Em Terra Indígena Guató, torre do Exército reforça monitoramento de incêndios
Parceria com o Instituto Homem Pantaneiro prevê uso de tecnologia com inteligência artificial
Torre equipada com tecnologia de monitoramento de incêndios e comunicação vai reforçar a proteção de uma das áreas mais remotas do Pantanal, onde o acesso pode levar até oito horas de barco a partir de Corumbá, distante 428 km de Campo Grande. Instalada na região da Serra do Amolar e da Terra Indígena Guató, na faixa de fronteira entre o Brasil e a Bolívia, a estrutura permitirá ampliar a vigilância ambiental e a troca de informações em tempo real em uma área considerada estratégica para a conservação do bioma.
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Uma nova torre de monitoramento com tecnologia de detecção de incêndios será instalada na Serra do Amolar, no Pantanal, região acessível apenas por barco ou aeronave. A iniciativa resulta de parceria entre o 17º Batalhão de Fronteira do Exército e o Instituto Homem Pantaneiro, com vigência de dez anos a partir de junho de 2026. O projeto amplia o Sistema Pantera, que usa inteligência artificial para vigilância ambiental contínua, compartilhando dados em tempo real com o Exército.
A iniciativa faz parte de uma parceria entre o 17º Batalhão de Fronteira do Exército Brasileiro e o IHP (Instituto Homem Pantaneiro), formalizada em acordo publicado no Diário Oficial da União de segunda-feira (8). Com vigência de dez anos, entre 1º de junho de 2026 e 1º de junho de 2036, a cooperação prevê o uso da estrutura do Sisfron (Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras), em Porto Índio, para instalação e manutenção de equipamentos de monitoramento ambiental.
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A área contemplada pelo projeto fica no noroeste de Corumbá, próxima à divisa de Mato Grosso do Sul com Mato Grosso. Além da distância, a região enfrenta desafios logísticos devido ao difícil acesso, realizado apenas por embarcação ou aeronave.
Segundo o presidente do IHP, Ângelo Rabelo, a parceria amplia a integração entre conservação ambiental e segurança territorial. “Vamos trabalhar em conjunto utilizando sistemas de proteção e tecnologia que facilitam a comunicação e a atuação em áreas remotas e isoladas. Essa parceria amplia a capacidade das forças envolvidas não apenas na questão da segurança, mas também na preservação ambiental”, afirmou.
O instituto já utiliza uma torre do Sisfron equipada com sistema de detecção de incêndios considerado um dos mais modernos do mundo. De acordo com Rabelo, a tecnologia é capaz de identificar focos de calor entre três e cinco minutos após o surgimento das chamas, permitindo respostas mais rápidas e ações preventivas.
“A torre foi viabilizada com recursos do Governo do Estado e terá papel importante na proteção da Aldeia Uberaba, da comunidade indígena Guató, que está em uma área isolada e distante de qualquer estrutura de socorro”, explicou.
A nova etapa do projeto prevê a ampliação do Sistema Pantera, plataforma que utiliza inteligência artificial para monitoramento ambiental contínuo, operando 24 horas por dia, sete dias por semana. As informações coletadas, incluindo imagens e dados em tempo real, serão compartilhadas com o Exército, fortalecendo tanto as ações de prevenção a incêndios quanto o monitoramento da região de fronteira.
Território preservado - O território guató é considerado prioritário para a conservação do Pantanal por reunir áreas de grande relevância ambiental e cultural. Mesmo durante os períodos críticos registrados em 2020 e 2024, a região não foi atingida diretamente pelas chamas, mas o fogo chegou próximo ao território no último grande incêndio.
A parceria também fortalece a estrutura de proteção local. Desde 2024, a Aldeia Uberaba conta com uma brigada própria de combate a incêndios. Em 2025, a equipe, denominada Brigada Guató Uberaba, foi incorporada ao Prevfogo, do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).
Além do monitoramento ambiental, o acordo permitirá ao 17º Batalhão de Fronteira acesso a dados estratégicos sobre a região, ampliando a capacidade de atuação do governo federal em uma área sensível da faixa de fronteira. A instalação dos novos equipamentos está prevista para o segundo semestre deste ano. O projeto integra ações desenvolvidas por meio do PSA (Programa de Pagamento por Serviços Ambientais) Bioma Pantanal, do Governo de Mato Grosso do Sul.
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