ministério Público e o secretário e servidores precisaram prestar esclarecimentos na Polícia Civil, conforme ele contou em entrevista ao Podcast Na Íntegra. Miglioli teme que haja acusação da prática de crime ambiental à equipe.
Para ele, é preciso discutir a conduta de particulares, que são menos cobrados do que o poder público. Quando defende um debate público, o secretário não se refere somente ao lixo abandonado em qualquer lugar, mas também à despreocupação com as calçadas.
Compensa mais ele pagar a multa do que ele limpar a calçada. Cria-se uma agenda de só cobrar do poder público, mas temos que ter a cobrança do particular também”
Sobre o cuidado com as árvores que recai ao poder público, Miglioli explicou que será feita uma licitação para contratar empresas para a poda, manejo e limpeza. Para assegurar receita, o repasse virá da Cosip (Contribuição para Custeio do Serviço de Iluminação Pública), uma vez que o serviço é prejudicado pela falta de cuidado com as árvores, sejam danos à rede ou mesmo limitando a luminosidade das ruas.
Ruas - Na entrevista ao podcast, Miglioli explica que a prefeitura selecionou sete empresas para cuidar do recapeamento de vias em cada uma das regiões da cidade. A medida dispensará a necessidade de contratos pontuais e a forma como foi feita deverá resultar em economia porque a massa asfáltica será fornecida pelo consórcio público que a prefeitura integra.
A gente entende esse modelo como apropriado. Não teremos mais a necessidade de licitar rua por rua. Conforme a gente vai avançando no recapeamento, a gente vai diminuindo o gasto com tapa-buraco.”
O projeto de recapeamento de trechos danificados se comunica com o tapa-buracos, que é um serviço permanente, para minimizar o problema agravado pelas chuvas, e com a expansão da malha asfáltica. Campo Grande tem cerca de mil quilômetros de ruas não pavimentadas. O plano da prefeitura é de investir pelo menos meio bilhão em verba de financiamento, além de recursos assegurados pela bancada federal no orçamento da União e obras de asfaltamento que o Governo do Estado vai conduzir.
Miglioli também descreveu as ações previstas para o Bairro Noroeste, diante dos problemas de drenagem que repercutiram não só naquela comunidade, mas também produzindo enxurrada e estragos na Chácara dos Poderes e na saída para Três Lagoas. São várias frentes que superam R$ 100 milhões em recursos, além de uma obra de drenagem compensatória, que um condomínio que está se instalando na região fará.
Eleições e campanha - Por ser ano eleitoral, com disputa na esfera estadual e federal, o secretário, que é do PP e já concorreu ao Senado, admite que cogita desligar-se da pasta para se dedicar à campanha, seja disputando mandato no Legislativo ou mesmo participando de coordenação de campanha. Confirmando-se a saída, ela deve ocorrer no próximo mês, abril.

