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Meio Ambiente

Em disputa com fazendeiros, incêndios florestais crescem em terra indígena de MS

Área Kadiwéu foi a única região protegida do Pantanal de MS que registrou aumento na área queimada em 2021

Por Guilherme Correia | 28/09/2021 11:49
Área queimada por incêndios no Pantanal. (Foto: Divulgação/SOS Pantanal)
Área queimada por incêndios no Pantanal. (Foto: Divulgação/SOS Pantanal)

A Terra Indígena Kadiwéu foi a única região protegida por lei no Pantanal de Mato Grosso do Sul, que registrou aumento de área queimada por incêndios florestais neste ano. Os parques estaduais do Rio Negro, das Nascentes do Rio Taquari, a Rede Amolar e o Parque Nacional da Serra da Bodoquena tiveram, todos, redução na quantidade de queimadas.

Em 2012, o MPF (Ministério Público Federal) havia alertado para a devastação dessa região Kadiwéu, atribuindo à ação de fazendeiros locais - o mesmo aconteceu em 2018. A Terra Indígena é demarcada oficialmente pelo governo federal, desde 1981, mas a falta de estrutura segue em alguns aspectos. Os indígenas chegaram a sofrer com falta de fornecimento de água no ano passado.

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Focos de calor no bioma pantaneiro reduziram em 41,7%, se comparado a 2020, e a área queimada neste ano é aproximadamente 4,7% menor. Mesmo com a pequena redução, o cenário enfrentado na região pantaneira é de fortes prejuízos causados pela ação do fogo.

Segundo dados do Corpo de Bombeiros Militar, houve um crescimento de aproximadamente 25,2% no atendimento de ocorrências de incêndios florestais. Enquanto no período analisado em 2020, foram 5.056 ocorrências, neste ano, são 6.332 casos.

O órgão justifica que esse aumento ocorre por conta de uma melhora no serviço de combate aos incêndios. "Resultado de um planejamento na gestão institucional, que readequou escalas do efetivo, com inclusão de mais bombeiros militares, abertura de novas unidades operacionais e o recebimento de mais recursos operacionais para a temporada de incêndios florestais de 2021".

Incêndios - De acordo com dados do Lasa (Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais) do Departamento de Meteorologia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), a região da Serra da Bodoquena teve 150 hectares incendiados no ano passado, enquanto neste ano, não houve registro.

O Pantanal do Rio Negro passou de 1,2 mil hectares para 175, enquanto os registros das Nascentes do Rio Taquari caíram de 19,6 mil hectares para apenas 100.

Entretanto, a TI Kadiwéu teve um aumento de aproximadamente 47,4% na área corrompida pelo fogo. Foram 180,9 mil hectares incendiados no ano passado, e a parcial deste ano é de 266,7 mil.

Dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) reforçam a alta incidência de ocorrências nos meses de seca, que costumam ir até setembro.


Levantamento feito pela reportagem, com base em dados do Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente), identifica que neste ano foram aplicadas multas que totalizam ao menos R$ 12 milhões. A parcial é menor que o verificado em 2020, no mesmo período. Foram consideradas infrações nos 10 municípios que detém o Pantanal sul-mato-grossense, entre os anos de 2011 a 2021.


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