ACOMPANHE-NOS    
OUTUBRO, TERÇA  27    CAMPO GRANDE 28º

Meio Ambiente

Em pleno século XXI, cerca de 20 mil casas usam água de poço na Capital

Por Viviane Oliveira | 22/03/2013 08:45
Cleuza mostra bomba, hoje desativada, que abastecia com água do poço as torneiras da casa.(Fotos: Vanderlei Aparecido)
Cleuza mostra bomba, hoje desativada, que abastecia com água do poço as torneiras da casa.(Fotos: Vanderlei Aparecido)
Mesmo com água encanada, dona Ivonete mantém até hoje o poço artesiano.
Mesmo com água encanada, dona Ivonete mantém até hoje o poço artesiano.

Há 20 anos, quando a dona de casa Ivonete Alves dos Santos, de 51 anos, chegou ao jardim Aero Rancho, em Campo Grande, não existia rede de esgoto. Para ter água em casa ela construiu um poço artesiano. Hoje, mesmo com sistema de abastecimento de água, Ivonete ainda mantém o poço. "A água é melhor para beber porque não tem cloro", destaca.

No dia da Água, comemorado hoje, o número de poços artesianos construídos em locais, profundidade e com técnicas inadequadas ainda existem em pelo menos 6% das residências. De acordo com a concessionária Águas de Guariroba, de aproximadamente 300 mil imóveis, pelo menos 20 mil ainda usam poços.

O presidente da concessionária, José João de Jesus da Fonseca, alerta sobre o perigo de manter e construir poços artesianos clandestinos. Além da contaminação do lençol freático, a água de poço é fácil de ser contaminada com fossa e água da chuva. "Hoje a pessoa pode ter uma água limpa, mas se amanhã um vizinho construir uma fossa ao lado de sua casa, essa água pode ficar comprometida".

No bairro Marcos Roberto, Cleuza de Souza usou poço artesiano durante 30 anos. Ela substituiu o sistema por água tratada no ano passado quando começou a perceber que o líquido estava com um gosto ruim. Hoje com 50 anos, Cleuza desativou o poço porque, segundo ela, a água estava contaminada.

“Poços artesianos mal construídos que não atendem a legislação podem contaminar o Aquífero Guarani”, alerta José, presidente da Águas Guariroba.
“Poços artesianos mal construídos que não atendem a legislação podem contaminar o Aquífero Guarani”, alerta José, presidente da Águas Guariroba.

Para perfurar um poço, a pessoa precisa ter uma licença de operação concedida pelo Imasul (Instituto do Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul). Em áreas que possuem abastecimento público, o uso de água de poço é restrito.

“A pessoa que tem um poço artesiano em casa não tem de quem cobrar a fiscalização da qualidade da água”, afirma José.

Ainda conforme o presidente da concessionária, poços artesianos mal construídos que não atendem a legislação podem contaminar o Aquífero Guarani, a maior reserva natural de água doce e potável hoje no Brasil, que passa sob Mato Grosso do Sul.

Riscos à saúde - O pediatra Virgílio Gonçalves de Souza Júnior, explica que a má qualidade da água aumenta casos de doenças que afetam a população em geral, porém, são as crianças as mais prejudicadas. A água contaminada causa doenças como diarréia, hepatite, verminoses, leptospirose e febre tifóide.

Além disso, segundo o médico, a hepatite A é a campeã em locais onde não há saneamento. “A água bem tratada permite a ausência de microorganismo, partículas sólidas e tem o equilíbrio químico ideal para o consumo humano”, afirma.

Ainda de acordo com o pediatra, Campo Grande é a segunda Capital a fluoretar a água no Brasil, tecnologia para prevenção de cáries. O médico relembra que, no passado, a primeira pergunta que fazia quando uma criança chegava doente era se em casa havia água tratada. “Hoje é inadmissível não ter água encanada e filtrada”.

A transmissão de doença através da água contaminada não é somente pela ingestão, mas pelo contato com a pele na hora do banho, na preparação de alimentos ou pelo consumo de verduras lavadas pela água sem tratamento.

Sistema de abastecimento - Os córregos Guariroba e Lageado são os principais responsáveis pelo abastecimento de Campo Grande. A água retirada deles é levada para a estação, onde passa por tratamento que inclui fases de decantação da sujeira, filtragem e adição de cloro e flúor. Depois disso, a água vai para reservatórios e é distribuída pela rede de abastecimento.

Nos siga no Google Notícias
Regras de comentário