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Meio Ambiente

Dono de fazenda nega organizar caçadas, mas diz que lei deve mudar

Por Marta Ferreira e Nadyenka Castro | 24/01/2011 11:13
Ugo Furlan, proprietário de fazenda onde foram encontrados 5 jacarés abatidos no sábado. (Foto: João Garrigó)
Ugo Furlan, proprietário de fazenda onde foram encontrados 5 jacarés abatidos no sábado. (Foto: João Garrigó)

O proprietário da fazenda Santa Emília, o pecuarista Ugo Furlan, 69 anos, preso no sábado acusado de organizar caçadas de jacarés na propriedade, em Aquidauana, negou nesta manhã, em entrevista ao Campo Grande News que a prática seja comum no local.

Segundo ele, foi a primeira vez que isso aconteceu. Furlan disse que houve uma festa no local, com parentes e amigos, parte deles do estado de São Paulo, e que o responsável pela caça dos jacarés foi o irmão de um funcionário, Luiz Carlos de Oliveira.

De acordo com ele, havia entre 25 e 30 pessoas na fazenda. “Para minha surpresa, quando acordei, vi os jacarés na carroceria da camionete”. Segundo, ele, diante do que já havia ocorrido, a decisão foi de comer os animais.

Foi aí que a Polícia Militar Ambiental chegou e prendeu Furlan e mais 4 pessoas, entra elas Luiz Carlos. Todas soltas após pagar fiança, conforme a informação da Polícia Civil.

Foram aprendidos na fazenda, além dos animais abatidos, armamentos que, segundo o fazendeiro, também pertencem a Luiz Carlos. A reportagem não conseguiu localizá-lo.

Superpopulação - Apesar de ter negado a organização das caçadas, o pecuarista defende mudanças na legislação ambiental. Ele afirma que na região onde fica sua fazenda, por exemplo, há “milhares” de jacarés.

“Eles chegam a mudar a cor do barranco, quando estão todos juntos”.

O pecuarista afirma, ainda, que não é incomum que fazendeiros matem os animais clandestinamente, prática que já foi bastante conhecida na década de 90. Nessa época, os “coureiros”, especialistas em matar os répteis e tirar o couro para venda, eram figuras bastante procuradas.

Ugo Furlan comentou, ainda, a multa que recebeu da PMA (Polícia Militar Ambiental) por falta de licenciamento ambiental, de R$ 55 mil.

Ele diz que foi multado por uma atividade que não é desenvolvida no local, a de turismo.

Segundo ele, comprou a fazenda há um ano, mas a pousada que existe no local nunca funcionou. A fazenda tem 2,6 mil hectares e, de acordo com ele, se dedica à pecuária.

A fazenda Santa Emília já foi conhecida como “Pousada Araraúna”, e já pertenceu ao empresário Pedro Chaves, ex-proprietário da Uniderp. O local, inclusive, já serviu para pesquisas relacionadas à fauna pantaneira.