ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
JANEIRO, SEXTA  02    CAMPO GRANDE 25º

Meio Ambiente

Crédito público mira Pantanal com foco em clima, ciência e bioeconomia

Lei define que bancos federais devem priorizar projetos sustentáveis no bioma em 2026

Por Kamila Alcântara | 02/01/2026 18:18
Crédito público mira Pantanal com foco em clima, ciência e bioeconomia
Vista da Serra Amolar, no Pantanal em Corumbá, Mato Grosso do Sul (Foto: divulgação)

A Lei Orçamentária de 2026, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na última quarta-feira (31), colocou o Pantanal entre as diretrizes que vão orientar a liberação de crédito por bancos públicos federais a partir de agora. O texto determina que financiamentos com recursos oficiais devem priorizar projetos voltados à bioeconomia, à adaptação às mudanças climáticas e à redução de impactos ambientais no bioma, especialmente por meio de ciência, tecnologia e inovação.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

A Lei Orçamentária de 2026, sancionada pelo presidente Lula, incluiu o Pantanal nas diretrizes para liberação de crédito por bancos públicos federais. A legislação prioriza projetos de bioeconomia, adaptação climática e redução de impactos ambientais no bioma, com ênfase em ciência e tecnologia. A nova diretriz abrange instituições como Finep, BNDES, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, que deverão financiar projetos alinhados com metas de desmatamento zero até 2030. A lei também impede empresas condenadas por crimes ambientais ou violações de direitos humanos de acessarem esses recursos, exigindo transparência na aplicação dos financiamentos.

O recorte aparece de forma direta no capítulo que trata da política de aplicação dos recursos das agências financeiras oficiais de fomento, com destaque para a atuação da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), responsável por apoiar pesquisa e desenvolvimento. Pela lei, a instituição deve concentrar esforços em projetos nos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal, associando financiamento à geração de empregos, à resiliência climática das cidades e à transição energética.

Na prática, isso significa que iniciativas ligadas à pesquisa científica, ao desenvolvimento de tecnologias limpas, à agricultura de baixo impacto e à bioeconomia passam a ter prioridade formal na análise de crédito quando envolvem o Pantanal. A diretriz também alcança projetos voltados a povos e comunidades tradicionais, com atenção à redução de desigualdades e à mitigação dos efeitos das mudanças climáticas.

O texto legal vai além da Finep. A lei obriga bancos como o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento), a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil a financiar projetos compatíveis com metas de desmatamento zero até 2030 e com compromissos climáticos assumidos pelo País. No caso do Pantanal, isso inclui ações de recuperação de áreas degradadas, redução do uso de agrotóxicos e incentivo a modelos produtivos sustentáveis.

Outro ponto relevante é que a norma impõe condições. Empresas com condenações por crimes ambientais, trabalho análogo à escravidão ou violações de direitos humanos não poderão acessar esse crédito. Além disso, os bancos terão de publicar relatórios detalhando onde e como os recursos foram aplicados, por região e setor, o que permite rastrear quanto efetivamente chegou ao Pantanal.