Efeitos do El Niño ameaçam aumentar queda de árvores e temporais na Capital
Total de recolhimentos de inteiras ou de galhos no primeiro semestre já supera o de 2025

Os vendavais e tempestades têm causado medo em Campo Grande pelo aumento no número de quedas de árvores inteiras e de galhos. As rajadas de vento de até 100 km/h que podem atingir a Capital esta quinta-feira (16) e domingo (19), segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), já preocupam. Este ano, um agravante nesse cenário pode ser o El Niño.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
Vendavais com rajadas de até 100 km/h preocupam Campo Grande com quedas de árvores, e o fenômeno El Niño pode agravar a situação a partir da primavera. Em 2025, foram registrados 596 recolhimentos de árvores; em 2026, já são 604. Cerca de 300 árvores doentes aguardam avaliação da prefeitura. Segundo o Cemtec, tempestades intensas e ondas de calor são esperadas entre setembro e outubro, com risco elevado de incêndios e alagamentos no Estado.
Em 2025, a Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) e a Defesa Civil Municipal realizaram, juntas, 596 recolhimentos. Já entre janeiro e junho de 2026, o total foi de 604. Parte das ocorrências causou prejuízo material, com casas, estruturas de prédios e veículos danificados.
- Leia Também
- Campo Grande pode ter vendaval de até 100 km/h formado por "rios voadores"
- MS deve enfrentar trimestre com calor intenso e maior risco de incêndios
Como a Capital tem um bom índice de arborização, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), algumas quedas são esperadas pelo tempo de vida das árvores. Outras acontecem fora de hora, e isso pode ter relação com as condições em que elas foram plantadas e mantidas ao longo do tempo, principalmente as que estão em calçadas. O Campo Grande News já falou disso aqui.
A queda de uma árvore de grande porte aumenta o risco à vida. Segundo a prefeitura, os pedidos para remover as que estão adoecidas e podem cair a qualquer momento estão sendo priorizados. Mas existem cerca de 300 na fila para serem avaliados.
El Niño e primavera - Chamado de super El Niño pela força que pode assumir a partir deste mês de julho, o fenômeno que está aquecendo de forma incomum as águas do Oceano Pacífico pode multiplicar as quedas de árvores, além de facilitar alagamentos e trazer outros eventos devastadores para a Capital?
O meteorologista do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima), de Mato Grosso do Sul, Vinícius Sperling, responde que ainda não dá para saber.
Depende de como os efeitos do El Niño no Centro-Oeste, geralmente aumento da temperatura, vão se combinar com elementos do clima como pressão atmosférica e umidade do ar, por exemplo, que estiverem influenciando o tempo a partir da primavera, que é quando a Capital normalmente volta a ter períodos chuvosos.
As tempestades influenciadas pelo El Niño podem começar em setembro, caso uma onda de calor “encontre” uma frente fria carregada com bastante umidade. “Pode ter temporais bem fortes, porque o contraste térmico que vai ser gerado, vai ser muito intenso”, ele afirma.
Mas o primeiro mês da primavera é uma preocupação maior para as cidades do Rio Grande do Sul, onde setembro já costuma trazer temporais.
Em Mato Grosso do Sul, ainda não é possível dizer em qual mês, mas as tempestades com potencial de destruição certamente vão chegar.
“Não descartamos episódios pontuais de chuva intensa, que com certeza vão ocorrer em algum momento, só que isso a janela de previsão do tempo ainda não nos permite dizer qual o dia, qual é o mês que isso vai ocorrer. Precisamos analisar a combinação dos elementos meteorológicos postos naquela situação, naquele momento, naquela semana”, justifica o meteorologista.
Incêndios e calor - O calorão e a baixa umidade que o El Niño deve trazer representam risco maior ainda às árvores das áreas florestais de Mato Grosso do Sul, além da flora em geral e da fauna, mas com relação às queimadas. “Qualquer foco pode virar um incêndio. A preocupação é mais nesse sentido”, completa Vinícius.
Em Campo Grande, os efeitos devem ser sentidos sobretudo entre setembro e outubro, com ondas de calor. Elas se manifestam com temperaturas 5ºC ou mais acima da média por dias seguidos.
"O El Niño está implementado. As temperaturas do Oceano subiram em torno de 1,3ºC, configurando o El Niño moderado, mas já chegando próximo a 1,5ºC, que já é um El Niño forte, e acima de 2ºC é um El Niño muito forte. Então, a gente está na iminência já de mudar de um El Niño moderado para forte", confirma.
Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.



