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Lado Rural

Com 92% de chance, El Niño preocupa MS com risco ao agro e ao Pantanal

Cemtec prevê calor intenso, chuvas irregulares, veranicos e aumento de incêndios no segundo semestre

Por Anderson Viegas | 15/05/2026 10:07
Com 92% de chance, El Niño preocupa MS com risco ao agro e ao Pantanal
Altas temperaturas, chuvas irregulares e veranicos previstos com o avanço do El Niño podem afetar lavouras, pastagens e a produtividade no campo em Mato Grosso do Sul (Foto: Juliano Almeida)

Modelos climáticos do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul) indicam 92% de probabilidade de ocorrência do fenômeno El Niño em 2026, já a partir do trimestre junho-julho-agosto.

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Modelos climáticos do Cemtec preveem 92% de probabilidade de El Niño em 2026, iniciando no trimestre junho-julho-agosto e se intensificando no segundo semestre, com chance de evento forte ou muito forte a partir de setembro. No Brasil, os efeitos variam, mas em Mato Grosso do Sul esperam-se chuvas irregulares, temperaturas acima da média, ondas de calor frequentes e veranicos, pressionando agropecuária, pecuária, recursos hídricos e elevando risco de incêndios no Pantanal. O centro monitora o fenômeno, causado pelo aquecimento do Pacífico Equatorial, e compartilha boletins com órgãos estaduais.

O Cemtec aponta que a tendência é que o fenômeno comece a se estabelecer durante o inverno e se intensifique ao longo do segundo semestre do ano.

Segundo as projeções do NOAA/CPC (Climate Prediction Center), a partir do trimestre julho-agosto-setembro aumenta a probabilidade de um El Niño fraco a moderado, enquanto entre setembro-outubro-novembro e outubro-novembro-dezembro cresce significativamente a chance de um evento forte ou até muito forte.

O centro aponta que, no Brasil, os efeitos do El Niño variam bastante por causa da dimensão continental do país. Em geral, no Sudeste e Centro-Oeste, podem ocorrer períodos de calor mais intenso, irregularidade das chuvas e veranicos.

Especificamente em Mato Grosso do Sul, o Cemtec ressalta tendência de chuvas irregulares e temperaturas próximas ou acima da média, com potencial de ondas de calor mais frequentes e intensas, especialmente entre a primavera e o início do verão.

Os principais impactos no Estado podem incluir:

  • aumento dos períodos quentes;
  •  maior evaporação e perda de umidade do solo;
  •  irregularidade na distribuição das chuvas;
  •  possibilidade de veranicos durante a estação chuvosa;
  •  pressão sobre recursos hídricos e setor energético;
  •  aumento do risco de incêndios florestais.

O centro destaca que os efeitos do fenômeno devem ficar mais perceptíveis principalmente a partir do fim do inverno e durante a primavera de 2026, período em que os modelos indicam fortalecimento do fenômeno.

“Na agropecuária, os impactos podem ser importantes. A irregularidade das chuvas e o excesso de calor podem prejudicar o desenvolvimento das lavouras, afetar a produtividade, aumentar o estresse hídrico das plantas e elevar os custos de irrigação. Na pecuária, temperaturas elevadas e baixa disponibilidade hídrica podem provocar estresse térmico nos animais, redução do ganho de peso e piora das condições das pastagens”.

Em relação ao Pantanal, o centro projeta que a combinação entre temperaturas acima da média, baixa umidade e períodos secos mais prolongados pode favorecer o aumento do risco de queimadas, principalmente se houver redução das chuvas na transição para a primavera. “O El Niño não é o único fator responsável pelos incêndios, mas pode criar condições mais favoráveis para a propagação do fogo”.

O Cemtec diz que já vem monitorando continuamente os modelos climáticos e elaborando boletins técnicos sobre as tendências e possíveis impactos. Segundo o órgão, as informações estão sendo compartilhadas com órgãos do Governo do Estado, Defesa Civil e com o setor agropecuário, para apoiar medidas de preparação e resposta diante dos possíveis efeitos climáticos previstos para o segundo semestre do ano.

O que é o El Niño

O El Niño é um fenômeno climático provocado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração influencia o clima em várias partes do mundo, mudando os padrões de chuva e temperatura. No Brasil, pode causar calor mais intenso, períodos de seca, chuvas irregulares e aumento de eventos climáticos extremos. O fenômeno ocorre de tempos em tempos e pode variar entre intensidade fraca, moderada ou forte.