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Campo Grande, Terça-feira, 22 de Outubro de 2019

27/05/2019 14:35

Em avenida que liga quatro bairros, 1,5 km está tomado por lixo

Avenida Wilson Paes de Barros virou ponto de descarte irregular de entulhos

Mirian Machado
Via disputa trânsito com lixo de 1,5 km em Avenida (Foto: Henrique Kawaminami)Via disputa trânsito com lixo de 1,5 km em Avenida (Foto: Henrique Kawaminami)

Lixo, escuridão e insegurança são palavras que definem a rotina dos moradores na região da Avenida Wilson Paes de Barros em Campo Grande. A via liga vários bairros da Capital, como Serradinho, Nova Campo Grande, São Conrado e Santa Emília. Apesar de um inquérito civil instaurado para apurar o descarte irregular de resíduos sólidos ter sido arquivado por entender que a Prefeitura solucionou o problema, ainda há, pelo menos 1,5 km de materiais descartados às margens da via. O fato foi constatado na manhã desta segunda-feira (27) pelo Campo Grande News.

A via, ainda sem asfalto, tem os dois sentidos separados por um canteiro coberto pelo matagal. Em certo ponto, quando ela se torna avenida de duas faixas é que começam os problemas maiores. Já não há lâmpadas e um longo trecho até que chegue ao próximo bairro segue na escuridão à noite. São raros os que se arriscam a passar por ali depois do anoitecer, dizem os moradores.

No local há muito lixo, entulho, restos de materiais de construção, pedaços de asfalto e concreto, além de moveis, cama, colchão, sofás, carcaças de televisores e muitos pneus, alguns inclusive com água e larvas de mosquitos. Por ali se encontra roupas, sapatos, entre outros materiais. No local ainda há placas da Prefeitura pedindo para que não jogue lixo e direcionando o descarte de materiais ao Ecoponto Panamá, mas a placa é ignorada.

Garrafas e roupas em meio a galhos de árvores (Foto: Henrique Kawaminami)Garrafas e roupas em meio a galhos de árvores (Foto: Henrique Kawaminami)
Pneus com água parada às margens da via (Foto: Henrique Kawaminami)Pneus com água parada às margens da via (Foto: Henrique Kawaminami)

Se tudo isso não bastasse, o lugar ainda é marcado como ponto de desova de cadáveres.

Mesmo durante o dia, a insegurança toma conta de quem mora ou precisa passar por ali. Há dez anos ali morando embaixo do último poste de energia da rua, o casal Elizeu Rubia da Silva de 51 anos e Vera Lucia Dourado da Silva, de 52, já viram de tudo, desde tentativa de homicídio, quando ajudaram uma moça a fugir de vários rapazes à noite, até "8 achados de cadáveres", contam

“Eu pago 800 reais de impostos para não ter melhoria em nada. Há mais dez anos nos prometem asfalto na região. Ali é só uma placa né, ninguém obedece, tem que ter fiscalização”, reclama Elizeu. A esposa também contou que a família sofre com os mosquitos. “Já tive dengue e quase morri. Não dá, eles jogam lixo na cara dura, mesmo durante o dia e se a gente reclama somos ameaçados”, conta.

Dos 6 quilômetros e meio de extensão, ao menos 1,5 km está tomado por sujeira. Há partes ainda em que os dois lados da via são atingidos. Há tanta coisa por ali e de tudo que se possa imaginar que o aposentado Alfredo Paz da Silva de 65 anos passa sempre que precisa de algo para as famosas ‘gambiarras’. Nesta manhã ele foi até a via para procurar uma mangueira para ajudar a esposa em uma decoração. Apesar de o local ajudar em certas ocasiões, do jeito que está incomoda. “A gente tem medo né. Não passo aqui à noite, mas já vi mulheres com crianças sair daí no escuro, eu acho muito perigoso. Já até achei um carro abandonado aí e liguei para a Polícia. De Tv dá para juntar uma carreta”, detalha.

Muitos evitam a via e preferem seguir pela Avenida Duque de Caxias, o que muitas vezes dobra a distância, em contrapartida a cozinheira Rosana Moraes da Silva de 53 anos prefere passar por ali mesmo pois economia ao menos uma hora se tiver que seguir pela ‘Duque’. Rosana voltava da casa de uma amiga que estava doente nesta manhã a pé. Ela diz que mesmo com medo de passar ali, seja noite ou dia, economiza ao menos uma hora de deslocamento. “Eu vou a pé que gasto meia hora por aqui. Se tiver que ir pela Duque de Caxias, vou precisar ir de ônibus e serão três isso demoraria 1h30”, explica. “Se ao menos fosse asfaltada e tivesse iluminação, talvez tivesse mais movimento”, conta.

Alfredo já encontrou até carro roubado abandonado no local (Foto: Henrique Kawaminami)Alfredo já encontrou até carro roubado abandonado no local (Foto: Henrique Kawaminami)
Placas foram colocadas no inicio e fim da Avenida (Foto: Henrique Kawaminami)Placas foram colocadas no inicio e fim da Avenida (Foto: Henrique Kawaminami)

Em nota, a Prefeitura Municipal de Campo Grande informou que a Wilson Paes de Barros é prolongamento da Avenida General Carlos Mendonça Lima, mas que não é regularizada, ou seja, oficialmente não é uma rua. O local inclusive havia sido fechado para que evitasse o descarte irregular de lixo.

A Prefeitura afirma ainda que tem atuado no sentido de coibir tais praticas realizando diariamente fiscalizações em todas as regiões urbanas, porém também é importante o auxílio da população para identificar estes infratores. A identificação poderá ser através de fotos do veículo, placa, nome da empresa ou qualquer outro detalhe que identifique a origem.

As denúncias devem ser direcionadas à Patrulha Ambiental da Guarda Civil no telefone 153 e nos casos em que configurar a má conservação dos terrenos baldios as denúncias devem ser direcionadas à Semadur pelo telefone do Disque Denúncia 156.

Penalidade - O cidadão que for flagrado realizando o descarte irregular de resíduos pela Polícia Militar ou pela Guarda Civil responderá por crime ambiental e caso flagrado por um agente fiscal de meio ambiente da Semadur será Autuado por meio de processo administrativo por poluição ambiental. De acordo com o Código de Polícia Administrativa, Lei 2909/92, do município de Campo Grande. As multas podem variar entre R$ 2.243,00 e R$ 8.972,00.


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