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Meio Ambiente

Base de R$ 3,2 milhões em Campo Grande promete resposta em até 12h a emergência

Capital receberá base permanente de R$ 3,2 milhões para enfrentar calor, seca, fumaça e queimadas

Por Inara Silva | 16/09/2026 16:26
Base de R$ 3,2 milhões em Campo Grande promete resposta em até 12h a emergência
Equipes da Força Nacional atende indígenas em Dourados (Foto: Ministério da Saúde)

A crise climática é uma questão de saúde pública e exige que o SUS (Sistema Único de Saúde) se prepare, com base na ciência, para impactos que não são iguais em todo o país. A avaliação foi reforçada nesta quarta-feira (16) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante o Encontro com Jornalistas: Saúde, Clima e El Niño, que reuniu, de forma online, profissionais de imprensa de todo o Brasil.

RESUMO

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O Ministério da Saúde implementa uma estratégia de regionalização para preparar o SUS contra os impactos da crise climática e do fenômeno El Niño. Com foco na ciência e nas particularidades territoriais, a pasta investirá 3,2 milhões de reais em uma base permanente da Força Nacional do SUS em Campo Grande para atender o Centro-Oeste. A iniciativa visa agilizar a resposta a desastres, como secas e incêndios, garantindo assistência médica e insumos às populações vulneráveis em até 12 horas.

A estratégia apresentada pelo Ministério da Saúde parte justamente das diferenças entre os territórios. Enquanto algumas regiões precisam se preparar principalmente para chuvas intensas e inundações, outras enfrentam maior risco de seca, estiagem, calor e incêndios. Por isso, a pasta está regionalizando o monitoramento, o planejamento e a capacidade de resposta do SUS.

No Centro-Oeste, onde está Mato Grosso do Sul, o cenário esperado reúne ausência de chuvas, calor intenso, estiagem e risco de incêndios florestais. Entre os possíveis impactos sobre a saúde estão estresse térmico, problemas cardiorrespiratórios provocados pela fumaça, acidentes durante o manejo do fogo e dificuldade de acesso à água potável.

Campo Grande será um dos pontos dessa estrutura regionalizada. Como já informado pelo Campo Grande News, a Capital deve receber em novembro a Base Regional Centro-Oeste da FN-SUS (Força Nacional do SUS). A novidade obtida pela reportagem é que o investimento estimado será de R$ 3,2 milhões. O local onde a estrutura funcionará ainda está em definição.

Base permanente - A futura base será permanente e contará com equipe de prontidão. Segundo o Ministério da Saúde, poderá mobilizar Equipes de Resposta Rápida e módulos adicionais, dimensionados conforme a magnitude de cada ocorrência.

A pasta considera Campo Grande estratégica para atender o Centro-Oeste. A unidade poderá apoiar respostas a epidemias e surtos, eventos climáticos extremos, incêndios florestais, enchentes, desastres hidrogeológicos e tecnológicos e incidentes com múltiplas vítimas. Também poderá atuar em situações que comprometam o funcionamento dos serviços de saúde ou a continuidade de tratamentos essenciais.

A unidade da Capital integra a expansão regional da Força Nacional do SUS, que prevê nove bases nas cinco regiões do país em 2026. As três primeiras foram abertas no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Bahia. Também estão previstas unidades em Porto Velho, Belém, Manaus, Recife e Fortaleza.

A regionalização da FN-SUS pretende permitir resposta em até 12 horas nas emergências de saúde. Padilha explicou que a medida aproxima profissionais e equipamentos dos locais atingidos, incluindo hospitais de campanha e drones. A presença permanente das equipes nos territórios também amplia o contato com gestores estaduais e municipais e o conhecimento das características e vulnerabilidades locais.

Além da estrutura da Força Nacional, a apresentação listou para o Centro-Oeste 212 unidades básicas de saúde resilientes, 367 novas ambulâncias do Samu e 79 soluções de água potável em áreas indígenas.

Base de R$ 3,2 milhões em Campo Grande promete resposta em até 12h a emergência
Ministro da Saúde, Alexandre Padrilha, e equipe durante coletiva de imprensa (Foto: Reprodução)

Ciência - O ministro defendeu que a preparação para o El Niño seja orientada pela ciência e pelo cruzamento de informações climáticas e de saúde. A intenção é conhecer o comportamento de cada território e antecipar como alterações de temperatura e outros eventos podem afetar a população e pressionar os serviços de saúde.

O diretor-executivo adjunto do Ministério da Saúde, Nilson Pereira Júnior, afirmou que o país já está sob efeito do El Niño e que há possibilidade de este ser o maior evento da série histórica.

