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Meio Ambiente

Com Pantanal em chamas, grupo vai a Brasília cobrar ações de conservação

Trinta instituições ambientais participarão de reunião na Câmara dos Deputados, no próximo dia 12 de novembro, Dia do Pantanal

Por Tainá Jara | 04/11/2019 17:19
Focos de incêndio se intensificaram no Pantanal desde agosto deste ano (Foto: Arquivo/Paulo Francis)
Focos de incêndio se intensificaram no Pantanal desde agosto deste ano (Foto: Arquivo/Paulo Francis)

Cerca de 30 instituições ambientais em atuação em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso vão até Brasília (DF), na próxima semana, cobrar ações de conservação da biodiversidade do Pantanal do poder público. Reunião está marcada para o próximo dia 12 de novembro, Dia do Pantanal, na Câmara de Deputados.

Só no Mato Grosso do Sul, o número de focos de incêndio registrados nos primeiros três dias de novembro bateu o recorde de queimada dos últimos 7 anos. A maior parte deles atinge a região do Pantanal, nos municípios de Miranda, Corumbá e Bodoquena. Entre sexta-feira (1°) e domingo (3), foram detectados 376 focos de incêndios florestais, conforme dados Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Em 2011, durante todo o mês de novembro, foram contabilizados 439 focos em todo o Estado.

O objetivo da delegação é conscientizar o poder público sobre as ameaças sofridas pela maior planície alagada contínua do mundo e cobrar políticas públicas de proteção mais efetivas.
No evento, serão apresentadas as principais ações de iniciativas e projetos de conservação do bioma, publicações e exibições de teasers de documentários. A programação ainda inclui o lançamento do site do Observatório Pantanal, plataforma que reúne informações sobre o bioma e que poderão ser acessadas pelo público acadêmico e sociedade em geral.

Apesar do alto grau de conservação do Pantanal, em comparação com os outros biomas brasileiros, este está longe de ser considerado totalmente protegido. A região está exposta a muitas fragilidades. Os incêndios florestais dos últimos meses causaram impactos ambientais ainda inestimáveis e, também, econômicos, para todos que dependem do bioma para o seu sustento. A degradação das nascentes, devido ao desmatamento, também é uma ameaça.

Outro grande risco é a instalação de inúmeras Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) no planalto, que afetam diretamente a planície. Há também o assoreamento do rio Taquari, um desastre ambiental sem precedentes no Brasil, que resultou em imensos desertos inundados, onde antes já haviam sido áreas de pastagens produtivas. O Pantanal corre perigo, por isso, medidas para sua proteção são urgentes.

Entre as instituições previstas para participar do evento estão os IHP (Instituto do Homem Pantaneiro), SOS Pantanal e WWF.

Monitoramento – Desde o final do ano passado, o Ibict (Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia), subordinado ao MCTIC (Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações), tenta viabilizar recursos para desenvolver tecnologia para monitoramento da bacia hidrográfica do Alto Paraguai, no Pantanal. A iniciativa pretende mapear as nascentes dos rios que percorrem a planície alagável, criar medidas para preservação do bioma e construir base de dados para pesquisadores.

O programa pleiteou R$ 5 milhões em investimentos do Ministério do Desenvolvimento Regional. A pasta repassou apenas R$ 700 mil – equivalentes a 14% do recurso solicitado.

Diante dos poucos recursos, em julho, durante a realizada 71ª Reunião Anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), no campus da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), em Campo Grande, o Projeto Cabeceiras reuniu-se com empresas e entidades parceiras para desenvolver a tecnologia.