ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no Twitter Campo Grande News no Instagram
FEVEREIRO, SÁBADO  24    CAMPO GRANDE 24º

Meio Ambiente

Governo cria projeto de Carbono Neutro para agricultura familiar

O projeto inclui 800 produtores rurais dentro da produção sustentável

Por Jackeline Oliveira | 08/12/2023 09:03
Governador Eduardo Riedel (PSDB) durante assinatura do projeto na secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Foto: Assessoria/Governo)
Governador Eduardo Riedel (PSDB) durante assinatura do projeto na secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Foto: Assessoria/Governo)

O Governo do Estado assinou nesta quinta-feira (7) o compromisso de colaboração para o primeiro projeto de carbono para pequenos produtores rurais sul-mato-grossenses, com foco no bioma Cerrado, Pantanal e Mata Atlântica.

O projeto que inclui 800 pequenos produtores foi desenvolvido pelo Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, por meio da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação). Os produtores irão implementar e criar áreas de agrofloresta e ainda garantir o pagamento de crédito de carbono.

De acordo com o governador Eduardo Riedel, o projeto vai incluir produtores rurais dentro da produção sustentável e também obter economia a partir do carbono neutro.

“Estamos trazendo sustentabilidade, e a questão econômica para os agricultores familiares. O valor do crédito, 80% vai para o agricultor familiar. É realmente um envolvimento em torno de um único objetivo, que é inserir esses produtores familiares dentro da produção sustentável e com sistemas que vão gerar resultado econômico a partir do crédito de carbono”, explicou Riedel.

Segundo o Governo do Estado, a previsão é que o projeto contribua nos próximos quatro anos na expansão e instalação de agroflorestas em propriedades rurais de todo o Estado. Com estimativa de que cada produtor tenha 2,5 hectares de agrofloresta, totalizando 2 mil hectares até 2027.

O governador afirmou que é necessário que o projeto tenha também uma importância econômica para a sociedade. “Tem que ter um significado econômico para a sociedade, para aqueles que praticam uma atitude que ajude nesse balanço de carbono. É isso que nós estamos fazendo nesse projeto”, destacou Eduardo Riedel.

O produto rural Altair Merlo da Silva que produz frutas em Douradinha, em 2 hectares dos 32 da propriedade, iniciou o projeto de inserir a agroflorestal na área e acredita que com isso o produtor tem uma oportunidade de ser inserido nas práticas sustentáveis.

“Depois de muito tempo trabalhando com empresas que produzem soja e milho, após a pandemia de covid, eu passei a cultivar da área e me encantei com a fruticultura. Este projeto, para crédito de carbono, é uma novidade muito boa. Temos aí grande oportunidade de levar ao pequeno produtor e é um ganho maior para a natureza”, afirma Altair.

O secretário da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), Jaime Verruck, avalia o projeto como inovador e que finaliza a dificuldade de inserir o pequeno produtor nos processos de redução de carbono.

“Esse projeto da agricultura familiar é inovador. A gente sempre teve muita dificuldade em inserir a discussão da agricultura familiar no processo de redução de carbono. Um dos motivos é o custo, pois é extremamente caro fazer identificação e certificação. A gente buscou uma parceria com o Rabobank que vai financiar todo o processo de verificação e certificação. E um ponto fundamental, em sistemas agroindustriais, remunerando o produtor. Neste caso, 80% do valor que comercializar, depois que ele implantar a sua floresta, vai diretamente ao produtor rural”, finaliza Verruck.

Projeto

Mato Grosso do Sul tem como meta, até o ano de 2030, ser um território reconhecido internacionalmente como Carbono Neutro.

O diferencial do projeto formalizado hoje (7) é o pagamento pelo crédito de carbono da agrofloresta, o que é possível por meio de plataforma desenvolvida pela Rabobank Acorn que envolve desde a medição do crescimento da biomassa via tecnologia de sensoriamento remoto e a subsequente comercialização do crédito de carbono a sua rede de clientes internacionais.

O desenho da agrofloresta, com arranjo de espécies nativas do Cerrado, como o cumaru e o jatobá - associada a espécies frutíferas -, foi desenhado por professores e pesquisadores da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), em conjunto com a Acorn e a Cooperativa de Produtores Orgânicos de Mato Grosso do Sul (Cooperapoms).

O Governo de Mato Grosso do Sul coinveste neste projeto junto com o Rabobank Acorn e a Rabo Foundation e irá colaborar via a disponibilização de assistência técnica, insumos e no apoio no acesso de cofinanciamento para a implementação da agrofloresta.

O parceiro local responsável pela coordenação da implantação do projeto será a Cooperativa de Produtores Orgânicos de Mato Grosso do Sul (Cooperapoms) com sua rede de associados e por meio de cooperativas e associações parceiras no Estado.

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News.

Nos siga no Google Notícias