Padilha citou exemplos internacionais para mostrar como mudanças no clima e no ambiente podem alterar o perfil das doenças. Durante a coletiva, mencionou a identificação recente do Aedes aegypti, vetor da dengue, no Reino Unido, registros de transmissão de chikungunya na França e 35 mil mortes associadas às ondas de calor na Europa.

Os impactos, ressaltou, não se restringem aos grandes desastres. O aumento da temperatura pode agravar doenças crônicas e elevar a procura por atendimento. Eventos extremos também podem interromper o funcionamento de unidades de saúde e hospitais e aumentar a pressão sobre profissionais e gestores.

Mato Grosso do Sul teve neste ano um exemplo da pressão que doenças transmitidas pelo Aedes aegypti podem exercer sobre o sistema de saúde. Em março, a epidemia de chikungunya na Reserva Indígena de Dourados levou à mobilização da Força Nacional do SUS. Naquele mês, as aldeias Jaguapiru e Bororó chegaram a 504 casos confirmados, e a doença avançou também para a área urbana. A situação levou o município a decretar emergência em saúde pública e mobilizou equipes para atendimento, combate ao mosquito e outras ações de controle.

Para definir os territórios prioritários, o Ministério considera cinco critérios: cenários climáticos previstos; histórico e exposição a secas, estiagens, incêndios, ondas de calor, chuvas intensas e inundações; vulnerabilidades socioambientais e populacionais; populações mais expostas; e capacidade de resposta dos serviços, incluindo o risco de interrupção da assistência.

Diferentes riscos - Segundo Padilha, os efeitos esperados do El Niño variam entre as regiões tanto no tipo de ocorrência quanto no momento em que podem aparecer. Na região Norte, a apresentação aponta seca, estiagem, calor e queimadas. No Nordeste, seca, estiagem e calor. No Sudeste, calor, temporais e queimadas. No Sul, chuvas, inundações e calor. Já o Centro-Oeste reúne seca, estiagem, calor e queimadas.

Na Amazônia, Padilha chamou atenção também para uma consequência indireta da seca com o isolamento de populações que dependem dos rios. A distância pode dificultar a chegada de medicamentos e vacinas e o deslocamento de pacientes de áreas rurais para tratamentos como hemodiálise e atendimento oncológico.

Base de R$ 3,2 milhões em Campo Grande promete resposta em até 12h a emergência
Crédito: Reprodução/ Ministério da Saúde

Fogo e fumaça - No Centro-Oeste, Nilson Pereira Júnior destacou os problemas enfrentados no Cerrado e no Pantanal durante os períodos de queimadas, entre eles piora da situação respiratória, estresse térmico e exposição intensa à fumaça.

Segundo ele, o Ministério recebeu relatos de mais de 50 pessoas com lesões provocadas por queimaduras durante o enfrentamento ao fogo, entre profissionais do Prevfogo (Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais), do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e de corpos de bombeiros. Nilson também apontou a dificuldade de acesso à água potável como um dos problemas que precisam ser considerados.

Preparação antes da crise - A regionalização, porém, não se resume a levar equipes e equipamentos para mais perto das áreas que podem ser atingidas. A diretora do Departamento de Vigilância em Saúde, Agnès Soares, afirmou que reconhecer que as mudanças climáticas vieram para ficar significa preparar o SUS também antes das crises.

A estratégia envolve diagnosticar a situação de saúde de cada território, identificar as populações mais vulneráveis e avaliar antecipadamente os possíveis impactos. A proposta é que o trabalho não fique restrito aos planos de contingência e à resposta depois que uma emergência já estiver instalada.

Agnès ressaltou que os problemas climáticos envolvem questões ambientais e outras áreas de atuação dos municípios e estados, o que exige articulação entre diferentes setores para definir políticas públicas capazes de produzir melhores resultados. É nesse contexto que o AdaptaSUS busca apoiar estados e municípios, utilizando informações sobre saúde e clima para preparar a rede e direcionar ações principalmente às populações mais vulneráveis.

Um exemplo apresentado por Padilha mostra como essa estratégia pode funcionar. Ao cruzar a previsão de aumento da temperatura com o histórico de atendimentos de determinada localidade, é possível identificar se o calor está associado ao crescimento da procura pelos serviços de saúde por idosos e pessoas com problemas pulmonares, diabetes, doença renal crônica ou outras condições.

Com a previsão de temperaturas elevadas para os dias seguintes, o gestor pode antecipar quais medicamentos não podem faltar, quais serviços poderão sofrer maior pressão e quais orientações precisam ser repassadas aos profissionais e à população.