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Meio Ambiente

Frentes frias mais frequentes e recorde de calor podem marcar o ano em MS

Meteorologista detalhou as previsões e explicou como o El Niño deve influenciar o clima no Estado

Por Cassia Modena | 15/05/2026 13:44
Frentes frias mais frequentes e recorde de calor podem marcar o ano em MS
Mulher agasalhada caminha no Centro de Campo Grande (Foto: Marcos Maluf/Arquivo)

Mato Grosso do Sul tem duas frentes frias à vista que podem voltar a derrubar as temperaturas a partir deste final de semana e na primeira semana de junho, segundo falou hoje (15) o meteorologista Natálio Abraão.

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Mato Grosso do Sul aguarda a chegada de duas frentes frias, com previsão de queda acentuada nas temperaturas no início de junho. Segundo o meteorologista Natálio Abraão e o Cemtec, a atuação do fenômeno El Niño deve tornar o inverno mais chuvoso e aumentar o risco de eventos térmicos extremos e ondas de calor até o verão. O cenário de instabilidade climática exige monitoramento constante, visto que poderá impactar a agropecuária, a saúde pública e os recursos hídricos do estado.

"A mais próxima não vai trazer temperaturas mínimas comparáveis com as registradas nesta última semana, mas essa outra do início do mês que vem, sim. Vai ser gelado", ele prevê.

O meteorologista afirma que o inverno deste ano pode ter frentes frias com intervalos mais curtos em comparação a anos anteriores e, como efeito do El Niño, um julho um pouco mais chuvoso que o normal. "É um mês que historicamente quase não chove, mas este ano poderá ser diferente, já como consequência desse fenômeno", disse.

Possível recorde - Natálio ressalta que o El Niño está saindo do modo neutro, conforme apontam modelos do ECMWF (Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo). Nesta semana, relatório do NOAA (Administração Nacional para os Oceanos e para a Atmosfera), dos Estados Unidos, reforçou o "alerta de El Niño".

Abraão sustenta que isso aumenta as chances de municípios de Mato Grosso do Sul atingirem recordes de temperatura. Como destaque, ele cita Água Clara, Aquidauana e Porto Murtinho, que já registraram algumas das maiores do Estado. A mais alta foi medida na primeira cidade, que enfrentou 44,6°C em 5 de abril de 2020.

"As águas do Pacífico começaram a aquecer e vão continuar aquecendo. Até novembro e dezembro, elas podem ficar até 1°C mais quentes", diz o meteorologista se referindo ao El Niño.

Esta primavera poderá ser quente, com chuvas acima da média, concentradas em poucas horas ou dias e com distribuição irregular, segundo Natálio.

"O que evapora ali no Oceano é trazido pelos ventos para a região da Amazônia, passando pelo Sudeste e por Mato Grosso do Sul. Se isso se concretizar, teremos chuvas numa quantidade que o agricultor adora. Mesmo assim, podem ocorrer alguns períodos de estiagem na primavera. A preocupação com relação às chuvas são enchentes, inundações que alguns municípios não estão preparados para lidar", detalhou.

A tendência de temperaturas mais elevadas segue em novembro e dezembro. "É algo que nós já vimos em anos anteriores e pode se intensificar por conta do El Niño e das mudanças climáticas".

Previsão para o trimestre - A análise climática do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima) para os meses de junho a agosto no Estado reforça o cenário de atenção, mas devido à distribuição irregular das chuvas e das temperaturas ligeiramente mais altas do que o normal no inverno.

"Esse cenário pode impactar diretamente os setores agropecuário, recursos hídricos, energético e de saúde pública, além de aumentar a necessidade de monitoramento contínuo das condições meteorológicas", descreve o centro num documento.

O Cemtec aponta que há 92% de probabilidade de o El Niño se desenvolver no trimestre e atingir nível moderado a forte entre a primavera e o início do verão, o que poderá favorecer ondas de calor mais frequentes e intensas.

Como o estado está numa zona de transição climática, que gera mais variabilidade nas condições climáticas, é preciso acompanhar o cenário continuamente, finaliza o centro.

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