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Meio Ambiente

Em Terra Indígena Guató, torre do Exército reforça monitoramento de incêndios

Parceria com o Instituto Homem Pantaneiro prevê uso de tecnologia com inteligência artificial

Por Viviane Oliveira | 10/06/2026 07:09
Em Terra Indígena Guató, torre do Exército reforça monitoramento de incêndios
Mapa indica a localização das torres de monitoramento instaladas no Pantanal (Foto: reprodução/IHP)

Torre equipada com tecnologia de monitoramento de incêndios e comunicação vai reforçar a proteção de uma das áreas mais remotas do Pantanal, onde o acesso pode levar até oito horas de barco a partir de Corumbá, distante 428 km de Campo Grande. Instalada na região da Serra do Amolar e da Terra Indígena Guató, na faixa de fronteira entre o Brasil e a Bolívia, a estrutura permitirá ampliar a vigilância ambiental e a troca de informações em tempo real em uma área considerada estratégica para a conservação do bioma.

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Uma nova torre de monitoramento com tecnologia de detecção de incêndios será instalada na Serra do Amolar, no Pantanal, região acessível apenas por barco ou aeronave. A iniciativa resulta de parceria entre o 17º Batalhão de Fronteira do Exército e o Instituto Homem Pantaneiro, com vigência de dez anos a partir de junho de 2026. O projeto amplia o Sistema Pantera, que usa inteligência artificial para vigilância ambiental contínua, compartilhando dados em tempo real com o Exército.

A iniciativa faz parte de uma parceria entre o 17º Batalhão de Fronteira do Exército Brasileiro e o IHP (Instituto Homem Pantaneiro), formalizada em acordo publicado no Diário Oficial da União de segunda-feira (8). Com vigência de dez anos, entre 1º de junho de 2026 e 1º de junho de 2036, a cooperação prevê o uso da estrutura do Sisfron (Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras), em Porto Índio, para instalação e manutenção de equipamentos de monitoramento ambiental.

A área contemplada pelo projeto fica no noroeste de Corumbá, próxima à divisa de Mato Grosso do Sul com Mato Grosso. Além da distância, a região enfrenta desafios logísticos devido ao difícil acesso, realizado apenas por embarcação ou aeronave.

Segundo o presidente do IHP, Ângelo Rabelo, a parceria amplia a integração entre conservação ambiental e segurança territorial. “Vamos trabalhar em conjunto utilizando sistemas de proteção e tecnologia que facilitam a comunicação e a atuação em áreas remotas e isoladas. Essa parceria amplia a capacidade das forças envolvidas não apenas na questão da segurança, mas também na preservação ambiental”, afirmou.

O instituto já utiliza uma torre do Sisfron equipada com sistema de detecção de incêndios considerado um dos mais modernos do mundo. De acordo com Rabelo, a tecnologia é capaz de identificar focos de calor entre três e cinco minutos após o surgimento das chamas, permitindo respostas mais rápidas e ações preventivas.

“A torre foi viabilizada com recursos do Governo do Estado e terá papel importante na proteção da Aldeia Uberaba, da comunidade indígena Guató, que está em uma área isolada e distante de qualquer estrutura de socorro”, explicou.

Em Terra Indígena Guató, torre do Exército reforça monitoramento de incêndios
Região da Serra do Amolar está sob cobertura de sistema de monitoramento (Foto: divulgação/IHP)

A nova etapa do projeto prevê a ampliação do Sistema Pantera, plataforma que utiliza inteligência artificial para monitoramento ambiental contínuo, operando 24 horas por dia, sete dias por semana. As informações coletadas, incluindo imagens e dados em tempo real, serão compartilhadas com o Exército, fortalecendo tanto as ações de prevenção a incêndios quanto o monitoramento da região de fronteira.

Território preservado - O território guató é considerado prioritário para a conservação do Pantanal por reunir áreas de grande relevância ambiental e cultural. Mesmo durante os períodos críticos registrados em 2020 e 2024, a região não foi atingida diretamente pelas chamas, mas o fogo chegou próximo ao território no último grande incêndio.

A parceria também fortalece a estrutura de proteção local. Desde 2024, a Aldeia Uberaba conta com uma brigada própria de combate a incêndios. Em 2025, a equipe, denominada Brigada Guató Uberaba, foi incorporada ao Prevfogo, do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).

Além do monitoramento ambiental, o acordo permitirá ao 17º Batalhão de Fronteira acesso a dados estratégicos sobre a região, ampliando a capacidade de atuação do governo federal em uma área sensível da faixa de fronteira. A instalação dos novos equipamentos está prevista para o segundo semestre deste ano. O projeto integra ações desenvolvidas por meio do PSA (Programa de Pagamento por Serviços Ambientais) Bioma Pantanal, do Governo de Mato Grosso do Sul.

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